domingo, 22 de março de 2020

Aviso de suspensão Concurso

Vivemos um momento de reclusão para evitar danos maiores com o contágio pelo Corona vírus. Assim, comunico que o Concurso de minicontos Reinações 13 anos ficará suspenso até que a crise passe. Assim que tudo voltar à normalidade, a coordenação do concurso comunicará novas datas.
Agora é cuidar-se, evitando saídas e contatos não essenciais.

sábado, 29 de fevereiro de 2020

Concurso de Minicontos Reinações 13 anos: a palavra e a imagem


REGULAMENTO
CONCURSO LITERÁRIO REINAÇÕES 13 ANOS: A PALAVRA E A IMAGEM


1.  A Reinações: Confraria da Leitura de Literatura Infantojuvenil promove o Concurso Literário Reinações 13 anos: a palavra e a imagem, que visa despertar talentos literários e artísticos, promover a escrita e a ilustração de literatura infantojuvenil, além de celebrar os 13 anos de existência da Confraria Reinações.

2. Estão habilitadas a participar do concurso pessoas residentes no Rio Grande do Sul, com idade acima de 18 anos.

Obs.: É vedada a participação de membros da Comissão que organiza o concurso.

3. A participação no concurso, por meio do envio de textos, implica a concordância com todas as cláusulas deste regulamento.

4. Os textos deverão ser rigorosamente inéditos em veículos impressos.

5. O gênero do concurso é o miniconto.

5.1. Deverão ser inscritos textos narrativos, com no máximo 500 caracteres.
5.2. O miniconto deve ter como protagonista uma criança ou um(a) adolescente, caracterizando-se, assim, como texto voltado ao público infantil ou juvenil.
5.3. A temática do miniconto é livre.

6. Cada participante poderá inscrever-se por meio da entrega de texto do gênero miniconto, devendo este ser digitado em espaço 1,5, utilizando fonte Arial 12, em folha A4, com margens de 2 cm.

6.1. Cada autor poderá inscrever quantos minicontos desejar, desde que obedeçam ao que rege este regulamento. Caso isso ocorra, cada conto deverá ser digitado e entregue em folha separada.

7. É obrigatório o uso de pseudônimo, que deverá ser composto de no mínimo dois nomes e colocado no alto da primeira página de cada um dos textos inscritos. Caso o autor participe do concurso com mais de um texto, poderá entregá-los no mesmo envelope, desde que obedeça ao que rege o item 8.

8. Acompanhando os textos (a serem entregues impressos em papel A4 ou ofício, em três cópias, em um envelope devidamente identificado com o pseudônimo) deverá constar, em um envelope menor, lacrado, identificado com o pseudônimo, uma folha com os seguintes dados:

a) Nome do concurso
b) Pseudônimo composto (mais de um nome)
c) Nome completo
d) Endereço completo
e) Celular / Whatshap
f) E-mail
g) Data de nascimento

9. O prazo para as inscrições termina, impreterivelmente, em 31 de março de 2020. Os envelopes com os textos concorrentes devem ser enviados pelo Correio, para a Confraria Reinações (Rua Oscar Tollens, 62 – Santa Teresa – Porto Alegre-RS – CEP: 90850-520). A data de inscrição será a da postagem, que, se for posterior a do prazo máximo para a inscrição, não será aceita.

10. O julgamento dos textos será realizado por uma comissão de três profissionais, de diferentes áreas da literatura, indicada pelos organizadores do concurso.

11. Os textos selecionados em número não superior a 10 participarão da Exposição Reinações 13 anos: a palavra e a imagem, organizada pela Confraria Reinações. A exposição circulará durante o ano de 2020/2021 por diferentes espaços culturais de Porto Alegre e do Rio Grande do Sul, dentro das possibilidades dos organizadores, sem qualquer ônus para os participantes. Como a exposição não terá fins lucrativos, os organizadores exoneram-se do pagamento de direitos autorais ou de qualquer outra forma de remuneração aos autores, além da garantia da presença de seu texto, que será ilustrado, nas diferentes edições da Exposição, que terá sua inauguração em Porto Alegre em data a ser marcada.

