domingo, 15 de novembro de 2009

Palavras 21


AMADA: Ela é o tudo, aquela que vem de mansinho e toma de súbito. E, uma vez tomados, nada nem ninguém nos libertará. Prisão desejada, repleta de surpresas, no dia que se faz, na cama que se desfaz.

Um e-mail de Teresina

Ao escrever um livro, nunca se sabe realmente onde ele vai chegar, que corações vai tocar, que relações estabelcerá com os leitores. Aí está, quem sabe, a mágica da escrita: as palavras são lançadas,voam, e o pouso jamais se tem muita clareza onde será. Assim, quando um e-mail como o da Bruna Campos chega até nós, vindo de longe, lá de Teresina (PI), a alegria se torna muita.

Nem sei direito como começo um e-mail ao autor do meu livro predileto (até agora). Se é vc que lê as mensagens do seu site eu não sei... mas de qualquer forma...!
Olha li o livro MEU PAI NÃO MORA MAIS AQUI. Realmente meu pai não mora mais comigo, e eu achei estranho porque esse livro (meu pai não...) tava na casa dele, junto com um montão de outros livros que ele me deu! Mas eu pensei: \"Meu pai, vai me dar um livro desse, sabendo do óóódiiio imeenso que eu tenho da esposa dele? Hmm, estranho?! MUITO. Eu odeio ela. Ela me odeia...♥\'Mas voltando ao livro.Levei o livro pra minha casa, (eu não moro com meu pai), passaram dois dias e eu nem tive coragem de pegar no livro; mais aí, o marido da minha mãe veio me tentar\"EU JÁ LI 39 LIVROS ESSE ANO!E VOCÊ BRUNA?\" eu respondi com a maior raiva do mundo que só li 11. É sério.EU li mesmo.Não perdi meu tempo com a coleção Twiligh, pelo menos, ainda não. Mas aí depois que ele falou aquilo, eu me senti TÃO analfabeta, e saí pela prateleira de livros procurando um decente pra ler.E vi o seu livro.Com um montão de bolinhas bonitinhas na capa.Eu não tava com nem um pouco de vontade de lê-lo.Mais ai, li o primeiro diário da Leticia.Gostei, eu tava me sentindo do jeito que VC escreveu, DESABANDO, mas era de raiva. =D
Li o primeiro do Tadeu, gostei muito. Bah, acredite ou não eu li aquele livro de 200 páginas numa madrugada! Eu pensei em parar e dormir, mais sabia que eu ia perder a imagem daqueles dois retardados, que quase me fizeram chorar, quando o pai do Tadeu morreu. Depois de falar tudo isso, quero dizer OBRIGADA, eu acho...Obrigada por ter me feito raciocinar que pelo simples fato da decisão do meu pai se separar (FAZ 4 ANOS MAS EU NÃO ACEITEI), não pode me fazer ficar de cama chorando. Eu li esse livro na madrugada de ontem. Dormi depois. A tarde eu saí, fui na casa das minhas amigas, e voltei a falar com amigos que estavam distantes de mim. OBRIGADA!

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Mais um patronato...

Para quem escreve, a homenagem de uma cidade em sua feira de livro é honraria maior. Afinal, ser patrono, escolhido entre tantos autores e autoras que se dedicam com maestria à arte de escrever, acaba sendo marca na história daquele que resolveu criar mundo fictícios, ou poemas, ou ilustrações, ou reflexões... A vida de escrita tem seu tanto de sacrifícios (os inícios sempre são difíceis, e se não são apenas existem para confirmar a regra), mas também tem seu muito de alegrias, de trocas, de fantasias e de sonhos: mundos possíveis que se vão construindo a partir do desejo e da emoção de quem os cria.

Pois dia 06 de novembro fui homenageado na cidade de Presidente Lucena, em sua 8ª Feira do Livro. Momento de encontro com outros autores, mas sobretudo momento de ver meus personagens circulando pelo lonão. Felicidade sempre.


Agora, a minha história e a história da leitura no município de Presidente Lucena estão entrelaçadas. E isso é bom.


domingo, 8 de novembro de 2009

Dose Tripla

Nos últimos dias, que foram de bastantes viagens, de muitos eventos em Feiras, pouco tempo tive para postar alguma coisa por aqui. Quebro o jejum para partilhar a alegria se ser triplamente finalista em dois prêmio literários aqui do Sul.
Meu livro Meu pai não mora mais aqui é finalista, na categoria juvenil, dos prêmio Açorianos e AGES - Livro do Ano. E a Coleção Historinhas Bem, cuja autoria divido com Márcia Leite, é finalista na categoria Infantil do Açorianos.
Bacana ver que minhas histórias não tocam apenas o coração dos pequenos leitores.
Agora é aguardar os resultados.

