quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Que venha 2010!

Mais um ano finda, ano bom, cheio de atividades e de bons projetos. 2010 acena com outras tantas possibilidades, e a vida vai se fazendo mesmo de ciclos, a necessidade de cada vez mais lançarmos metas, buscarmos sonhos, arquitetarmos palavras.
Muito andei pelo RS (algumas vezes também fora dele). E não quero que este post seja um elenco do feito. Mas dia 10 de dezembro encerrei atividades em escolas, visitando o Colégio Mario Quintana, em Pelotas. (foto de Paulo Rossi)

No link que segue há matéria jornalística sobre minha visita.

http://www.diariopopular.com.br/site/content/noticias/detalhe.php?id=3&noticia=10412

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Quinze anos

14 de dezembro de 1994: lançamento de meu primeiro livro. O infantil Um palito diferente, publicação da editora Interpretavida, na Casa de Cultura Mario Quintana. Emoção muita. Minha história ali, virada livro, meus personagens prontos para ganhar os leitores e eu desejoso de mais livros pudessem vir após aquele.

Ontem, 14 de dezembro de 2009: no Teatro Renascença, na Noite do Livro, comemoro os 15 anos com o Açorianos de melhor livro infantil para minha coleção Historinhas bem... Autoria dupla, surgida do convite da Márcia Leite. Parceria vencedora.

E não posso deixar de olhar para trás, de perceber que a espera e o trabalho, de certa forma, deram frutos. Hoje, algumas editoras, muitos livros. Para os mais diferentes públicos. Mas a primeira vez que um texto meu, feito para crianças, recebe destaque da crítica. Fico feliz. Bem feliz. A coleção Historinhas bem — composta por quatro diferentes títulos: apaixonadas, assustadoras, asquerosas, medrosas — também tem feito trajetória bacana rumo ao coração dos leitores. Legal também ontem poder compartilhar alegria com pessoas que me têm afeto. Essa talvez a maior premiação: poder agregar parcerias pela vida a fora.

Os premiados

(Foto: Ricardo Chaves/Zero Hora)

Abaixo link com matéria da Zero Hora sobre a Noite do Livro: http://zerohora.clicrbs.com.br/zerohora/jsp/default2.jsp?uf=1&local=1&source=a2749561.xml&template=3898.dwt&edition=13731&section=999

domingo, 13 de dezembro de 2009

Caio Leitor 13: O hobbit e mais alguns

Leituras sempre têm seu tanto de subjetividade. Difícil mesmo é passar sem ler. Ando com vários livros começados à espera de um tempo maior para que a completude se faça. Alguns esperam mais, outros menos. No momento, concluí O hobbit, do J.R.R.Tolkien. Livro fundante do que se convencionou chamar de alta fantasia. O autor cria um universo repleto de seres fantásticos, um mundo à parte, um universo que se sustenta a partir da palavra fundadora. Confesso que não foi leitura das mais prazerosas, leitura realizada com o intuito do debate no 32º encontro da Reinações (Vida longa a ela!), leitura meio lenta em virtude das constantes descrições, talvez com o objetivo maior do autor de construir com maior concretude seu mundo mítico. Mas há momento bons. Bons não, muito bons no que diz respeito ao fascínio que um texto literário pode provocar em seu leitor. Li com prazer o encontro do protagonista com o "espelhado" Gollum. Ecos de Édipo em seu conflito com a Esfinge (Decifra-me ou te devoro): o jogo de adivinhas e suas possíveis respostas como condição essencial para a permanência da vida. Vivemos assim mesmo: prontos a dar respostas, sendo desafiados o tempo todo a desvendar enigmas. No fim, livro que vale a pena ser lido.
E me envolvo com outras leituras também: Reparação, de Ian McEwan, Precisamos falar sobre o Kevin, de Lionel Shriver, O fio das missangas, de Mia Couto e, ainda, A paixão pelos livros (texto de ensaios e contos em que a relação com os livros é revelada por diferentes autores, desde filósofos até escritores, quer narradores, quer poetas).

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Noite do Livro


quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Caio cronista 6: Ler: para que mesmo?

