Creio que escrevo é para isso mesmo: para que minhas histórias, minha palavras, meus mundo inventados, possam suscitar o nascimento de mais e mais palavras, numa relação que se perde no coração e nas mentes daqueles que me leem. Escrever é, quem sabe, possibilitar que outras palavras possam ser escritas, pensadas, sonhadas. Assim, fico bem feliz quando isso ocorre, como ocorreu em Cachoeirinha, primeiros leitores que mergulharam no universo fantástico de meu mais recente livro: Maria Degolada, santa assombrada (Editora Edelbra).
Maria Degolada
Lenda é história que o povo conta
para assustar as pessoas,
Nem sempre são verdade, mas amedrontam
tudo aquilo que as pessoas aprontam
A Maria Degolada
é mais uma dessas lendas assombradas:
conta que uma mulher muito amada
teve a cabeça cortada.
O soldado Bruno, seu namorada,
estava muito enciumado,
queria que ela fosse só dele,
mas ela não queria casar com ele.
O resultado disso foi uma grande briga,
que acabou em desastre,
a mulher foi degolada,
depois de ser ameaçada.
O Bruno se acusou,
na delegacia se apresentou,
um copo dágua ele ganhou,
na prisão ele entrou e morto ele ficou.
Isso nos faz pensar,
que brigar não é legal,
que ninguém é de ninguém na hora de amar,
temos que respeitar o direito pessoal.
Essa lenda é do século passado,
mas infelizmente coisas assim ainda acontecem,
Então, não seja ultrapassado
e não haja tão errado.
Poema construído pela turma 41, da professora Karen - Cachoeirinha-RS
sábado, 28 de agosto de 2010
domingo, 15 de agosto de 2010
Palavras 26
domingo, 8 de agosto de 2010
Palavras 25
sábado, 7 de agosto de 2010
Gente Nova 13 - Thiago Mattos
Thiago Mattos nasceu em Petrópolis, região serrana do estado do Rio, e reside atualmente em Niterói, onde cursa Letras. Escreve poesia e prosa. Escreve e guarda. Guarda e esquece que guardou. Há alguns meses, contudo, tem pensado em abrir uma greta da gaveta. E, enquanto seu livro não sai, é possível conhecer sua poesia no blog: http://aparedeeosanguedela.blogspot.com/
I
Conhece alguém que mexa com encanamento velho?
I
A noite que rasga o trem
Coloca o trem dentro do meu quarto.
Sentado na minha cama.
O aço de 9 bilhões de toneladas.
Dorme, criança.
II
Não foi a noite crua
Que cobriu o mundo.
Tudo é de plástico.
Tudo é de fogo.
Tudo é frio como é fria
Nossa cama assim
Cortada com ruas e casas e árvores
E meia cidade sem luz elétrica.
III
É respirarmos, ainda que mal.
É haver, ainda que não se saiba.
sexta-feira, 30 de julho de 2010
Eduarda vira peça
Meu livro Eduarda na barriga do Dragão e os demais títulos da coleção Tatu-bolinha, da editora Artes e Ofícios, virou peça de teatro pelas mãos do grupo Cuidado que mancha. Estreia amanhã! Convite abaixo:
sexta-feira, 23 de julho de 2010
Minhas Luas
Ao se publicar um livro, sobretudo quando se envereda por um território ainda não explorado, fica sempre a dúvida: os passos dados serão adequados? Ao escrever As luas de Vindor, aventura fantástica, história de princesa que tem uma missão salvifica a cumprir, sempre me vinha a inquietação: queria um livro de aventura, de fantasia, mas ao mesmo tempo queria uma história, não apenas uma trama aventuresca, em que o que mais importasse fossem as ações. Queria um personagem não apenas de carne e osso, mas, sobretudo, de sentimentos. Assim, quando li a crítica do Christian David, sobre este meu novo livro, fiquei feliz, afinal, o Christian diz perceber em As luas o meu jeito de contar histórias. Isso, creio, é bom.