12. Não poderá figurar na exposição mais do que um texto de cada autor.

13. Da premiação:

13.1. Serão outorgados certificados a todos os selecionados, e estes terão seus textos expostos e ilustrados na Exposição Reinações 13 anos: a palavra e a imagem, não havendo qualquer ônus aos escritores selecionados.

13.2. Cada autor terá seu miniconto ilustrado bidimensionalmente por alunos do Instituto de Artes da Universidade Federal do RS, sob coordenação da professora e ilustradora Laura Castilhos, e, posteriormente, selecionados para compor, junto com os minicontos, a Exposição Reinações 13 Anos: a palavra e a imagem, comemorativa aos 13 anos de atividades da Reinações: Confraria da Leitura de Literatura Infantojuvenil.

14. O resultado do concurso será divulgado em abril de 2020 em evento da Confraria Reinações.

15. Não haverá, em nenhuma hipótese, devolução dos textos concorrentes.

15. As decisões da comissão julgadora são irrecorríveis.

17. Os casos omissos neste regulamento serão resolvidos em conjunto pelos organizadores do concurso e pelos jurados.

18. Mais informações por meio da Página da Reinações no Facebook e, ainda, pelo  e-mail caioriter@gmail.com

Porto Alegre, 26 de fevereiro de 2020.

domingo, 23 de fevereiro de 2020

Azuis desmaiados

       Meu pai tinha olhos azuis e eu os herdei. Somos sete filhos e, dos sete, apenas dois têm olhos azuis. Eu sou um deles. Todavia, os meus azuis não trazem em si o brilho e a cor presente nos olhos de meu pai. Tenho olhos azuis desmaiados. Eles só são perceptíveis caso eu esteja com roupa azul ou preta. Aí o azul realça e as pessoas me olham e dizem: "Nossa, você tem olhos azuis".
         "Desde que nasci", costumo responder.
Lembro que quando guri isso era motivo de decepção. Ficava me perguntando de que adianta ter algo que o senso comum julga ser bonito se ninguém (ou poucos) nota? Tem-se um tesouro e não se pode aproveitá-lo.
          Durante muito tempo fui assim: alguém que acreditava não ser possuidor de beleza qualquer, apesar de algumas pessoas costumarem elogiar minha inteligência, minha liderança, minha escrita, minha criatividade, meus cabelos crespos e, de vez em quando, meus olhos azuis desmaiados.
          Vivia quando adolescente, uma realidade que sempre julguei pouco afável a mim. Hoje creio que era algum probleminha de autoestima, não sei. Na verdade, na maioria das vezes, eu não gostava daquele cara que me olhava do espelho. Poxa, ele podia ter cabelos lisos, podia ter menos espinhas naquele rosto tão claro, podia ao ir ao sol ficar bronzeado e não avermelhado, podia não ficar vermelho (o rosto pegando fogo) ao sentir vergonha, podia ter olhos azuis bem azuis. E eu ficava querendo tanto poder que, por vezes, era incapaz de perceber o que tinha, o que era.
          A vida na adolescência tem um tanto de abismo entre o ser e o querer ser. Um dia, esta distância abissal diminui. 
É certo, diminui.

sábado, 15 de fevereiro de 2020

Nasce uma coleção

          Em 2012, publiquei um de meus livros para a infância que mais sucesso fez no coração da gurizada. Mas não só, na verdade. Foi livro que trouxe outras alegrias: recebeu algumas distinções literárias e premiações importantes como Troféu Ofélia Fontes (FNLIJ), Prêmio Revista Crescer, White Ravens, sendo finalista do Jabuti e participando de algumas seleções, tais como o PNBE. Além disso, tornou-se o meu livro mais traduzido. Hoje, "Sete patinhos na lagoa" está disponível para crianças em quatro diferentes idiomas: francês, japonês, espanhol e coreano.


