segunda-feira, 14 de setembro de 2020

Palavras 44: Bolitas

 

BOLITAS: Arco-íris arredondando o chão do pátio, festa no coração de quem sempre é criança.

domingo, 13 de setembro de 2020

Escrever tem um tanto de ritual para alguns escritores. Para outros, tudo é acaso: nada de rotina, nada de planejamentos, só a imaginação cavalo solto e selvagem no solo fértil das palavras. O site LiteraturaRS tem realizado entrevistas com diferentes autores, a fim de divulgar diferentes fazeres: Jéferson Tenório, Eliane Marques, Débora Jardim, Antonio Schimeneck, entre outros. Abaixo, link para a entrevista que concedi ao Vitor Diel e ao Giovani Urio, 

https://literaturars.com.br/2020/08/10/minha-rotina-caio-riter/

Concurso literário Reinações 13 anos: a palavra e a imagem reabre inscrições.

 

REGULAMENTO

CONCURSO LITERÁRIO REINAÇÕES 13 ANOS: A PALAVRA E A IMAGEM

 

AVISO:

O presente concurso, que foi interrompido em virtude do quadro de pandemia, está retornando com novos critérios para envio dos textos. Todavia, os textos enviados antes da suspensão do concurso não precisam ser reenviados. Eles participarão da seleção normalmente.

 


1.  A Reinações: Confraria da Leitura de Literatura Infantojuvenil promove o Concurso Literário Reinações 13 anos: a palavra e a imagem, que visa despertar talentos literários e artísticos, promover a escrita e a ilustração de literatura infantojuvenil, além de celebrar os 13 anos de existência da Confraria Reinações.

 

2. Estão habilitadas a participar do concurso pessoas residentes no Rio Grande do Sul, com idade acima de 18 anos.

 

Obs.: É vedada a participação de membros da Comissão que organiza o concurso.

 

3. A participação no concurso, por meio do envio de textos, implica a concordância com todas as cláusulas deste regulamento.

 

4. Os textos deverão ser rigorosamente inéditos em veículos impressos.

 

5. O gênero do concurso é o miniconto.

 

5.1. Deverão ser inscritos textos narrativos, com no máximo 500 caracteres.

5.2. O miniconto deve ter como protagonista uma criança ou um(a) adolescente, caracterizando-se, assim, como texto voltado ao público infantil ou juvenil.

5.3. A temática do miniconto é livre.

 

6. Cada participante poderá inscrever-se por meio do envio de texto do gênero miniconto, devendo este ser digitado em espaço 1,5, utilizando fonte Arial 12, em folha A4, com margens de 2 cm.

 

6.1. Cada autor poderá inscrever quantos minicontos desejar, desde que obedeçam ao que rege este regulamento. Caso isso ocorra, cada conto deverá ser digitado e entregue em arquivo anexo.

 

7. É obrigatório o uso de pseudônimo, que deverá ser composto de no mínimo dois nomes e colocado no alto da primeira página de cada um dos textos inscritos. Caso o autor participe do concurso com mais de um texto, poderá enviá-lo anexados ao mesmo e-mail desde que obedeça ao que rege o item 8.

 

8. Acompanhando os textos (a serem enviados em documento word anexado ao e-mail) deverá constar outro documento em word, identificado com o titulo de FICHA DE INSCRIÇÃO, com os seguintes dados:

 

a) Nome do concurso

b) Pseudônimo composto (mais de um nome)

c) Nome completo

d) Endereço completo

e) Celular / Whatshap

f) E-mail

g) Data de nascimento

 

9. O prazo para as inscrições termina, impreterivelmente, em 30 de setembro de 2020. O e-mail com o(s) texto(s) concorrente(s) e a ficha de inscrição devem ser enviados para o e-mail: caioriter@gmail.com A data de inscrição será a do envio, sendo que, se for posterior a do prazo máximo para a inscrição, não será aceita.

 

10. O julgamento dos textos será realizado por uma comissão de três profissionais, de diferentes áreas da literatura, indicada pelos organizadores do concurso.

 

11. Os textos selecionados em número não superior a 10 participarão da Exposição Reinações 13 anos: a palavra e a imagem, organizada pela Confraria Reinações. A exposição será montada virtualmente e circulará durante o ano de 2021 por diferentes espaços culturais de Porto Alegre e do Rio Grande do Sul, dentro das possibilidades dos organizadores e dos critérios devido aos tempos de pandemia, sem qualquer ônus para os participantes. Como a exposição não terá fins lucrativos, os organizadores exoneram-se do pagamento de direitos autorais ou de qualquer outra forma de remuneração aos autores, além da garantia da presença de seu texto, que será ilustrado, nas diferentes edições da Exposição, que terá sua inauguração em Porto Alegre em data a ser marcada.

 

12. Não poderá figurar na exposição mais do que um texto de cada autor.

 

13. Da premiação:

 

13.1. Serão outorgados certificados a todos os selecionados, e estes terão seus textos expostos e ilustrados na Exposição Reinações 13 anos: a palavra e a imagem, não havendo qualquer ônus aos escritores selecionados.