LER: PARA QUE MESMO?
Caio Riter

Uma criança sem livros é o prenúncio de um tempo sem idéias
Maria Dinorah

A pergunta-título parece desnecessária. É claro que conhecemos sua resposta: ler para socializar, para desenvolver a sensibilidade, a criatividade, a imaginação criadora, a compreensão do mundo, a competência lingüística. Afinal, diz o senso comum, a leitura ensina a escrever. Inexiste um bom conhecedor da língua que não seja leitor. Assim, leitura e escrita se interpenetram. Professor que quer ensinar a escrever, deve antes ensinar a ler.
Até aí, tudo bem. O problema é que a atividade da leitura na escola, na maioria das vezes, tem-se baseado em alguns pré-conceitos. O maior deles é que ler é prazer. Só prazer. Destituído de qualquer atividade intelectual. Pensar assim, parece-me perigoso, pois reforça uma postura de lazer em relação à leitura, sendo que lazer, convenhamos, varia conforme o “gosto do freguês”. Outro senão é que, geralmente, no ensino fundamental, a leitura é uma atividade, com exceção de algumas iluminadas famílias, essencialmente escolar. Ler livros passa a ser atividade da “hora do conto”, momento em que um professor “especializado” faz uma rodinha, lê algum texto e propõe algumas atividades lúdicas que, muitas vezes, não tem nada a ver com o que está sendo realizado em sala de aula. Por exemplo: desenhar a parte do livro que chamou a atenção ou, ainda, inventar um outro final para a história.
Tal postura, apesar de muitas vezes bem intencionada, pode levar a criança a concluir que existe um espaço reservado para o livro: o educacional. É na escola, com a profe da hora do conto, que se lê “livrinhos”; em casa o lazer ou o prazer pode se dar de outras formas. As mais comuns: televisão, jogos eletrônicos, computador, skate. Ora, tal concepção, longe de formar leitores, cria esferas próprias para a leitura. E, creio, não adianta o professor dizer para seus alunos como é bom deitar-se com um livro ao lado e mergulhar num mundo desconhecido, abrindo mente e coração para a fantasia do universo que se descortina. Neste caso, parece-me, a fala não basta. Carecemos de atos e de exemplos.
O que quero dizer, enfim, é que lugar de livro não é só na escola. Não deve ser. Defendo a indicação de leituras extraclasse, defendo o resgate de textos clássicos da literatura universal, defendo a realização de um trabalho fruitivo-intelectual com os textos indicados, assegurando a consciência de que o livro traz prazer, mas traz também conhecimento; e que a minha casa é também lugar de livro. Leio em casa, na escola, no lotação, na praia, em qualquer lugar. Leio porque sei que a leitura é caminho para meu crescimento cognitivo e social. Leio porque tenho livros à minha disposição, aos montes. Quer na escola, nas bibliotecas, em casa: local em que, ano após ano, vou, assessorado e motivado por meus professores, criando minha biblioteca particular. Afinal, a leitura de um bom livro não é atividade única ou isolada. É retorno, é releitura e motivo para novas descobertas. Enfim, como diz Marly Amarilha, “que a busca por livros não seja um hábito apenas, pois já nos ensina a cultura popular que o hábito não faz o monge, mas que seja o encontro de um leitor com o seu tempo interior, no interior de uma biblioteca”.
E que bom se essa biblioteca for sua, resultado de seu crescimento como leitor. Para tal, a partir do momento em que a criança é capaz de decodificar o código lingüístico, a indicação e cobrança de leituras extraclasse é fundamental e deve ser encarada como uma das prioridades para a formação de um leitor crítico e permanente.

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Um livro para professores

Pois é, aconteceu em minha vida de escrita o que vinha, de certa forma sendo soprado em meu ouvido há certo tempo. Mas negado: a escrita de um livro para professores. Na verdade, não é bem livro no sentido didático do termo. Não teço grandes teorias. Não uso linguagem acadêmica, naquela linha de usar palavras inacessíveis ao leitor comum ou termos especializados. Procurei escrever um livro que, como os de literatura, pudesse suscitar desejo de leitura, pudesse ser prazeroso e, ao mesmo tempo, suscitar algumas indagações. Queria escrever um livro que fosse gostoso de ler e que, ao mesmo tempo, pudesse ter uma discussão consistente. Discussão nascida não da teorização acadêmica, mas da experiência, da vida, do contato com livros em casa e na sala de aula. Assim surgiu A formação do leitor literário em casa e na escola. Livro nascido de um convite que a Eny Maia, editora da Biruta, me fez. Mais desafio do que convite. E eu, meio quixotesco, sem saber se teria condições de dar conta do recado, aceitei. Na Biruta, também publiquei o Meu pai não mora mais aqui, livro que me tem trazido alegrias muitas, quer pelo olhar positivo da crítica especializada que o tem feito participar de vários concursos literários, quer pelo retorno de leitores de todo o país, graças à sua indicação ao PNBE (Prova, aliás, de que a gurizada tá fazendo uso dos livros que o Governo Federal tem destinado às bibliotecas escolares).
Pois foi assim: a Eny convidou, cutucou, e eu aceitei o cutuco.
Escrevi um livro que quer dialogar, numa linguagem simples, com os professores. Livro que quer ser troca de experiências entre pessoas que curtem a leitura e que acreditam nela como fator de transformação. Dessa forma, optei em dividir o livro em três grandes momentos: minha experiência de leitura (como fui me transformando em leitor), minha experiência como pai que pretendia ter filhas leitoras e minha experiência como professor na formação de alunos-leitores. Há experiência, há reflexão construída a partir dos tantos anos de sala de aula e das tantas palestras, oficinas, e etc, que tenho realizado, há busca de apoio teórico, há sugestão de metodologia. Há.
Espero que esse livro possa ser carinho no coração de cada professor ao mergulhar em suas páginas (o que significará, também, mergulhar um pouco em minha vida). E logo logo ele estará por aí.

Outras Palavras 16 - Orígenes Lessa

Eu parto da fagulha inicial e o que acontece é que, quando a coisa pega fogo, começam a chegar ideias novas e fatos por explodir, que vou anotando às carreiras, para não perder a embalada,mas nem sempre volto a essas anotações, mesmo porque elas vão sendo superadas pelo qua vai acontecento... Eu reescrevo sempre, não há linha no mundo que não possa ser melhorada.