             Aí, um dia, conversando com a Eny Maia, editora da Biruta, que publicou este meu livro, ela me perguntou se eu não tinha algum outro original semelhante. Respondi mais ou menos assim: "Ter não tenho, mas posso escrever". E motivado por esta conversa, escrevi "Três porquinhos na floresta". Depois, imaginando como seria se uma girafa se tornasse astronauta, escrevi "Cinco girafas no espaço". E fomos nos dando conta de que havia surgido uma coleção. 





             E este ano nasce o quarto membro do grupo: "Quatro galinhas em alto-mar". Sempre achei galinhas bichos por demais bonitos. Elas têm um certo ar aristocrata em seu andar bípede. São bonitas, cantam, circulam como se estivessem acima do bem e do mal. Assim, fiquei pensando o que ocorreria se quatro galinhas-irmãs fossem convidadas para irem a uma festa de aniversário em alto-mar. Todos sabemos que este tipo de ave não nada. Ou será que na imaginação pode nadar? 




terça-feira, 28 de janeiro de 2020

Sobre artesania e inspiração

      Sempre me entendi como um escritor-artesão. 
     O filósofo Dufrenne distingue o processo de escrita em duas possibilidades, tendo por base a concepção do escritor sobre o seu próprio ato de escrever. Ele fala em poeta-artesão e poeta-inspirado. 
     O inspirado é aquele que acredita que a escrita se dá no próprio ato de escrever, ou seja, para tal escritor, não há a necessidade de planejamento; os personagens e a trama vão se construindo conforme as ideias vão se apresentando. Assim, quando o escritor escreve, ele não está preocupado com nada além da própria ação do escrever. Meu professor (e depois meu amigo e colega na FAPA) Lauri Maciel, contista e romancista, quando conversávamos sobre o processo de produção literária, sempre me dizia que, ao iniciar um texto, tinha uma ideia muito vaga (às vezes nenhuma ideia) sobre a história que iria escrever. Era, pois, um escritor inspirado. Já ouvi (e muitas vezes duvidei deles) escritores dizendo que seus personagens ganham vida à revelia do destino que foi traçado para eles. "Meus personagens, por vezes, me surpreendem", afirmam alguns escritores. Eu, confesso, sempre achei muito estranha tal postura. Me perguntava: Como pode um personagem decidir seus caminhos, se ele é uma criação do autor? O autor deve ser o domador, deve conduzir seu personagem para aquele fim que lhe é destinado. Afinal, sempre me entendi como um escritor-artesão.
       O artesão é aquele, na tradição de um Flaubert, que busca planejar sua escrita. A ideia vem (não curto a palavra inspiração) e o escritor irá testar as possibilidades daquele conflito, organizando-o racionalmente, definindo personagens, peripécias, desfecho. Aí, sim, após tudo previamente acertado, iniciará a escrita, conduzindo seus personagens ao destino que lhes foi traçado pela razão do escritor, a fim de provocar no leitor o efeito que determinou, na concepção do texto, que o leitor experimentaria. Eu me filio (ou filiava) a tal vertente. Fiz oficina literária com o Luiz Antonio de Assis Brasil e sempre admirei sua capacidade de pesquisa exploratória de um tema e de um personagem, preocupando-se não apenas com "o que contar", mas sobretudo com "o como contar".
      Minha escrita sempre buscou isso: ter um tanto de racionalidade nas escolhas, elaborar um planejamento, um "esqueleto", como costumo dizer, que será enchido de carnes no processo da escrita. Carnes necessárias para que o esqueleto, aquele previamente pensado, adquira sua forma definitiva. E aí a escrita e a reescrita (quantas vezes forem necessárias) se farão presentes.
      Mas, como disse no início destas breves reflexões, sempre me entendi como um escritor-artesão. Sempre. Até o momento em que li o livro do Stephen King, "Sobre a escrita". Nele o escritor fala que parte de uma situação e o restante se faz no próprio ato de se fazer. Sem planejamento, sem outras intenções que não apenas contar uma história. Achei bastante desafiador, bastante questionável, sobretudo ao ler alguns títulos do autor, tais como "Carrie, a estranha" e "Misery". Não consigo ver neles tramas nascidas ao acaso, sem o burilamento necessário para que o texto feche e provoque em mim o que eles provocaram.
       O fato é que, no dia 1º de janeiro, enveredei, motivado pela leitura de "Palácio da Lua", de Paul Auster, que me sugeriu um personagem, a escrever um livro juvenil sem qualquer planejamento. Pouco sabia eu do Francisco, apenas seu drama principal, seu conflito maior. Pois comecei a escrever, de forma manuscrita (estava na praia e quando viajo não levo note: acho pesado, dependente de tomadas e etc), sem saber ao certo quem era meu protagonista e o que ele revelaria a mim durante o ato da escrita. O texto agora se aproxima do fim. E é meu primeiro romance totalmente escrito de forma manuscrita. Páginas e páginas, papel e caneta, eu dando voz ao Francisco, ao mesmo tempo que vou conhecendo-o, entendendo-o, percebendo suas dores e seu modo de enfrentá-las. Experiência diferente, ímpar, inusitada. Não sei se melhor ou pior do que o modo como sempre me debrucei sobre meus textos anteriores. Não sei. Só sei que o Francisco está presente, não sai de mim. Não sai, não sai, não sai.
       E tem sido bom.



