sexta-feira, 14 de outubro de 2011
Poetares
Sempre quis, mas sempre relutei. Um ou outro surgia vez ou outra, porém nada que tivesse unidade ou que pudesse ser pensado como livro. Aí, veio a ideia de poetar barulhos. E foi o que fiz: saí a colher os ruídos mais comuns, mais estranhos, barulhos presentes em nossa vida. E, com o traço lindo da Martina Schreiner, meu primeiro livro de poesia acabou ganhando forma.
domingo, 25 de setembro de 2011
Terceira confissão
Confesso. Creio que blogs servem para isso mesmo, creio que o aqueles que acessam a rede querem mesmo é confisões. Assim, dou aos meus leitores, aos meus seguidores, a quem se deparar com este blog confessional-bissexto o que desejam: batidas no peito, rituais de confissão.
Pois seguem duas.
É isso mesmo: duas confissões, uma logo após a outra, ou uma bem do ladinho da outra. Confissões que têm a ver com televisão, com gosto televisivo. Pois aí vão. Ah, e não me queiram mal por isso.
1ª confissão televisiva: Amo novelas! Adoro acompanhar aqueles desfechos previsíveis, adoro ficar adivinhando "o quem matou?", me envolvo com as pesonagens caricaturais (às vezes uma ou outra se salva, desde que não interpretadas pela Carolina Dieckman ou pela Regina Duarte). Ah, e sei nomes de novelas antigas, tramas, principais personagens. Em Passo Fundo, descobri um grande autor brasileiro que tem esse mesmo gosto inusitado. Foi surpresa e, ao mesmo tempo, identificação.
2ª confissão televisiva: Curto um monte concursos de misses. Acho um barato aquele glamour todo. Fico torcendo pela gaúcha, pela brasileira, fico tentando adivinhar quem desfilará pela passarela com a coroa e o cetro. Há vezes em que acerto. Podem acreditar!
Bem, me desnudei mais uma vez, revelei meu lado Hyde televisivo. Me sinto mais aliviado. Confesso!
Pois seguem duas.
É isso mesmo: duas confissões, uma logo após a outra, ou uma bem do ladinho da outra. Confissões que têm a ver com televisão, com gosto televisivo. Pois aí vão. Ah, e não me queiram mal por isso.
1ª confissão televisiva: Amo novelas! Adoro acompanhar aqueles desfechos previsíveis, adoro ficar adivinhando "o quem matou?", me envolvo com as pesonagens caricaturais (às vezes uma ou outra se salva, desde que não interpretadas pela Carolina Dieckman ou pela Regina Duarte). Ah, e sei nomes de novelas antigas, tramas, principais personagens. Em Passo Fundo, descobri um grande autor brasileiro que tem esse mesmo gosto inusitado. Foi surpresa e, ao mesmo tempo, identificação.
2ª confissão televisiva: Curto um monte concursos de misses. Acho um barato aquele glamour todo. Fico torcendo pela gaúcha, pela brasileira, fico tentando adivinhar quem desfilará pela passarela com a coroa e o cetro. Há vezes em que acerto. Podem acreditar!
Bem, me desnudei mais uma vez, revelei meu lado Hyde televisivo. Me sinto mais aliviado. Confesso!
terça-feira, 20 de setembro de 2011
Um na estrada
O Globo publicou matéria sobre meu novo livro, editado pela Melhoramentos, Um na estrada. Se quiser ler, confira aqui:
http://oglobo.globo.com/megazine/mat/2011/09/19/um-na-estrada-quase-um-road-movie-925397398.asp
Livro novo é sempre sensação expectante: que trajetória trilhará? Será encantamento no coração de seus leitores? Ficarão meus personagens ecoando no dentro de quem os conhecer?
Escrever tem seu tanto de encantamento também. Cada vez que mergulho na escrita de um novo livro, cada vez que o vejo assim, pronto, sonho virado papel, vem o desejo de que ele seja lido e que, com sua leitura, eu possa existir mais e mais como escritor.
http://oglobo.globo.com/megazine/mat/2011/09/19/um-na-estrada-quase-um-road-movie-925397398.asp
Livro novo é sempre sensação expectante: que trajetória trilhará? Será encantamento no coração de seus leitores? Ficarão meus personagens ecoando no dentro de quem os conhecer?
Escrever tem seu tanto de encantamento também. Cada vez que mergulho na escrita de um novo livro, cada vez que o vejo assim, pronto, sonho virado papel, vem o desejo de que ele seja lido e que, com sua leitura, eu possa existir mais e mais como escritor.
Fragmentos Literários 6
De Seda, de Alessandro Baricco, editora Rocco
"Fica assim, quero te olhar, te olhei tanto, mas não eras para mim, agora és para mim, não te aproximes, peço-te, fique como és, temos uma noite para nós e quero te olhar, nunca te vi assim, teu corpo para mim, tua pele, fecha os olhos e acaricia-te, peço-te," (pag. 92)
sábado, 20 de agosto de 2011
Meu pedaço de Porto

Há pessoas provincianas.
