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sexta-feira, 7 de julho de 2017

Fábula: O mosquito e a aranha

O Mosquito zumbia que zumbia sempre e sempre. Para todos olhava, para todos tinha uma crítica. A Mosca era uma tonta; a Abelha, muito adocicada; o Cupim, um cara de pau. E assim, ia o senhor mosquito tecendo suas conjecturas e análise pelo reino dos pequenos animais. A Aranha era a rainha. Tramava suas teias, dominava tudo e todos. Ora roubava um pouco de mel da Abelha, ora comia alguma mosca. E ia sendo poderosa, que era assim que sabia ser.

O Mosquito, aquele mesmo que criticava a todos, vez ou outra também dirigia alguma crítica à Aranha. Aquelas críticas meio em cima do muro, meio cifradas. Todavia, quem nasceu para chupar sangue só sabe fazer isso mesmo. E, quando a Aranha chamava o Mosquito para algum evento que o beneficiasse, lá ia ele, sem críticas, só com elogios.

Moral da história: Há mosquitos que apenas zumbem por zumbir.

quarta-feira, 31 de agosto de 2016

Fábula: O Morcego e a Coruja

O Morcego e a Coruja

O Morcego andava descontente. Outrora, ele podia voar pela floresta tranquilamente, gozando de todas as benesses que aqueles que comungam do poder possuem. O morcego era amigo do rei. E assim sendo podia sugar o sangue de quem bem lhe apetecesse. 

Todavia, após disputa acirrada com o Leão, o sempre eterno rei da floresta, que perdeu o posto, pois o povo andava descontente de apenas os bichos mais fortes e poderosos terem regalias e direitos, a Coruja assumiu o trono. E, nem bem, pegou o cetro, decidiu que direitos deveriam ser divididos, assim como deveres. É claro que alguns bichos grandes concordaram, viram naquela postura uma forma de construírem novas relações na floresta. Agora, todos poderiam ter possibilidades semelhantes para desfrutarem de direitos semelhantes, como, por exemplo, beber a água límpida na fonte do rio e não apenas a poluída.
Mas o Morcego, ah, o Morcego, andava descontente. Uniu-se, então, a outros tantos morcegos e a serpentes, a escavarelhos, a escorpiões e aranhas. Não era justo dividir o que sempre fora deles. E, munidos de gritos de ódio, invadiram os caminhos da floresta. Urravam, berravam, zombavam da Coruja e de todos os outros que a apoiavam. Queriam o fim daquela forma de governar. Porém, ardilosamente, diziam defender a liberdade de todos, mentiam vestir as cores da esperança. Diziam que a Coruja impedia a ordem outrora tão tranquila, melhor que abandonasse o poder, que o ideal era que o Morcego reinasse.
E alguns bichos tolos começaram a seguir os manifestantes. Todos esquecidos daquele tempo em que o Leão governava. Alguns inclusive, em meio à balbúrdia, nem percebiam que gritavam contra direitos que outrora nunca haviam tido.
E foi assim que o ardiloso Morcego retomou o poder. Para infelicidade de toda a floresta.
Moral da História 1: O passado jamais pode ser esquecido.

Moral da História 2: Quem segue serpentes corre o risco de morrer envenenado.

