quarta-feira, 16 de outubro de 2013
sábado, 12 de outubro de 2013
Mais duas fabuletas: Sobre abelhas e sapos.
A Abelha-rainha e as operárias
A Rainha das abelhas resolveu escolher suas operárias mais obreiras para participarem da comissão que representaria a colmeia na convenção dos animais e deixou que elas se lambuzassem no mel.
Enfim, cada espécie seria representada por seus espécimes mais diletos.
E foi assim: voando, foi-se a Rainha, seguida por suas fiéis súditas. Porém, no momento em que, na convenção, deram voz às operárias, eis que elas colocaram-se a falar sobre as agruras da colmeia, sobre o tanto de trabalho, sobre a rotina de apenas fazer mel e mel e mel. Todos os animais aplaudiram as operárias, gritaram palavras de apoio e comentaram como era bom não ser abelha. No final da convenção, retornaram Rainha e operárias para seus afazeres.
Atrás de si, o cochicho sobre o horror de se viver numa colmeia.
Os sapos
Num banhado, bem no meio da floresta, vivia um bando de sapos. Sapos verdes, enrugados, todos coachando para a lua, que era apenas isso que todos sabiam fazer. E bastava um gritar, para que um outro gritasse atrás, e mais outro, e outro. Assim ia vivendo a sapaiada. Até que um dia, eis que chegou por ali, uma piranha. Ela chegou sorrindo, coachando também. Disse ser sapo de uma raça nobre, tradicional. Os sapos todos, abriram mais ainda suas bocas, tão espantados com tamanha nobreza. E ela, a Piranha, foi criando regras, determinando leis. Todos obedecendo, afinal não havia sapo mais tradicional que o recém-chegado. E todo cheio de escamas, uma belezura. Pois o fato é que, aos poucos, os sapos foram sumindo, iam embora um a um do banhado. Partiam à noite, sem dar tiau para ninguém. E a Piranha? Ah, ela foi ficando cada vez mais gorda, mais gorda, mais gorda.
domingo, 22 de setembro de 2013
Fábulas facebookianas
Motivado pelos comentários que tenho lido no Face, acabei dando voz a alguns sentires em forma de fábulas. Chamei-as de fabuletas, pelo tanto de imitação das famosas formas simples eternizadas por Fedro, depois por Esopo, a que elas se propõem. Nelas, os autores faziam reflexões sobre virtudes e vícios humanos. Momento para, de forma exemplar, fazendo uso de personificações, condenar certos comportamentos. Ou, pelo menos, propor reflexões sobre eles. É o que tento com estas minhas fabuletas.
O urubu e as formigas
Pois foi assim: um pássaro machucado caiu bem próximo do formigueiro. Fez-se então uma assembleia: algumas formigas achavam que precisavam auxiliar o pássaro, afinal ele tanto cantava para animar o trabalho delas; já outras acreditavam que teriam alimento em abundância, caso o deixassem morrer. O urubu que a tudo assistia do alto, pousou em galho próximo e defendeu a segunda posição: o inverno sempre é longo, o pássaro estava pertinho, economizaria um tanto de trabalho, com certeza. Sugeriu ainda que elas mesmas poderiam matá-lo. Aguardar que ele morresse de fome, poderia deixá-lo mais magrinho e demandaria tempo. A lábia do Urubu foi tão convincente que lá se foram as formigas a matar o pássaro. Depois que ele estava morto, o urubu veio, enxotou as formigas dali e, em alto e bom som, disse: "Saiam pra lá. A carniça é minha". E apossou-se do corpo do pássaro. As formigas? Tontas, ficaram olhando. E só. Nem música teriam mais.
A serpente e a andorinha
A serpente vinha rastejando, se espichando, toda veloz, toda silenciosa. Enroscou-se na árvore, foi subindo até o ninho da andorinha. Toda sorridente, voz delicada, sonora, a serpente foi destacando as vantagens de ser réptil: poder se esgueirar, poder subir em árvores. Era boa amiga pra se ter, afiançou. E, então, deu o bote. A andorinha, que boba não era, já estava no ar, a bater asas. Voou para um galho em que estaria segura e afirmou: Não me esgueiro, não me arrasto. Apenas tenho asas.