Mas de todos os cantos e recantos de Porto Alegre — não me perguntem o porquê desta escolha, talvez eu não soubesse racionalizar —, o que mais atrai meu olhar, meu sentir, é a Igreja das Dores. Sempre que passo por aquela parte mais antiga (ou histórica, como dizem alguns. Todavia, me pergunto se o resto do centro também não tem história, enfim.) me deixo encantar por aquelas escadaria brancas, encimadas pela fachada antiga, pelas torres que se alçam ao céu, feito dedos humanos a apontar para Deus.
Gosto de subir as escadas, gosto de caminhar entre os bancos, gosto de me perder em pensamentos diante do altar, diante daquelas imagens de santos ainda vestidos de veludo, ainda ornados com dourado. A Igreja das Dores é fascínio — sempre — ao meu olhar, que, ao vê-la, assume-se como estrangeiro, cioso de entendimento da atmosfera que me convida a ser parte daquele prédio, de sua história, de suas gentes.
E fico ali, meio imerso na fantasia, tentando descobrir alguma pista de que, de fato, o negro Josino andou por ali. Josino, um dos tantos escravos que auxiliou na construção da igreja e que foi enforcado diante dela, seus olhos talvez levando para sempre gravadas em si a imagem do prédio que ele mesmo ergueu. Dizem que acusado injustamente, as torres sendo prova visível de sua inocência.
Tudo é chamado: o que a igreja tem de real e o que ela suscita na fantasia que habita em mim, no meu desejo de desvendar as dobras que ocultam o sobrenatural.
Passar pela Andradas e não voltar os olhos para o templo no alto das escadas? Jamais. Minha Porto Alegre é a Porto Alegre do Gasômetro, da Redenção, do Marinha, do Guaíba, do Cais. É a Porto Alegre do Laçador também. Mas é muito mais, bem mais, a Porto da Igreja das Dores, que, vista do Guaíba, é a certeza de que uma aura de mistério a envolve. Sempre.
quinta-feira, 11 de agosto de 2011
Um na estrada
A escrita de um livro, na maioria das vezes, desconhece a publicação. Lançar-se ao trabalho de dar vida a um personagem, de construir suas dores, sempre é mistério, pois a garantia de publicação, quando ele não é um pedido de uma editora, é apenas possibilidade. Quantos livros estão guardados em gavetas ou salvo em pastas de compuadores por esse mundão a fora? Assim, quando uma história encontra guarida em uma casa editorial, um dos motivos por que ela foi escrita — ir ao encontro de leitores — se realiza.
Livro que surgiu de um encontro inusitado (e nunca mais repetido) com um jovem homônimo do meu personagem, que me encantou com sua visão whatever da vida: não trabalhava, julgava que jamais iria trabalhar, deixava-se aproveitar as oportunidades que a vida lhe dispunha, como, por exemplo, fazer um curso de desenho sem que jamais tivesse tal habilidade, sonho, desejo. A vida, pois, me apresentava ali, sem nenhuma máscara, um personagem fascinante. Personagem que pega a estrada, na tentativa de fugir da atmosfera familiar, que não lhe premia com coisa boas. Esse o meu Davi, esse o meu solitário na estrada.
Livro que surgiu de um encontro inusitado (e nunca mais repetido) com um jovem homônimo do meu personagem, que me encantou com sua visão whatever da vida: não trabalhava, julgava que jamais iria trabalhar, deixava-se aproveitar as oportunidades que a vida lhe dispunha, como, por exemplo, fazer um curso de desenho sem que jamais tivesse tal habilidade, sonho, desejo. A vida, pois, me apresentava ali, sem nenhuma máscara, um personagem fascinante. Personagem que pega a estrada, na tentativa de fugir da atmosfera familiar, que não lhe premia com coisa boas. Esse o meu Davi, esse o meu solitário na estrada.
segunda-feira, 8 de agosto de 2011
No Espírito Santo
Por vezes, a literatura nos põe na estrada (ou no ar).
Quinta, dia 04, estive em Vila Velha, no Espírito Santo, para conversar com meus leitores do Colégio São José. Momento bacana, descontraído, em que minhas palavras literárias foram ao encontro do coração de um bando de simpáticos adolescentes. A manhã foi de troca a partir da leitura de dois dos meus livros: Meu pai não mora mais aqui e As luas de Vindor (ed. Biruta). À noite, encontro com pais e professores sobre meu livro A formação do leitor literário em casa e na escola.
Entre tantas palavras, falei que, quando resolvi ser escritor, algo que me incomodava era a possibilidade de inexistência: livros publicados e não lidos, personagens mofando nas estantes. Hoje, esse temor não é mais. Sobretudo, quando tenho a oportunidade de perceber como minhas histórias ecoam no dentro de quem as lê.
Assim, só resta agradecer a quem permite que eu exista como escritor.
E, além de encontrar tanta gente bacana, ainda conheci lugares especiais, como o Convento da Penha. Lindo. Do alto, vê-se a cidade. Plena: prédios, carros, praias e pontes.
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