Para quem desejar ler a crítica na íntegra, basta acessar o blog do Christian David, através do link: http://cndavid13.blogspot.com/2010/07/as-luas-de-vindor-indicacao-de-livro.html
Para quem desejar ler a crítica na íntegra, basta acessar o blog do Christian David, através do link: http://cndavid13.blogspot.com/2010/07/as-luas-de-vindor-indicacao-de-livro.html
sábado, 10 de julho de 2010
Caio leitor 16 - Um balé de assombramentos
Um balé de assombramentosCaio Riter
Escrever para adolescentes, com originalidade, não é tarefa fácil. Muitos são os autores hoje, pelos mais diferentes motivos, que se aventuram a produzir literatura juvenil. Cada um com seu estilo, cada um com suas crenças, cada um com seu universo particular de temas e de gênero. Confesso que, como leitor e como escritor, me interessam, sobretudo, tramas que contenham dramas humanos. Sim, creio que escrever para jovens não é apenas arquitetar uma trama repleta de peripécias. Algo mais precisa ser construído. Algo de extrema necessidade: personagens singulares, personagens que transponham a fronteira da invenção e tornem-se seres de carne e osso, apesar de serem feitos de verbo.
Assim, quando mergulho num universo em que elementos arcaicos, como a lenda ou o sobrenatural, se fundem com elementos atuais e propiciam a emoção ou o arrepio necessários a um bom texto, o leitor que existe em mim imerge em tal mundo, devora-o, alimenta-se dele e é levado a querer saber até onde a emoção do escritor pode levar a minha. Relação de cumplicidade.
Pois foi o que senti ao abrir as páginas de A bailarina fantasma, de Socorro Acioli, brilhantemente editado pela Biruta, num projeto gráfico digno de prêmio. A cor rosa, as imagens do Theatro José de Alencar, os desenhos em arabescos, tudo reforça o tema central e contribui para o clima de sobrenatural que permeia as duas primeiras partes da história, sabiamente dividida em três atos, como se uma grande história não apenas estivesse sendo narrada ou dançada, mas sentida.
O narrador se deixa comover, embora seja neutro em seu relato. E sua comoção contida abre espaço para os arrepios que eriçaram meu corpo as vezes em que a jovem Clara, bailarina e fantasma, aparece para a protagonista, a jovem assustada Anabela. Porém, não apenas de arrepios tal história se constrói. A emoção, necessária a qualquer texto, independente do público a que se dirige, está presente. O reencontro de Gabriel com a filha que ele julgara morta é emocionante, dá aquele aperto na garganta, traz um certo brilho de água aos olhos. Fica-se a perguntar sobre o que poderiam ter sido aquelas vidas, caso a maldade não tivesse lançado suas garras sobre o destino de Clara e de Gabriel.
Neste sentido, Socorro elabora duas histórias: a de Clara, bailarina virada assombração, cuja lenda faz parte do imaginário cearense e para a qual a autora, através de pesquisa, ficcionalizou uma verdade; e a de Anabela, jovem que tem a capacidade de ver o fantasma da bailarina e que irá ser o elo entre ela e o mundo real, a fim de que uma grande injustiça seja reparada.
Desta forma, o livro de Socorro Acioli não apenas se centra no episódio sobrenatural, que com certeza possui apelo por si só ao coração dos adolescentes (e não apenas deles), mas mergulha na dor das perdas de Anabela. Há vida, pois, nas histórias das duas jovens. Ambas enfrentaram experiências de morte, ambas desejam estabelecer novas relações para si. Aliás, a cena inicial, que é retomada no final, com Anabela enterrando, junto com animaizinhos domésticos mortos, bilhetes para a mãe falecida é de uma originalidade ímpar e de uma beleza singular.
Li com gosto A bailarina fantasma. Livro dos bons, que não subestima seu público e que vai além dele. Afinal, como disse Orígenes Lessa, o bom livro para crianças ou para adolescentes é aquele que é lido com prazer pelos adultos. O que, para mim, com certeza é uma verdade inegável.
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