sexta-feira, 14 de junho de 2019

A poesia de Maria Dinorah

Maria Dinorah foi, no Rio Grande do Sul, nossa primeira poeta para a infância. Como professora, sentiu falta de poemas que conversassem com as crianças, que pudessem trazer-lhes deleite e também reflexão, como bem apregoou Horácio. Sua poesia dialoga com formas populares, com o folclore, mas também apresenta temática com forte conteúdo social. 


A convite da Revista Aquelarre de Literatura Infantil (Argentina), em seu primeiro número de 2019, expresso meu olhar sobre a poesia da Dinorah, a quem tive o prazer de conhecer. Segue o link. Há uma versão em português e uma em espanhol.

Em espanhol:
http://www.aquelarre-revistalij.com/index.php/aquelarre/article/view/184

Em português:
http://www.aquelarre-revistalij.com/index.php/aquelarre/article/view/185

terça-feira, 11 de junho de 2019

Saberes líquidos

E me inauguro poeta para a madureza. Não que haja poesia para esta ou para aquela idade, creio que a palavra poética nos toca ou não nos toca. A literatura, sempre defendo, precisa ser filtrada pelo viés da emoção. Não a emoção imediata, aquela que só diz respeito à vivência ou à experiência daquele que a torna palavra. Não, a palavra poética precisa ter a tal dose de fingimento proposta por Pessoa: finge-se uma dor que, deveras, é sentida. 
Difícil arte, sem dúvida.
Foto: Graziella Comelli

Sempre admirei os grandes poetas, aqueles que conseguem fazer do um o vário, aquele que consegue transcender sua dor e senti-la acolhida na dor do outro. A poesia necessita de saberes, expressa saberes, não aqueles sólidos, feito pedra, mas os líquidos, que se infiltram nas frestas de nós e nos contaminam, e nos irrigam, e nos lavam, e nos imaculam. 
Água e poesia buscam dizeres em mim.
Não sei se os executo com a forma e o sentimento com que os poetas concedem às suas palavras, não sei. Mas tento. E, por uma série de casualidades, e por alguns desejos, não meus, mas meus também, minha poesia ganha a rua, na edição do Lucas Krueger, para a Artes e Ecos.
Agora é ser aguardo.

quinta-feira, 16 de maio de 2019

Artigo sobre a memória em Lygia Fagundes Telles

Nestes últimos meses, andei envolvido (novamente, e confesso que acreditava estar distante das discussões acadêmicas) com a crítica literária em virtude do Pós-doutorado que estou desenvolvendo na PUCRS, sobre a supervisão do Luís Antonio de Assis Brasil. Meus caminhos de criação (faço o pós em escrita criativa) flertará com a invenção de "Alice no País das Maravilhas", texto que coleciono (tenho bem mais de cem diferentes exemplares). Todavia, aqui, posto o link de um artigo que escrevi sobre uma das minhas autoras brasileiras preferidas, Lygia Fagundes Telles. Se alguém quiser conferir meu olhar sobre "Invenção e Memória", mais recente livro de Lygia com contos inéditos, basta acessar no link.

http://periodicos.unincor.br/index.php/recorte/article/view/5274/pdf_143

domingo, 5 de maio de 2019

Quando a poesia vira música

Quando escrevo, nunca sei bem a recepção que um livro ou um texto meu possam ter. Escrevo para ativar sonhos, para que minhas palavras, meus personagens possam encontrar algum coração que os acolha. 
Este é o desejo.
Todavia, não tenho nenhuma ingerência sobre ele. Por vezes, há livros que tomam rumos inesperados: encantam corações e mentes infantis e adultas; estabelecem conexão com o ser e o agir adolescentes; outras vezes, viram livros pouco lidos, pouco comentados. Há vezes também que ser tornam outros objetos artísticos no interior das tantas salas de aula pelas quais andam.
Pois no dia 15 de abril recebi um presente.


Os poemas de meu livro "Tantos Barulhos", editado pela Edelbra, viraram canção e encheram os espaços da escola Nanci Pansera, em Canoas, de sons e sons e ritmos e melodias e vozes infantis que cantaram com empolgação meus poemas. 
A musicalização foi projeto do professor de música, o Diego. Um cara em que se percebe o entusiasmo e o amor em ser alguém que abre novos olhares àquelas crianças, inaugurando para ela um universo repleto de musicalidade.
Foi lindo o encontro, foi bacana ouvir minha poesia virada música.
São estas surpresas boas que me fazem cada vez mais acreditar na literatura e na arte como ponte entre o um e o outro, que me fazem crer que a arte e a educação são porteiras abertas ao sonho e à cidadania.
E que venham mais momentos como este, e que existam mais professores como os da Nanci Pansera.



sexta-feira, 12 de abril de 2019

Eu + Portão = Patrono da 30ª Feira do Livro

         A atividade de escritor tem seu tanto de alegrias. Muitos: o encontro com uma boa história a ser narrada ou com um bom verso que se arvore poema; a escrita (que embora uns digam solitária) sempre acompanhada de tantas vidas urdidas pela nossa emoção e desejo; a publicação de um novo livro; o encontro com leitores, quer presencial ou não, para troca de afetos e de saberes sobre o escrito/lido. 
Muitas as alegrias, de fato.
          Ontem, tive mais uma. Encontro com a secretária de educação de Portão, a Rosaura, e sua equipe. Um café no MARGS e o convite para que, de 29 de maio a 02 de junho, eu seja o patrono da 30ª Feira do Livro no Município. Bacana também que junto à equipe, estava a bibliotecária responsável pela Biblioteca Municipal, que, eu soube, será reinaugurada durante a Feira do Livro. Soube também que os leitores da cidade, alunos e professores, terão à sua disposição vales-livro, a fim de adquirirem acervo literário pessoal.

