quinta-feira, 1 de janeiro de 2015

Reflexões breves 2 - Sobre finais

Todo o final pressupõe um recomeçar. Sempre há uma porta a ser aberta, uma estrada pela qual seguir, uma sombra a propiciar descanso, uma luz lá adiante a indicar rumos. Em épocas de encerramento, como esta de fim de um ciclo anual, o desejo de balanço das ações passadas sempre surge, urge, ruge. Bom, quando se pode olhar para o pretérito e prospectar nele futuros. O tempo é, pois, para futurar. Tempo para, em cima dos acertos e dos equívocos dos 365 que findam, orquestrar um novo início. Que o novo ano traga potencializado o tudo de bom do que se vai e que a capacidade de sonhar jamais seja apagada dos corações inocentes. Apesar de todos os pesares que possam acenar no horizonte. Apesar. Sigamos em frente, sempre em frente, sabendo colher da jornada aquilo que foi (ou será) fruto. E madureza.

Reflexões breves 1 - Sobre amizade


Amigos - os leais, os sinceros - são dádivas. Seus elogios não são enganadores; suas palavras não são bajuladoras; sua presença não é só estar perto. Um amigo sabe-se parte, entende-se parceria, quer-se proximidade. Um amigo, creio, é família escolhida: laços bem mais fortes do que os biológicos. Amigo é terra sempre fértil, mesmo em momento de seca ou de pragas.
Bendito o que semeia amizade, pois colherá fruto semelhante ao plantado.

quinta-feira, 27 de novembro de 2014

Sete patinhos recebe distinção internacional

Maior biblioteca infantojuvenil do mundo
escolhe quatro livros brasileiros de 2013
O Estado de S. Paulo - 26/11/2014 - Por Bia Reis
A Internationale Jugendbibliothek (IJB) – a mais importante biblioteca de literatura infantil e juvenil do mundo, localizada em Munique, na Alemanha – divulgou na semana passada os livros publicados ao redor do mundo em 2013 que farão parte do catálogo White Ravens. Quatro brasileiros foram selecionados: A árvore de Tamoromu (Formato), de Ana Luísa Lacombe e ilustrações de Fernando Vilela; As Cores da Escravidão (FTD), de Ieda de Oliveira e ilustrações de Rogério Borges; Bárbaro (Companhia das Letrinhas), de Renato Moriconi e Sete patinhos na lagoa (Biruta), de Caio Riter e ilustrações de Laurent Cardon. A IJB foi criada em 1949 por Jella Lepman, a fundadora do International Board on Books for Young People (IBBY), responsável pelo Prêmio Hans Christian Andersen, espécie de Nobel da literatura infantil e juvenil. Para conhecer todos os livros selecionados, clique aqui.http://pem.publishnews.com.br/link.php…

domingo, 16 de novembro de 2014

Gente Nova 21 - Gustavo Rückert

Gustavo Rückert é professor de Literatura em Jaguarão, no RS, e escreve no blog: gustavoruckert.blogspot.com.br.  
O poema que segue nasceu de um desafio que fiz ao poeta.


(Salvador Dalí)

Um muro em três partes

Ao olhar para aquele velho muro
descontemplo
por entre rachaduras e musgos
as sutilezas mais frágeis e densas
de minha própria existência

Ao olhar para aquele velho muro
descontemplo
dois terrenos pantanosos
que na inconstância de suas formas
têm duas existências formadas
na constância do velho muro

Ao olhar para aquele velho muro
descontemplo
entre a aspereza e a frialdade
os segredos e o calor
das confissões dos vizinhos
duas existências
duas partes à parte
de uma mesma essência

Ao olhar para aquele velho muro
descontemplo
descontemplo-me a dançar
na ponta dos dedos
equilibrando (me)
sobre minha frágil existência
em um segundo de delírio
entre duas consciências
perdidas
por entre rachaduras e musgos
diferentes
de um mesmo muro

Ao olhar para aquele velho muro
descontemplo-me
descontemplo-te
perco (me)
entre nós
Ao descontemplar (nos) aquele velho muro
me falta a coragem
fujo
(já nem sei se de mim ou de ti)
em desespero
e errante
vou simplesmente sendo
afinal




sábado, 1 de novembro de 2014

Palavras 41: Calçadas


CALÇADAS - Meus pés pisam o firme, porém são desejosos das imperfeições. Uma calçada sem ranhuras não projeta sustos, tampouco surpresas. Quero a possibilidade do passo que rejeite o liso, que busque a imperfeição. Só assim, ao me preparar para o tombo, posso ter sempre no rosto a alegria da pegada. Ela ficará, mesmo em chão que se finja não aderente a marcas.

sexta-feira, 8 de agosto de 2014

Direito à fantasia

 Um dia fui criança. Fui. E se falo assim, no passado, apesar de um pequeno ainda habitar meu coração, é porque a infância passa e o que fica dela é a nostalgia do ter sido. Ou do não ter sido também.
Fui criança não daquelas arteiras, levadas. Fui menino tranquilo, de não muitas peraltices, de trabalho pouco dando aos pais. Fui criança triste. Pelo menos, é o que diviso nas poucas fotos do guri que, por vezes, me olha de algum lugar do ontem.
Fui criança de imaginações. E se o fui, foi pelo pouco que a rua daquele bairro de periferia me ofertava. Eu queria algo mais. Um algo mais nutrido pelo tanto de leitura que invadia meus dias pouco diferenciados. Tudo muito igual, tudo sempre igual. Gibis, pulp fictions, fotonovelas e, depois, os livros foram me mostrando que a vida podia ser mais, bem mais. Foi me revelando que havia outros mundos possíveis, além da mesmice do meu, e que, se as condições minhas não permitiam vivenciá-los, as páginas dos livros possibilitavam que eu fosse árabe, africano, mulher, velho, cachorro, enfim o que quisesse ou pudesse. A fantasia e a imaginação me ensinando que o sonho é possível.
Fui criança de poucos amigos, fui criança de poucos dizeres, talvez mais assuntando a vida do que vivendo-a; talvez mais desejando o altero do que sendo-o.
Fui criança e, à realidade de parcos recursos, fui dando outros sentidos. Assim, um pedaço de pau podia ser o cavalo de Napoleão; uma caixa de fósforos vazia, a biga de Ben-Hur; um buraco cavado no meio do jardim, a toca do coelho que me conduziria ao País das Maravilhas. 
Fui sendo.
Por isso, por vezes, me surpreende que muitas crianças hoje só consigam ser crianças rodeadas de uma parafernália tecnológica que pouco lhes oferece de fantasia. Somos mais crianças à medida que somos capazes de imaginar, de criar do nada o todo.
Fui criança e sei que a realidade é outra, que o mundo é outro, que ser criança é outra coisa para muitos. Sei de tudo isso, mas sigo crendo (talvez de forma sonhadora demais) que a criança (não, a criança não, o ser humano) necessita da fantasia para ser mais e mais humano.

Kit BH para Duas Vezes na Floresta Escura

Meu novo livro "Duas Vezes na Floresta Escura", Editora Gaivota, faz parte dos livros selecionados pelo KIT BH, promovido pela Prefeitura de Belo Horizonte. Bom início. Livros à mão cheia, chegando ao coração-leitor de jovens mineiros. E o mais bacana ainda é que este livro ainda não chegou em minhas mãos. Ainda não foi toque, não foi descoberta, não foi surpresa boa de primeiro abrir de páginas, mas já está conquistando vitórias. Afinal, a maior delas é mesmo poder ser objeto disponível a olhos e a corações de mais e mais leitores. Sou feliz.