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Pedido inusitado

Abaixo segue e-mail-convite-desafio que me foi enviado pelo amigo e escritor Vítor Diel. Achei a ideia por demais interessante e já fiquei querendo ver o resultado. Se alguém se habilitar a ajudá-lo, leia o texto que segue:

oi, caio! tudo bem?

cara, preciso da tua ajuda! tua e de muita gente!

tô escrevendo um novo livro de crônicas, o sucessor de "Granada", no qual, em um dos textos, faço uma análise bem humorada dos spams que recebo diariamente. mas tenho recebido sempre os mesmos e preciso de outros, diferentes e esquisitos. publiquei no meu blog o pedido abaixo. saca só: Quero o seu lixo: colabore com meu novo livro! Quer participar da produção do livro que estou escrevendo? É facinho! Basta encaminhar para vitor.diel@gmail.com spams com texto em inglês, quaisquer que eles sejam: aumento peniano, venda de produtos, correntes que solicitam depósito monetário — qualquer coisa, desde que seja em inglês e sem alteração no título ou no corpo da mensagem. Se o lixo eletrônico encaminhado for utilizado na obra, os contribuintes terão seus nomes mencionados em agradecimento.
E, ah!, quanto mais inusitado forem os spams, melhor! Pronto! Que comece o envio!
P.S.: É sério! é isso. se puderes dar uma força citando meu desespero no teu blog e encaminhando esta mensagem, seria o máximo! abração! até mais!

Vitor Diel
http://bumerangue.tumblr.com
http://twitter.com/vitordiel

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Caio Leitor 12: Alguns caminhos

Muito tenho lido, mas não como gostaria. Falta o tempo para aquela entrega necessária, a gente dentro do mundo urdido em palavras sem chamado de volta. Leitura sendo sempre interrupção acaba criando hiato entre o lido e o ainda por ler. Faz com que me sinta pouco participante daquele mundo no qual mergulhei. Além das leituras da Confraria Reinações: Meu pé de laranja lima, Isso não é um filme americano, O mistério das aranhas verdes, A ilha do tesouro, O jardim secreto, Foguinho, entre outros, pouco tenho lido. Cada mês, uma leitura que, por vezes, se revela boa surpresa, como ocorreu com A história sem fim, mergulho viceral no universo de Michel Ende, e com O gato malhado e a andorinha sinhá, do Jorge Amado, sensível fábula sobre o amor e a morte.
E no momento, me divido em três: Reparação, Crepúsculo e O menino do dedo verde. Este com maior necessidade de leitura, é o livro da Reinações de outubro.

Notas sobre Meu Pai...

Um diário escrito como um trabalho textual, proposto pela professora, é a tarefa que os alunos precisarão realizar em casa, até o fim do ano:
... Pode? Tá, ela disse que a intenção é a gente poder escrever todos os dias, nem que seja uma linha... Mas por que um diário? ... É uma oportunidade de vocês treinarem caligrafia...
A solução literária encontrada por Caio Riter para compor a forma de Meu Pai não Mora Mais Aqui demonstra a criatividade do autor. Diários não são mais novidades, como leitura para jovens ou adultos. Há muitos, mas concebido como tarefa escolar é novidade sim, e das boas.
O autor criou um espaço tempo de monólogo interior, onde dois protagonistas elaboram suas vivências emocionais, em uma linha de pensamento jovem, reflexiva, própria daqueles que estão descobrindo a vida. O vocabulário é peculiar. Cheio dos jargões da idade, quentes, emocionados.
Caio Riter tem um lindo estilo literário, fluente. Suas frases recheadas do modo de falar dos gaúchos nos trazem o sabor do sul. Aproxima os leitores pelas diferenças lingüísticas e pelos sentimentos iguais.
Os tipos criados ganham forma, ficam em pé, aparecem em carne e osso e nos dão a sensação de poder abraçá-los, tão vivos estão nas páginas, na profunda imersão no universo da adolescência.
O Sentido da ausência do pai de Tadeu - a personagem principal - é tão forte, quando ele sai de casa para viajar. Rodar pelas estradas do mundo para sustentar a família.
As visitas rápidas, nos fins de semana, a casa que se enche e se esvazia da figura masculina que passa e deixa saudades, frustrações, e o desenrolar de uma vida que não é aquela que se quer viver em companhia, pelo escasso tempo juntos, e insuficiente para saciar a fome de ternura.
Há também, a Letícia. Os dois vivem a mesma problemática da ausência paterna. Os motivos são diferentes, o e sofrimento de abandono, o mesmo. Essa dualidade, na trama, tão bem tecida, faz do livro uma leitura primorosa. Prende o leitor pela temática das incertezas, das dores do crescimento que fervem nas entranhas dos jovens, até que eles descobrem o amor.
O ciúme, as disputas iradas. Os hormônios falam, o corpo muda. É difícil aprender a ser homem e mulher. Conviver com as diferenças. As circunstâncias que não são as ideais, mas humanas.
Há o recolhimento. O clima de escrever sozinho e tocar no mais profundo de si mesmo. Um momento único e atemporal. Há perdas, algumas irreparáveis, definitivas. Há recuperação no reencontro com a harmonia de viver, quando os conflitos encontram um ponto de equilíbrio e a vida segue em busca da maturidade emocional.
Caio Riter é um autor que se renova a cada publicação. Premiado várias vezes, tem elaborado muito o seu oficio de escrever, e o faz cada vez melhor. Ele mesmo, assim como as personagens que retrata, em permanente processo de crescimento literário, o que salta aos meus olhos de leitora.
Ísis Valéria, membro da FNLIJ