Prêmios e distinções


A formação do leitor literário em casa e na escola – Editora Biruta
Catálogo de Bolonha - 2010
Finalista Prêmio AGEs-Livro do Ano – 2010

Meu pai não mora mais aqui – Editora Biruta
Selecionado para o PNBE - Governo Federal - 2008
Selo Altamente Recomendável-FNLIJ - 2009
Catálogo de Bolonha-Itália - 2009
Indicado ao Prêmio Jabuti - 2009
Finalista do Prêmio Açorianos - 2009
Finalista do Prêmio AGES - Livro do Ano – 2009
Selecionado para o Programa de Modernização de Bibliotecas – Fortaleza-CE – 2012

O rapaz que não era de Liverpool - Edições SM
Selecionado para o Programa de Modernização de Bibliotecas – Fortaleza-CE - 2012
Prêmio Orígenes Lessa - FNLIJ - 2007
Altamente recomendável - FNLIJ - 2007
White Ravens - Alemanha - 2007
Catálogo de Bolonha - Itália - FNLIJ – 2007
Finalista do Prêmio AGES-Livro do Ano-2007
Prêmio Açorianos de Literatura - 2006
1º Prêmio Barco a Vapor - Edições SM – 2005

Eduarda na barriga do dragão - Artes e Ofícios
Catálogo de Bolonha-FNLIJ - Itália – 2007

Coleção Historinhas Bem... - Escala Educacional
Prêmio Açorianos - PMPA – 2009

Teiniaguá, a princesa moura encantada - Scipione
Catálogo de Bolonha-FNLIJ - Itália - 2007
Selecionado para o PNBE – Governo Federal – 2008

Debaixo de mau tempo - Artes e Ofícios
Acervo básico - FNLIJ - 2006
Prêmio AGES Livro do Ano – 2006

Atrás da porta azul - Artes e Ofícios
Prêmio AGES Livro do Ano – 2005
Programa Minha Biblioteca SP - 2019


A cor das coisas findas - Artes e Ofícios
Cantinho da leitura, Governo de Goiás - 2005
Finalista do Prêmio Livro do Ano - AGES – 2004
Prêmio Açorianos de Literatura - 2004
Selecionado para o Kit-Escolar – BH – 2011

A dobra do mundo - WS Editor
Finalista do Prêmio Açorianos de Literatura – 2004

O menino do Portinari – Escala Educacional
Selecionado para Kit Escolar - Prefeitura de Belo Horizonte-MG – 2008

