quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

Maria na janela; Patinhos na lagoa

2013, é certo, acrescentará à minha história de escrita mais dois livros infantis. Cada um com sua trajetória, ambos amparados pelo selo da Editora Biruta, da minha querida Eny Maia, parceria que tem conquistado alguns destaques e alguns PNBEs. Isso é bom. Sempre. Quando há sintonia entre o querer do autor e o do editor, o resultado são livros lindos, prontos para serem degustados, saboreados, por leitores de todas as idades. O bom livro infantil, já disse Orígenes Lessa, é aquele que, quando lido por um adulto, provoca-lhes encantamentos. E isso que creio desejar ao lançar novo livro: que seja capaz de trazer um tanto de encanto para aquele que abri-lo. Escrever é possibilidade de encontro, sempre. E vem aí, Sete patinhos na lagoa, com ilustrações de Laurent Cardon, que quer brincar com as palavras, quer provocar alegria, retomando as narrativas-poéticas de acúmulo. Já Maria e seu sorriso na janela, com ilustrações de Rafa Anton, pretende discutir um tema mais pesado, a morte, de forma leve, tênue, poética. Afinal, a vida é, independente de idade, conviver constante com seus paradoxismos. E se é bom escrever, melhor ainda ver que meus textos encontraram guarida num selo editorial e agora são pássaros que traçaram seus voos. Voos que espero certeiros, diretos ao coração de mais e mais leitores.
 
Ilustração de Rafa Anton, para Maria e seu sorriso na janela

domingo, 23 de dezembro de 2012

Alice mora em mim

Há cem anos antes de eu nascer, Lewis Carrol arquitetou uma trama nonsense que me encanta por demais. O que faz, afinal, com que um determinado livro se tatue em nossa alma leitora para sempre? Diferentes são os caminhos da paixão literária, creio. Assim, não me perco em elocubrações para definir o que imprimiu as tintas de "Alice no país das maravilhas" em mim. Amo, apenas. Assim, sem nada de entendimento, que o amor não carece mesmo de compreensão. E amo tanto que a presença de Alice já virou coleção com 47 diferentes publicações. Muitas delas ganhas de amigos que andam circulando pelo mundo e que me enviam Alices nas mais diferentes línguas.
Pois Alice faz 150 anos. E sua magia, e seu encantamento seguem vivos, seguem desejosos de mais e mais leitores. Obra viva, sempre viva em mim.
 

Minhas Alices

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Duas Dores

Nas andanças literárias (e nem sempre literárias), olhos alçando céus, vou me deparando com torres e mais torres. Igrejas me encantam. Encantamento que tem a ver com a infância e também com o que esses espaços propiciam de reflexão, de momento para que se possa se voltar para dentro de mim mesmo. Gosto disso, gosto de enveredar pelos corredores, sobretudo se o templo está vazio. Olhos sempre buscando imagens, por vezes mergulhos em outros tempos. Pois nessas andanças, encontro duas Dores: aquela que tanto amo, em Porto Alegre, e uma outra em Sentinela do Sul. Duas igrejas, uma mesma homenagem.
 
Igreja das Dores, Sentinela do Sul
 
Igreja das Dores, em Porto Alegre
 

Sobre o escrever 8


Não gosto de muito hermetismo na linguagem, quando o autor se propõe narrar. A estética não pode nublar a narração. Algo que muito se vê hoje. A narrativa precisa saber contar uma boa história de forma esteticamente elaborada. Mas, enfim, uma trama. A história tem que estar ali, atuando com seus claros e escuros, mas ali, prenhe de significações para o leitor: a fábula não se esconde, não é assassinada pela linguagem que a devia vivificar. Deixemos as metáforas enigmáticas para a poesia. Esta sim tem liberdade maior para captar estados da alma.
 
 

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Não sei

Não sei direito o que acontece. O certo é que nada é certo, talvez por isso brinquemos de que um dia o mundo possa acabar, assim como os afetos se esfumaçam, as mãos se afastam, as palavras ditas ecoam no vazio. Mas, quem sabe, algo fique: a memória do que poderia ter sido. Essa a dor maior, afinal o que foi é sabido; já o não acontecido sempre reverberá mistérios.

domingo, 16 de dezembro de 2012

As surpresas do sábado

E o sábado foi fechar de semana, fechar de ciclo. Com ele, seu tanto de ausência, seu outro tanto de surpresas: o abraço de um amigo, o telefonema de um afeto, a palavra repleta de poesia, a promessa bem urgente de algo mais, a filha que bate asas ao encontro do amado. A vida é mesmo (e só) possibilidades.
Pois foi-se o sábado como vão as lágrimas. Outras virão; outros sábados também. Hoje é domingo. E isso parece ser bom

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

A esperança da sexta

A sexta veio! É quatorze, não treze. Sextas 13, dizem, atraem coisas não boas, atraem seres de mundos outros. Já as 14 não sei o que trazem, contra quem conjuram. Apenas sei que agora, bem próximo das 18, esta (que é 14, não 13) traz promessas, esperanças: traz o canto de um pássaro lá fora, traz o sonho de uma adolescente lá na sala, traz o encontro com muitos jovens e crianças leitoras, traz o desejo de me verter em palavras.
E que estas palavras sexta-feirinas, mesmo mergulhadas na dor do viver, possam ser broto verde, daqueles que enchem a gente de sonho e do desejo de mais e mais amor.
A sexta veio. Mas partirá, eu sei. E, mesmo assim, não trago o coração desesperançado.