 

13.2. Cada autor terá seu miniconto ilustrado bidimensionalmente por alunos do Instituto de Artes da Universidade Federal do RS, sob coordenação da professora e ilustradora Laura Castilhos, e, posteriormente, selecionados para compor, junto com os minicontos, a Exposição Reinações 13 Anos: a palavra e a imagem, comemorativa aos 13 anos de atividades da Reinações: Confraria da Leitura de Literatura Infantojuvenil. Destacamos que, de acordo com os protocolos determinados pelo Governo do Estado em virtude da pandemia, a exposição só será presencial, física, quando possível. Em primeiro momento, será organizada de forma virtual.

 

14. O resultado do concurso será divulgado em novembro de 2020 em evento online da Confraria Reinações.

 

15. Não haverá, em nenhuma hipótese, devolução dos textos concorrentes.

 

15. As decisões da comissão julgadora são irrecorríveis.

 

17. Os casos omissos neste regulamento serão resolvidos em conjunto pelos organizadores do concurso e pelos jurados.

 

18. Mais informações por meio da Página da Reinações no Facebook e, ainda, pelo  e-mail caioriter@gmail.com

 

Porto Alegre, 14 de setembro de 2020.

segunda-feira, 3 de agosto de 2020

A alegria do encontro de Taquarituba

          Estes tempos de isolamento físico não têm provocado isolamento social. Ao contrário. Creio que encontros que teriam muitos motivos para não ocorrerem (tempo, investimento financeiro, entre outros tantos dificultadores) abrem-se como possibilidade. 
        Então.
        No último dia de julho, pude trocar ideias, por quase duas horas, com os meus leitores de Taquarituba, cidade de São Paulo quase na divisa com o Paraná (foi a informação que o pessoal me passou, e fiquei sabendo que por vezes há bastante frio por lá, como havia no dia de nosso encontro). A ponte foi feita pela professora Juliete, que conheci graças a estes atalhos propostos pelas redes virtuais, atalhos que podem provocar muitos problemas, mas que também aproximam . Aí soube da vontade da professora de realizar um sonho: um encontro literário entre quem escreveu e quem leu o livro "O rapaz que não era de Liverpool", Edições SM. Ora, sonho tranquilo de ser realizado e eu, feliz, por saber ser o primeiro escritor a participar de um projeto tão desejado pela Juliete. 


Leitores do Centro Educacional de Taquarituba - Anglo

        Encontros com leitores são sempre, como costumo dizer, bom momento para eu mesmo compreender melhor aquilo que escrevo; eu mesmo perceber o que meus personagens podem provocar nos outros, quando deixam de ser apenas meus; eu mesmo me surpreendendo com os caminhos que um livro pode seguir. Enfim, respondi perguntas (o que é comum); falei sobre minha trajetória (o que também é comum); busquei pensar sobre minhas razões de escrita ao ser convidado a falar (o que também é bastante comum nestes encontros literários), mas, além disso, recebi um poema. 
           E um poema escrito por alguém para nós é sempre presente único. E, quando isso ocorre (algo não tão comum assim), penso que aquela pessoa que usou parte de seu tempo, de sua vida, para me dirigir palavras foi tocada por algo que fiz, por algo que escrevi e que se tornou livro, história, fantasia, verdade. A verdade tem seu tanto de espelho na ficção. Nestes momentos, me pego a pensar que escrever vale a pena, que saber-me lido é mágica das boas.
           Pois a Cassiana, aluna lá de Taquarituba, operou um destes momentos mágicos: não só escreveu um poema para mim, como também o leu e disse motivos para que o livro a tivesse tocado tanto. Foi momento de emoção: minha e dela. 


          Mas não só nossa. 
         Éramos muitos naquele encontro virtual. Éramos vários e, naquele momento, apenas um, estávamos ligados pela sinergia da emoção de uma adolescente que se fazia palavra poética como dádiva de leitura, de leitora, de autora também.
          E foi bom.

sexta-feira, 31 de julho de 2020

Sobre pontes e gigantes


           Quando escrevo, jamais sei que rumos as histórias e poemas que criei irão tomar. Por vezes, nem sei se virarão livros. Sempre, meu primeiro desejo, é de que possam dar conta para outras pessoas da emoção que me proporcionaram no próprio ato da escrita. Escrever (pelo menos para mim) tem disso: uma tanto de emoção; outro tanto de trabalho com as palavras, a fim de que elas possam ser ponte entre mim e o outro.