Viagens ao redor de Felipe - Editora Projeto
Finalista do Prêmio João-de-barro - Belo Horizonte-MG - 2008
Selecionado para o PNBE – Governo Federal – 2011

O outro passo da dança – Artes e Ofícios
Finalista Prêmio AGEs – Livro do Ano – 2010
Bolsa de Tradução – Biblioteca Nacional – 2010
Selecionado para o Kit-Escolar Contagem-MG – 2010
Selecionado para o PNBE - Governo Federal - 2012
Selecionado para o Programa de Modernização de Bibliotecas – Fortaleza-CE – 2012
Leitura Obrigatória para Ingresso na Fundação Liberato Salzano - 2019

As luas de Vindor – Editora Biruta
Finalista do Prêmio AGEs-Livro do Ano – 2011
Catálogo de Bolonha – FNLIJ - Itália – 2011

Pedro Noite – Editora Biruta
Selecionado para o Programa de Modernização de Bibliotecas – Fortaleza-CE - 2012
Catálogo de Bolonha – FNLIJ - Itália – 2011
Prêmio Os 30 Melhores Livros Infantis – Revista Crescer – 2012
Selecionado para o PNBE – Governo Federal - 2013

Um na estrada – Melhoramentos
Finalista do Prêmio Brasília de Literatura – Bienal do Livro - 2012
Selecionado para o PNBE- Governo Federal – 2012

A filha das sombras - Edelbra
Finalista do Prêmio Jabuti - 2012
Selecionado para o PNBE - Governo Federal – 2012

Eu e o silêncio de meu pai – Editora Biruta
Finalista do Prêmio Açorianos – 2012
Selecionado para o PNBE - Governo Federal – 2012
Leitura Obrigatória – IFMG - 2017

Sete patinhos na lagoa - Editora Biruta
Prêmio Ofélia Fontes - O Melhor para Crianças - FNLIJ - 2014
Prêmio Os 30 melhores Livros Infantis - Revista Crescer - 2013
Selecionado para o Projeto Biblioteca Itaú-Crianças – 2013
Selecionado para o PNBE – Governo Federal – 2013
Catálogo de Bolonha – FNLIJ – 2014
Selecionado para o KIT BH - 2014
Selo Altamente Recomendável – Livro para crianças – FNLIJ – 2014.
Catálogo White Ravens - Alemanha - 2015

Vento sobre terra vermelha - 8Inverso
Finalista do Prêmio Jabuti – 2013

Vicente em palavras - Editora Lê
Finalista do Prêmio Jabuti – 2013

Bia e Nando – Editora Compor
Catálogo de Bolonha – FNLIJ - 2014

Historinhas bem Apaixonadas - Editora Escala Educacional
Selecionado Programa Livros na Escola - 2013 - Governo de Minas Gerais

Tantos Barulhos - Edelbra Editora
Selecionado pelo PNAIC-Governo Federal- 2014
Selecionado pelo Itaú Cultural, projeto bibliotecas – 2015
Programa Minha Biblioteca SP - 2019


Apenas Tiago - Editora Positivo
Catálogo de Bolonha - FNLIJ 2015
Selo Altamente Recomendável para Jovens - FNLIJ 2015

Duas vezes na floresta escura - Editora Biruta
Catálogo de Bolonha - FNLIJ 2015

Futurações - Editora Projeto
Catálogo de Bolonha - FNLIJ 2015
Acervo Básico da FNLIJ -  2015
Programa Minha Biblioteca SP - 2019
PNLD Literário - 2020

Cecília que amava Fernando – Editora da Cidade (1ªed.) Edelbra (2ªed)
Prêmio Açorianos de Criação Literária – 2015
Prêmio Ages Livro do Ano – Juvenil – 2017
Prêmio Ages Livro do Ano – O mais votado – 2017
Finalista do Prêmio Jabuti – 2017
Programa Minha Biblioteca SP - 2019

Três Porquinhos na Floresta – Editora Biruta
Catálogo de Bolonha – 2017

Cinco enigmas, um tesouro – Editora Brinquebook
Catálogo de Bolonha – 2017
Acervo Básico FNLIJ – 2018