         Motivos, neste tempos tão sombrios de ataques à educação e à cultura, para tristezas existem. Porém, também há estes oásis. há gente crendo na mudança, na construção da esperança, na luta pelo sonho. E ele, sabemos, se constrói com mais afinco se mergulhado em tintas de cultura: boa música, muita literatura, artes plásticas, cinema, teatro, enfim.

         Motivos tenho, pois, para alegrias. E que sigamos, como diz o slogan da Feira de Portão, "Semeando literatura e colhendo conhecimentos".

sexta-feira, 29 de março de 2019

Eu + Taquara = Patrono da Feira do Livro

Um escritor vive para a escrita, é certo. E se basta nela. Não, um escritor não se basta na escrita, ele carece de leitores. São estes que significam a carreira do escritor e atiçam a necessidade de mais e mais textos: contos, poemas, novelas, romances. 
Um escritor pode traçar caminho por apenas um gênero, pode buscar atingir apenas um tipo de público-leitor, mas pode também se inventar, se reinventar; pode flertar com todos os gêneros e escolher um entre tantos para criar seus universos de palavras. Pode até, quem sabe, criar algum gênero. Um escritor pode tudo o que a palavra permite. Porém, só se consolida como escritor ao ser lido, e relido, e trelido e.
Assim, projetos cujo objetivo seja promover leitores, despertar o desejo pela palavra literária são extremamente necessários, sobretudo quando os ventos que sopram anunciam tempestades. A arte pode ser boia, a arte pode ser força e lenitivo.
Projetos de leitura e Feiras de livro (desde que tenham como base a leitura de livros) são fundamentais para que o escritor exista, desperte, sobreviva. 
Ser patrono de uma Feira, nesse sentido, é abrir possibilidades para que mais e mais palavras surjam, sejam, tornem alguém mais e mais escritor. Ando me sentindo assim com o convite da organização da Feira do Livro de Taquara para ser o patrono de sua tradicional feira. Ainda mais no ano em que completo 25 anos da publicação de meu primeiro livro.
Só sou escritor por que fui ao encontro de quem me lê. E sigo indo.

Abaixo, link para matéria do jornal Panorama:

/http://www.jornalpanorama.com.br/novo/escritor-caio-ritter-sera-o-patrono-da-feira-literaria-de-taquara/

segunda-feira, 25 de março de 2019

De novo, falo de bibliotecas

Bibliotecas são espaços necessários, sempre. E são necessárias por se mostrarem como espaço de possibilidades: um leitor é mais que uma pessoa, é vários, é tudo o que as histórias e os poemas lhe possibilitam: é homem, mulher, bicho; é robô, planta, herói intergaláctico, é o que quiser e poder ser.
Livros são convite ao sonho.

Ah, e tudo anda tão sombrio, tão triste, tão pouco esperançoso. Pessoas têm seus direitos roubados; barragens enchem vidas de lodo, de barro, de morte; casas são derrubadas, queimadas; e o eco de vozes a incentivarem o feio, o desumano ecoam aos muitos ventos.

Uma escola é invadida por jovens; jovens que trazem nas mãos armas e não livros. 
Armas ameaçam, amedrontam, ferem, matam.
Livros acolhem, divertem, constroem, empatizam, inventam sonhos.

Bibliotecas são espaços necessários, cada vez mais. Sobretudo por oferecerem a fantasia grátis. Livros nada mais exigem do que o desejo de lê-los. Desejo que eu tive um dia.

Meus pés, ainda pequenos, ainda desconhecedores do mal do mundo, mas já suspeitando que ele existia, entraram um dia em uma biblioteca pública. E os livros se ofereceram a mim, a mim que tão pouco sabia do viver, a mim cuja vida se reduzia a uma rua. Pois foi na biblioteca de minha escola e, depois, em tantas bibliotecas públicas que me descobri leitor.


Encontro com leitores na Biblioteca Popular do Arquipélago, da qual sou padrinho.

Bibliotecas são espaços necessários, sim. E se a biblioteca é popular, mais ainda sua existência se torna vital. Hoje, as bibliotecas em minha cidade correm risco de vida. No Estado em que vivo, as bibliotecas escolares correm risco também: Há quem acredite que lugar de professor é na sala da aula, pensam que bibliotecas não são lugares de formação do humano. 
É tão estranho que homens e mulheres que se dedicam à vida pública possam não perceber o óbvio: viver entre livros é alimentar a capacidade de sonhar e de sobreviver à hostilidade do real.