A hiena e o leão
A hiena, toda ranzinza, cochichava pelos cantos, e falava mal do leão. Dizia que ele era tolo, que era equivocado, larápio e ladrão; um déspota, um autoritário. falava que todos deveriam temê-lo. Afinal, ele era forte e podia matar qualquer um deles. A hiena fazia e acontecia; criticava, xingava, acusava. Mas, quando o leão ofereceu-lhe um naco do veado que acabara de matar, ela foi lá, quietinha, toda feliz, gabando a força do leão, abocanhar sua parte.
sexta-feira, 20 de setembro de 2013
Sobre Prêmios e Jabutis...
Já tive três tartarugas, mas meu sonho mesmo é ter um jabuti. Curto os quelônios. Acho-os tão lindos quanto me agrada a elegância de uma girafa. Girafas, creio, são mais difíceis de se ter em casa. Onde, afinal, guardá-las? Jabutis são mais fáceis de se cuidar, acho. Eles têm um tanto de história naqueles cascos fragmentados; têm outro tanto de carinhos naqueles olhos que se escondem dentro dos cascos. Trazem em si a elegância, a longevidade. Talvez, por isso, a CRL tenha dado a seu maior prêmio o nome de Jabuti. Claro, é um animal brasileiro. Isso deve ter sido levado em conta também.
Pois esse ano, tive indicação dupla ao prêmio Jabuti. Na categoria conto/crônica e na juvenil.
Vento sobre terra vermelha é meu terceiro livro de contos. As histórias curtas que reuni (e que foram escritas para este livro) têm como cenário uma cidade fictícia do interior do RS, onde sentimentos e ações dos personagens são levados ao limite, trazem em si um quê de barbárie. Foi editado pela 8Inverso, aqui de Porto Alegre.

Vicente em palavras tematiza a morte. Narra, numa estrutura polifônica, a história de Vicente, ou melhor, da morte de Vicente: um garoto que falece acidentalmente. Sua morte vai obrigar que aqueles que de alguma forma conviveram com ele retomem sua vida, suas ações, seus sentimentos. Assim, o leitor vai construindo o seu Vicente. Edição da Editora Lê, de Belo Horizonte.
Pois esse ano, tive indicação dupla ao prêmio Jabuti. Na categoria conto/crônica e na juvenil.
Vento sobre terra vermelha é meu terceiro livro de contos. As histórias curtas que reuni (e que foram escritas para este livro) têm como cenário uma cidade fictícia do interior do RS, onde sentimentos e ações dos personagens são levados ao limite, trazem em si um quê de barbárie. Foi editado pela 8Inverso, aqui de Porto Alegre.
Vicente em palavras tematiza a morte. Narra, numa estrutura polifônica, a história de Vicente, ou melhor, da morte de Vicente: um garoto que falece acidentalmente. Sua morte vai obrigar que aqueles que de alguma forma conviveram com ele retomem sua vida, suas ações, seus sentimentos. Assim, o leitor vai construindo o seu Vicente. Edição da Editora Lê, de Belo Horizonte.
domingo, 15 de setembro de 2013
Verdes, livros e templos
Nas últimas semanas, andei visitando feiras do livro e escolas. Gosto do contato com meus leitores, gosto destas andanças, todavia nem sempre o resultado é positivo. Ainda há espaços em que o preparo para o encontro com o escritor é pífio. Há pessoas que ainda creem que estar numa feira, com todos os atrativos que elas têm (atrativos para além do livro: pinturas, teatro, dança, tatuagens, enfins) formam leitores. Não creio. Creio no contato com o livro como elemento fundamental. O escritor, a conversa com o escritor, é acréscimo que apenas acresce quando houve, antes, o contato com o texto.
