quinta-feira, 5 de outubro de 2017

Cecília que eu amo

Há alguns anos, pensei na história de uma avó que tivesse uma doença incurável e que decidisse não passar seus últimos dias em um hospital. Esta avó era mulher especial, sobretudo por amar a poesia de Fernando Pessoa e por resolver iniciar seu neto, Bernardo, no universo da poesia. Entre eles, desde a infância, se estabelece uma relação muito próxima, muito visceral. Eles se amam, se entendem, partilham dores e alegrias. 
Então.
O pensamento, e é bom isso, acabou virando livro: Cecília que amava Fernando, que em 2015 conquistou o Prêmio Açorianos de Criação Literária, que naquele ano premiou original dedicado ao público adolescente. E, de lá para cá, Cecília  tem me dado muitos motivos para amá-lo: retorno emocionado de vários leitores; premiações importantes também. 
Esta semana, quando a CBL divulgou os finalistas ao Prêmio Jabuti, Cecília me deu a alegria de estar entre os dez que disputarão o troféu na categoria juvenil. Sou feliz, estou feliz. Bacana quando uma história vai ao encontro do coração dos leitores e também da crítica especializada.
Agora, é aguardar o final do mês: somente nos últimos dias de outubro conheceremos os vencedores do Jabuti.
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quinta-feira, 14 de setembro de 2017

Três vezes patronável

          Recebi boa notícia. Sou pela terceira vez candidato a patrono da Feira do Livro de Porto Alegre. Este ano, a Feira ocorrerá na tradicional Praça da Alfândega de 1º a 19 de novembro. 19 dias para quem ama leitura se envolver com sessões de autógrafos, com oficinas, com palestras e outros que tais. O melhor deles, pelo menos para mim, sempre é a possibilidade de circular pelos corredores à cata de livros e de escritores. Melhor coisa do que trocar ideias com quem escreve, sobretudo se este alguém produz literatura que me emociona, não há. Na Feira já ouvi Lygia Fagundes Telles, já encontrei Milton Hatoum, já peguei autógrafo de Lygia Bojunga, de Tereza Cárdenas, de Adriana Calcanhoto, de Walter Hugo Mãe, de tanta gente que escreve livros que emocionam. Para mim, a maior capacidade de um escritor: por meio das palavras, criar mundo inventados, capazes de falar com o que habita em mim e me fazer pessoa de emoções.
         Pois este ano, sou candidato a patrona da mais antiga Feira do Livro do RS.
         Momento de resistência ao descaso com a cultura.
         Momento de fazer valer a liberdade de abrir um livro e de ser mais gente por causa disso.
        Já fui indicado em 2013 e em 2015. Houve patronos que foram indicados apenas uma vez e já foram eleitos, e outro que precisou de uma década antes de ter tal distinção. O que me espera eu não sei. Só sei do fascínio que novembro nos provoca com a Feira, só sei que ser lembrado por três anos faz de mim alguém que passa a acreditar que sua literatura tem alguma valia.
         Somos cinco a disputar a vaga de patrono: eu, Valesca de Assis, Celso Gutfreind, André Neves e Luís Dill.
         Aguardemos.

Sobre censura

É isso que desejo:
o direito de ir e vir; de ir e ver; de ver e gostar; ou de desgostar, de odiar; o direito de acolher. E também o de me indignar. O direito de me espantar, de me sensibilizar, de rejeitar aquilo que vai de encontro ao que acredito. E o de incensar aquilo em que creio.
É apenas isso que desejo:
o direito de dizer isso é bom e me agrada; isso é ruim e me incomoda; o direito de ouvir qualquer música e o de calar o meu rádio; o direito de entrar em um museu e o de não entrar também. Quero o direito ao feio e ao bonito; ao religioso e ao profano, ao riso e ao pranto.
É somente isso que desejo: a liberdade do sim, a do não, a do quem sabe.
Não me impeçam de pensar. É disso que eu preciso. É por isso que luto.

segunda-feira, 7 de agosto de 2017

Retratos de Caio

Eu, no olhar do Jerri. Desenho feito na Feira do Livro de Canoas

Sobre prêmios

      Então, sábado foi noite de alegrias, noite especial. Estar entre afetos, receber o carinho dos afetos, perceber sua vibração, foi a certeza de estar construindo algo. E a noite foi especial também em virtude de meu livro "Cecília que amava Fernando", que já havia sido premiado com o Açorianos em 2015, ter recebido a distinção de Livro do Ano na Noite do Livro promovida pela AGES: Associação Gaúcha de Escritores. A história de Cecília, uma avó apaixonada pela poesia de Pessoa, e a de seu neto Bernardo, com quem possui uma relação bastante próxima e afetiva, conquistou dois troféus: melhor livro juvenil e livro mais votado. 

     Estou feliz.
     As premiações trazem para quem escreve uma certeza: a de estar fazendo relativamente bem aquilo a que se propões. Um prêmio, de certa forma, é como uma assinatura de qualidade a um trabalho criado a partir da emoção. Pois escrevi este livro na busca de captar a dor e a alegria presentes nos personagens que mergulham em uma despedida e que encontram forças de superação no afeto e na poesia. Assim, o troféu que me foi concedido pelos escritores gaúchos só me promove mais emoção.
     Claro que toda a premiação é subjetiva, já que os concorrentes eram autores e livros de qualidade. Todos. 
     E talvez, para quem lança histórias aos outros, o maior prêmio seja mesmo a certeza de ter leitores. São estes que concedem ao livro (e não as premiações) a possibilidade de ele viver, de ele conversar, de ele ser.
Que eu possa sempre experimentar estes dois tipos de premiações: ser reconhecido, ser lido.