sábado, 12 de outubro de 2013

Mais duas fabuletas: Sobre abelhas e sapos.



A Abelha-rainha e as operárias

           A Rainha das abelhas resolveu escolher suas operárias mais obreiras para participarem da comissão que representaria a colmeia na convenção dos animais e deixou que elas se lambuzassem no mel. 
                Enfim, cada espécie seria representada por seus espécimes mais diletos. 
             E foi assim: voando, foi-se a Rainha, seguida por suas fiéis súditas. Porém, no momento em que, na convenção, deram voz às operárias, eis que elas colocaram-se a falar sobre as agruras da colmeia, sobre o tanto de trabalho, sobre a rotina de apenas fazer mel e mel e mel. Todos os animais aplaudiram as operárias, gritaram palavras de apoio e comentaram como era bom não ser abelha. No final da convenção, retornaram Rainha e operárias para seus afazeres. 
Atrás de si, o cochicho sobre o horror de se viver numa colmeia.



Os sapos

               Num banhado, bem no meio da floresta, vivia um bando de sapos. Sapos verdes, enrugados, todos coachando para a lua, que era apenas isso que todos sabiam fazer. E bastava um gritar, para que um outro gritasse atrás, e mais outro, e outro. Assim ia vivendo a sapaiada. Até que um dia, eis que chegou por ali, uma piranha. Ela chegou sorrindo, coachando também. Disse ser sapo de uma raça nobre, tradicional. Os sapos todos, abriram mais ainda suas bocas, tão espantados com tamanha nobreza. E ela, a Piranha, foi criando regras, determinando leis. Todos obedecendo, afinal não havia sapo mais tradicional que o recém-chegado. E todo cheio de escamas, uma belezura. Pois o fato é que, aos poucos, os sapos foram sumindo, iam embora um a um do banhado. Partiam à noite, sem dar tiau para ninguém. E a Piranha? Ah, ela foi ficando cada vez mais gorda, mais gorda, mais gorda.