quinta-feira, 20 de agosto de 2015

Fábulas: A Serpente e o Sapo

A Serpente e o Sapo

A Serpente andava descontente. Outrora, ela podia rastejar pela floresta tranquilamente, gozando de todas as benesses que aqueles que comungam do poder possuem. A Serpente era amiga do rei.
Todavia, após disputa acirrada com o Leão - o sempre eterno rei, que perdeu o posto,  pois o povo andava descontente de apenas os bichos mais fortes e poderosos terem regalias e direitos - o Sapo assumiu o trono. E nem bem pegou o cetro, decidiu que direitos deveriam ser divididos, assim como deveres. É claro que alguns bichos grandes concordaram, viram naquela postura uma forma de construírem novas relações na floresta. Agora, todos poderiam ter possibilidades semelhantes para desfrutarem de direitos semelhantes, como, por exemplo, beber a água límpida na fonte do rio e não apenas a poluída.
Mas a Serpente, ah, a Serpente, andava descontente. Uniu-se, então, a outras tantas serpentes, escavarelhos, escorpiões e aranhas. Não era justo dividir o que sempre fora deles. E, munidos de gritos de ódio, invadiram os caminhos da floresta. Urravam, berravam, zombavam do Sapo e de todos os outros que o apoiavam. Queriam o fim daquela forma de governar. Porém, ardilosamente, diziam defender a liberdade de todos. Diziam que o Sapo impedia a ordem outrora tão tranquila, melhor que abandonasse o poder, que o Leão voltasse a reinar.
E alguns bichos tolos começaram a seguir os manifestantes. Todos esquecidos daquele tempo em que o Leão governava. Alguns inclusive, em meio à balbúrdia, nem percebiam que gritavam contra direitos que outrora nunca haviam tido.
Moral da História: O passado jamais pode ser esquecido.


Moral da História II: Quem segue serpentes corre o risco de morrer envenenado.

sexta-feira, 6 de março de 2015

Fábulas: Os gatos e os cães

Os gatos e os cães

Eis que os gatos e os cães resolveram eleger um líder comum. O gato e o cão chefes fizeram suas propostas, defenderam posições, discutiram ideias, bateram boca. Miaram e latiram muito. A cada miada, gatos e cães, partidários dos gatos, bradavam alucinados. A cada latida, cachorros, cadelas e gatos que julgavam as propostas dos cães mais interessantes uivavam e batiam palmas.
No dia da eleição, por uma diferença bem pequena de votos, o cão chefe foi eleito líder dos cães e dos gatos. Para quê? O gato chefe pediu recontagem dos votos. Perdeu de novo. Então, ficou cheio de mimimi, dizendo que o cão isso, que o cão aquilo. No final, pedia: “Este cão não pode ser nosso líder. Ele é um cão!” Convocou os gatos e os cães, descontentes com a eleição, para que saíssem às ruas, para que exigissem a saída do cão, eleito democraticamente, do poder. Atrás dele, ouvia-se o eco de alguns latidos e outros tantos miados.


Moral da história: A democracia, para certos gatos, só interessa quando atende seus desejos.

domingo, 16 de fevereiro de 2014

Fábulas facebookianas ( o retorno).


Os ratos e o queijo

Pois no pátio da casa, o Cão era o líder: tudo organizava, tudo dava conta. Todos os animais o auxiliavam a governar. Os ratos o aplaudiam, o referendavam, pois sempre tinham seu naco de queijo. 
Até que o Gato chegou por ali e começou a desejar o poder. Para tal, chamou os ratos e lhes ofereceu mais queijo do que o necessário. "Mais queijo sempre é bom", disse-lhes o Gato. Então, os ratos que até então viviam ao lado do Cão, passaram a hostilizá-lo, acusando-o das coisas mais vis. Todavia, apesar dos estratagemas, dos ardis,  das intrigas e das falcatruas, o Gato não conseguiu o poder. 
E nem bem a noite chegou, lá estavam os ratos bajulando o Cão, elogiando seu jeito de governar o pátio, afinal não queriam ficar sem queijo.

sábado, 12 de outubro de 2013

Mais duas fabuletas: Sobre abelhas e sapos.



A Abelha-rainha e as operárias

           A Rainha das abelhas resolveu escolher suas operárias mais obreiras para participarem da comissão que representaria a colmeia na convenção dos animais e deixou que elas se lambuzassem no mel. 
                Enfim, cada espécie seria representada por seus espécimes mais diletos. 
             E foi assim: voando, foi-se a Rainha, seguida por suas fiéis súditas. Porém, no momento em que, na convenção, deram voz às operárias, eis que elas colocaram-se a falar sobre as agruras da colmeia, sobre o tanto de trabalho, sobre a rotina de apenas fazer mel e mel e mel. Todos os animais aplaudiram as operárias, gritaram palavras de apoio e comentaram como era bom não ser abelha. No final da convenção, retornaram Rainha e operárias para seus afazeres. 
Atrás de si, o cochicho sobre o horror de se viver numa colmeia.