            Este ano (ano tão atípico, em que o isolamento físico faz com que tenhamos que nos manter atentos, fortes e em casa, verdadeiros gigantes, mesmo sendo pequenos em idade) sou o autor homenageado pela Escola Projeto. E isso foi oásis nestes tempos que ainda nos assopram ventos sombrios.
Poder ser troca, poder ser contato (mesmo que virtual) com meus leitores sempre é motivo de alegria, de brilho no olhar, de descoberta daquilo que meus textos provocaram em quem me leu, em quem mergulhou nos universos criados por mim. Assim, me agiganto, me multiplico, sou um e vários, já que meus mundos literários passam a ser habitados também pela emoção de quem me leu.
            Nos dias em que encontrei meus pequenos leitores - tendo como barreira e, ao mesmo tempo, como portal, nossas telas virtuais -, tudo foi bastante mágico, tudo pôde me trazer um pouco de volta o Caio-menino, o Caio-guri, que se encantava com as brincadeiras que a palavra e a imaginação podiam (e seguem podendo) promover. Ri bastante, me inquietei também na busca de respostas às indagações que me eram feitas. Encontros como os que tivemos (eu e as crianças da Projeto) me mostraram, mais uma vez, que é possível  sonhar com um mundo de novas gentes: gentes que se encantam com as palavras, que amam desvendar os territórios tão sedutores da imaginação. Gentes que, apesar da pouca idade, são gigantes na arte de desvendar a alegria e a energia boa que a arte pode provocar.
            Rimos, brincamos, sonhamos, trocamos ideias e emoções, nos agigantamos, fomos ponte uns para os outros. E isso foi muito bom.
            Tomara que, quando o vírus for vencido, possamos nos abraçar, possamos trocar olhares e palavras sem outro véu que não apenas aquele da fantasia que as palavras literárias sabem tão bem tecer.
            Um grande beijo em cada um dos meus leitores e das minhas leitoras que frequentam este espaço de saber tão bacana que é a Projeto. Sejam sempre gigantes a estender pontes de afetos ao outro.

Texto escrito originalmente para a Escola Projeto. 

quinta-feira, 18 de junho de 2020

Escrita em tempos de pandemia.


           No início do isolamento, este tempo de não tempo me desorganizou bastante e me fez crer que as palavras estavam apartadas de mim. A concentração necessária para dar voz a novos personagens parecia algo raro. No entanto, nas últimas semanas, as palavras permitiram proximidades novamente. Acabei retomando projetos que estavam em latência: finalizei um novo texto infantil, em prosa poética, “Dois pinguins no deserto”, e me envolvi com a revisão de dois textos inéditos, “O sobrevivente”, uma novela para adolescentes, que escrevi de forma manuscrita, já que pediu postura mais visceral no próprio ato de escrever.  Também retomei um projeto de romance, “Maré”, o drama de um pai à procura de um provável filho.
                                                  Fernanda Costa-ZH

Porém, o que mais tem me encantado é a produção de um texto a muitas mãos. Se escrever sozinho é desafiante, criar a partir de diferentes olhares e desejos abre um universo instigante na relação com as palavras, além de, neste tempo de fechamento, promover a abertura ao outro, à subjetividade do outro, aos recursos literários do outro. O ato egoísta da escrita precisa render-se a vontades já não apenas minhas. Assim, o livro que está surgindo, ainda sem título, terá autoria múltipla e tem como mote um evento surreal, que aprisiona algumas pessoas no interior do prédio em que moram. Fazem parte do grupo Seis + 1, além de mim, o Alexandre Brito, o Antônio Schimeneck, o Christian David, a Gláucia de Souza e a Laura Castilhos.

Este texto foi escrito para ZH Virtual. Doze escritores falaram de seu dia a dia de escrita em meio a este tempo de isolamento social. 

domingo, 31 de maio de 2020

Isolados

        Pensei que estes tempos de isolamento pudessem ser muito produtivos. Estar em casa seria momento para dar conta de projetos pensados, projetos em andamento ou até mesmo para revisões em projetos de escrita já prontos.
          Mas não.
         Vivo um tempo não tempo. Um tempo que passa rápido e que me ocupa com coisas que até então não me ocupavam tanto: a preparação de aulas exige mais, bem mais; a oficina literária é agora online, as lives e os encontros em alguma plataforma virtual (e como há) abundam, o whats o tempo todo repleto de mensagens. A vida está exigindo outra organização, outro modo de olhar para ela. 
           E muitos só a veem pela janela.
          A casa, aquela que até então para muitos era apenas passagem ou dormitório, passa agora a ser território que se oferece ao visitante. Tornamo-nos turista de espaço que julgávamos conhecido e vamos descobrindo (ou redescobrindo) nosso próprio canto. Se a vida exigirá de nós outro olhar, nossa casa também se oferece como novidade.
         Como sairemos disso tudo é difícil responder. Uns afirmam que seremos melhores; mais cuidadosos com o outro, capazes de ressignificarmos a vida. Não sei. Na verdade, duvido um pouco. Ou muito. Ao ver tantas pessoas desrespeitando o isolamento, tanta gente sem máscaras nas ruas, uma multidão a não cuidar o afastamento social, me torno Tomé. E aí parece ecoar aquela frase clichê de que a humanidade não deu certo. 
           Não desejaria o pessimismo, mas uma tristeza enorme me toma ao olhar para o Brasil, ao olhar para os rumos que a política tomou ao eleger pessoas desqualificadas não só para a vida social, como para ditar os caminhos para uma Nação.