Antes do alvorecer – Editora do Brasil
Selo Seleção Cátedra UNESCO (PUCRJ) – 2018

Cinco girafas no espaço – Editora Biruta
Selecionado PNLP - 2018

Problema que bicho tem – Editora Edelbra
Programa Minha Biblioteca SP - 2019
Finalista Prêmio AGES: Livro do ano – 2019
Finalista Prêmio Açorianos - 2020

Uma casa para dez – Editora do Brasil
Programa Minha Biblioteca SP - 2019
Selo Seleção Cátedra UNESCO (PUCRJ) – 2019
Prêmio AGES - Livro do Ano - infantil - 2019

Três dias e mais alguns
Finalista Prêmio Biblioteca Nacional - 2020
Finalista Prêmio Jabuti - 2020

Um Reino todo quadrado - Editora Paulinas
Selecionado para o Programa de Leitura de Recife - 2020





quarta-feira, 7 de agosto de 2019

25 anos de escritor: algumas palavras


           Escrever é alimentar afetos.

         Há os que dizem, e não lhes tiro a razão, que a escrita é ato solitário. Eu, todavia, prefiro vê-la como ato solidário. Quando penso uma história ou um poema, penso em mim, é claro, penso em que medida minha escrita possa contribuir com a expressão do meu eu, dos sentimentos que tais palavras me permitem viver (ou reviver). Quando escrevo, falo de mim. Mas também quero falar com o outro. Sem leitor, a literatura não cumpre seu papel maior: o de ser ponte.

         
          Escrever é estender pontes.
         Pontes para o dentro. Pontes para o fora. Pontes, sobretudo, que sejam elo entre duas ou mais margens, entre mais e mais pessoas.
         Meu ponto de partida foi uma família humilde. E se digo isso não é para exaltar-me como alguém que superou sua condição, nem para me pôr numa condição menor, digo-o apenas por ser fato e para tentar entender o porquê de o Caio, criança sem livros, hoje ser o Caio, escritor, que olha para trás e percebe o quanto a leitura fez diferença em sua trajetória. Se eu não tivesse lido, se não tivesse enveredado pelas bibliotecas públicas atrás de possibilidades diferentes de ser gente, de sentir, não estaria agora aqui, celebrando com vocês (e isso é bom de viver) estes 25 anos de escrita.
         Escrever é provocar acidentes.
         A vida é mesmo uma sucessão de acidentes. Há os bons, há os menos bons. E eu me torno escritor por vontade (fiz Jornalismo, com esta intenção; fiz Oficina Literária também), todavia tornar-me escritor para a infância e para a adolescência foi acidente daqueles bons: a nossa primeira gravidez abrindo espaço para presente inusitado, único: um livro infantil para presentear a mulher que havia aceito meu convite para gerarmos uma nova vida. Assim, nasceu meu primeiro livro para a infância. Na verdade, um livro para uma única criança. Dei-lhe o nome de O fruto verde e até hoje mantenho a promessa. Livro único.
         Fiz outros livros artesanais, até que um outro acidente fez com que meu primeiro livro fosse publicado. Isso lá em 1994. A continuação desta história longa, muitos de vocês acompanharam. E quando vejo tanta gente bacana, tanta gente que veio aqui hoje celebrar comigo esta parte de minha história, só posso ser feliz e plagiar o Saramago: “Caio, vales alguma coisa”.
        Escrever é permitir que as palavras morem em mim.
        Eu me faço moradia delas, procuro dar-lhes guarida, aconchego em mim. Gosto das palavras, me encanto com elas, embora saiba que, por vezes, elas são pouco obedientes, são insubmissas, revolucionárias, o que acredito venha de sua própria condição feminina. Cada encontro com as palavras é sempre um convite para novas histórias, novos textos, novos poemas. Me deixo fecundar por ela, e espero que isso possa seguir acontecendo mais e mais e mais e mais.