Até quando eventos substituirão o livro na formação do leitor literário? O fato é que circulei pelo interior, o fato é que colhi também momentos bons, como o das duas adolescentes que se aproximaram, querendo me conhecer, querendo uma foto, mas atraída pelo meu livro "Meu pai não mora mais aqui", que elas leram na biblioteca da escola. Livro adquirido pelo Governo Federal e enviado às bibliotecas escolares. Meu coração foi festa, enverdeceu-se nestes tempos que antecedem a Primavera e que enchem nossos olhos de cores e de verde. Meu coração foi festa por perceber que ainda há jovens que encontram na biblioteca a possibilidade de outros encontros.
E saí pelas cidades de Dois Irmãos e de Santa Cruz à cata de verdes e de templos. Gosto de templos, coleciono-os em fotos. Abaixo, alguns registros, tentando vê-los a partir de um olhar primaveril.
Até quando eventos substituirão o livro na formação do leitor literário? O fato é que circulei pelo interior, o fato é que colhi também momentos bons, como o das duas adolescentes que se aproximaram, querendo me conhecer, querendo uma foto, mas atraída pelo meu livro "Meu pai não mora mais aqui", que elas leram na biblioteca da escola. Livro adquirido pelo Governo Federal e enviado às bibliotecas escolares. Meu coração foi festa, enverdeceu-se nestes tempos que antecedem a Primavera e que enchem nossos olhos de cores e de verde. Meu coração foi festa por perceber que ainda há jovens que encontram na biblioteca a possibilidade de outros encontros.
E saí pelas cidades de Dois Irmãos e de Santa Cruz à cata de verdes e de templos. Gosto de templos, coleciono-os em fotos. Abaixo, alguns registros, tentando vê-los a partir de um olhar primaveril.
Toda se fazendo de verde, em parede e entorno, a Igreja Luterana de Dois Irmãos.
A Catedral de Santa Cruz do Sul: vista da praça, natureza e festa.
Catedral de Dois Irmãos: igreja Católica de São Gabriel: palmeiras e anjo.
Igreja Luterana de Dois Irmãos em companhia de árvore verde.
sábado, 7 de setembro de 2013
E a poesia se faz
Céu de Clarice
Clarice
desenha na folha branca de papel
estrelas,
estrelas, céu cheio de estrelas.
Não escuta o
que o professor diz,
não enxerga o
que ele escreve na lousa,
não entende
nada de fórmulas ou de crase.
Clarice só
sabe de seu céu,
de seu céu de
papel e de linhas...
Só sabe
daquele céu tão seu,
repleto de
estrelas, de estrelas. Estrelas,
PS.: Este poema faz parte de meu novo livro, Futurações, que será lançado pela Editora Projeto, em outubro. Mergulho no universo adolescente pelo viés da poesia. Sou expectativa.
domingo, 1 de setembro de 2013
Gente Nova 19: Augusto Fracari
Augusto Fracari é psicólogo. Entre um entender da vida e outro, vai forjando poesias, como a que segue. Descobri seu versos no Face e creio que eles merecem partilha. Maior.

(O beijo de Chanel e Picasso, de Rogério Fernandes)
Deitado
configurei teu rosto em um novo ângulo
na perspectiva exausta
do depois
contornei tua boca com meu dedo
desenhei um beijo
transcendendo os lábios
e te beijei inteiro
e ainda te beijo
quando exausto
sem perspectiva
no último suspiro
teus lábios se afastam
então
toco minha boca com os dedos
e desenho novamente tua boca
na minha
(O beijo de Chanel e Picasso, de Rogério Fernandes)
Deitado
configurei teu rosto em um novo ângulo
na perspectiva exausta
do depois
contornei tua boca com meu dedo
desenhei um beijo
transcendendo os lábios
e te beijei inteiro
e ainda te beijo
quando exausto
sem perspectiva
no último suspiro
teus lábios se afastam
então
toco minha boca com os dedos
e desenho novamente tua boca
na minha
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