Os sapos

               Num banhado, bem no meio da floresta, vivia um bando de sapos. Sapos verdes, enrugados, todos coachando para a lua, que era apenas isso que todos sabiam fazer. E bastava um gritar, para que um outro gritasse atrás, e mais outro, e outro. Assim ia vivendo a sapaiada. Até que um dia, eis que chegou por ali, uma piranha. Ela chegou sorrindo, coachando também. Disse ser sapo de uma raça nobre, tradicional. Os sapos todos, abriram mais ainda suas bocas, tão espantados com tamanha nobreza. E ela, a Piranha, foi criando regras, determinando leis. Todos obedecendo, afinal não havia sapo mais tradicional que o recém-chegado. E todo cheio de escamas, uma belezura. Pois o fato é que, aos poucos, os sapos foram sumindo, iam embora um a um do banhado. Partiam à noite, sem dar tiau para ninguém. E a Piranha? Ah, ela foi ficando cada vez mais gorda, mais gorda, mais gorda.

domingo, 22 de setembro de 2013

Fábulas facebookianas

              Motivado pelos comentários que tenho lido no Face, acabei dando voz a alguns sentires em forma de fábulas. Chamei-as de fabuletas, pelo tanto de imitação das famosas formas simples eternizadas por Fedro, depois por Esopo, a que elas se propõem. Nelas, os autores faziam reflexões sobre virtudes e vícios humanos. Momento para, de forma exemplar, fazendo uso de personificações, condenar certos comportamentos. Ou, pelo menos, propor reflexões sobre eles. É o que tento com estas minhas fabuletas.

O urubu e as formigas

Pois foi assim: um pássaro machucado caiu bem próximo do formigueiro. Fez-se então uma assembleia: algumas formigas achavam que precisavam auxiliar o pássaro, afinal ele tanto cantava para animar o trabalho delas; já outras acreditavam que teriam alimento em abundância, caso o deixassem morrer. O urubu que a tudo assistia do alto, pousou em galho próximo e defendeu a segunda posição: o inverno sempre é longo, o pássaro estava pertinho, economizaria um tanto de trabalho, com certeza. Sugeriu ainda que elas mesmas poderiam matá-lo. Aguardar que ele morresse de fome, poderia deixá-lo mais magrinho e demandaria tempo. A lábia do Urubu foi tão convincente que lá se foram as formigas a matar o pássaro. Depois que ele estava morto, o urubu veio, enxotou as formigas dali e, em alto e bom som, disse: "Saiam pra lá. A carniça é minha". E apossou-se do corpo do pássaro. As formigas? Tontas, ficaram olhando. E só. Nem música teriam mais.

A serpente e a andorinha

A serpente vinha rastejando, se espichando, toda veloz, toda silenciosa. Enroscou-se na árvore, foi subindo até o ninho da andorinha. Toda sorridente, voz delicada, sonora, a serpente foi destacando as vantagens de ser réptil: poder se esgueirar, poder subir em árvores. Era boa amiga pra se ter, afiançou. E, então, deu o bote. A andorinha, que boba não era, já estava no ar, a bater asas. Voou para um galho em que estaria segura e afirmou: Não me esgueiro, não me arrasto. Apenas tenho asas.

A hiena e o leão


A hiena, toda ranzinza, cochichava pelos cantos, e falava mal do leão. Dizia que ele era tolo, que era equivocado, larápio e ladrão; um déspota, um autoritário. falava que todos deveriam temê-lo. Afinal, ele era forte e podia matar qualquer um deles. A hiena fazia e acontecia; criticava, xingava, acusava. Mas, quando o leão ofereceu-lhe um naco do veado que acabara de matar, ela foi lá, quietinha, toda feliz, gabando a força do leão, abocanhar sua parte.