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

As línguas da quinta

Era uma vez uma quinta-feira: quinta nem tão igual como as tantas outras já sumidas no tempo; quinta que sempre imporá lembranças não queridas; quinta que será para sempre.
Era uma vez uma quinta-feira, e ela veio como todas as outras, em pingos de chuva, arremedo das lágrimas vertidas, sentidas, incontinentis.
Era uma vez uma quinta-feira: quinta de possibilidade de afetos; quinta que, embora tenha trazido adeus, trouxe também encontros.
No tempo do era uma vez, toda a quinta será memória do tempo em que aquele que se foi era herói e seu cavalo falava toda e qualquer língua.

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

O vazio da quarta

A quarta.
A quarta trouxe a perda, foi-se no se fazendo ausência e, por criar vazio, será sempre lembrança e lágrima. A quarta.
Há dias que se perpetuam na memória, quer por serem remédio amargo, dor profunda, alegria desmedida. Mas sempre e, apenas, agora, lembrança.
E lembranças não preenchem faltas.
A quarta morre.

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

A desesperança da terça

E a terça-feira foi devorada também. Um sopro de amanhã jogou-se sobre ela, sopro que arvorou desesperança, que arquitetou amanhãs cuja força esmorece.
A terça foi sugada pelo tempo. E deixou atrás de si um tanto de dor, um tanto de lágrima, outro tanto de adeus.

As águas da segunda

E a segunda também se foi.
Foi-se como as águas de um mesmo rio a enganar com sua inexistente constância. Sempre outras; outras águas sempre. O que fica, afinal, (se é que algo se perpetua) no repetitivo fluir do rio é apenas a memória do surpreendido: um reflexo fugido do sol; um agito de peixe ou de sereia; o leve ondular de uma folha órfã de árvore; uma mão estendida ao náufrago.
Apenas nem sempre é menos.

domingo, 9 de dezembro de 2012

As pombas do domingo

Vai-se um domingo, como vão-se as pombas do pombal. O voo é lindo, no entanto deflagra uma ausência de arrulhos.
Ficamos, pois, inertes a observar o momento que passa, sem outra opção que não apenas tentar guardá-lo como lembrança. E esse ir é constante, sempre e sempre. Vamos nos enganando, fingindo não ver a ruga que marca o tempo no rosto, a neve que tinge um e outro fio de cabelo, o corpo que já não tem o viço de antes. Seguimos em frente, porque nada mais resta mesmo senão seguir. Guiados pela mera ilusão de que somos senhores do tempo.

sábado, 1 de dezembro de 2012

Sobre a escrita 7

Escrevo. É o único jeito que conheço para tentar me conhecer. Todavia, por vezes, as palavras não dão conta do que vai no dentro de mim. Daí, o que fazer? Silenciá-las? Amordaçá-las? Fingir que o desejo de verbalizá-las inexiste? Nem sempre palavras são sintonia entre o que querem construir e a capacidade para tal construção. Palavras, por vezes, podem ser forma de afastar aquilo que se queria perto. Nem sempre aproximação. Escrevo.  - Caio Riter

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Crônica: Pernas e pés


Bastava equilíbrio.
           Eram dois pedaços de pau, compridos e fortes. Pregado, mais ou menos no meio, um pequeno pedaço de madeira que servia de suporte para os pés. Construção caseira, as pernas-de-pau eram capazes de transformar aqueles pequenos homens que éramos em gigantes. E os guris saíam caminhando pelas ruas, aos gritos e risos, numa verdadeira procissão de estranhos seres. Passos de pau a executarem um batuque desconexo e fora de ritmo pelas pedras das calçadas. Meu irmão maior ia na frente, comandando o bando com suas pernas-de-pau.
            E eu os via partir. Iam em festa. Sentado no cordão da calçada, ficava apenas a olhá-los, a vê-los sumirem em alguma esquina ou na distância. Não que eu não tivesse pernas. Tinha-as, mas não estava em mim a possibilidade do equilíbrio, da força que me parecia necessária para o primeiro passo.
            Quando eles sumiam, eu repetia o ritual, tão observado neles. Apoiava as pernas-de-pau no muro, sentava-me sobre elas, colocava os pés nos pedaços de madeira. Cada braço abraçava uma das pernas: um leve impulso me afastava do muro e eu ficava suspenso do solo num tosco equilíbrio sobre as pernas, tentativa inútil de passo, que me obrigava a pular para o chão, pernas-de-pau atiradas uma para cada lado.
            Quantas vezes tentei? Nem lembro. Também não lembro como descobri uma forma de acompanhar o cortejo equilibrista. Ora, se não conseguia domar as pernas, restavam-me os pés.
Pés-de-lata.
           Duas latas de mesmo tamanho, dois pregos e um forte cordão eram os materiais necessários. Um furo no fundo de cada lata, por onde cada ponta do cordão passava e depois eram amarradas nos pregos que serviam de trava. Segurava-se o barbante no meio, subia-se descalço sobre as latas, os dedos apertando o cordão, e pronto: as latas aderiam feito chinelos havaianas em meus pés.
            E nem bem a gurizada montava nas pernas-de-pau, eu já subia em meus pés-de-lata e, juntos, saíamos pelas ruas num passo ritmado, marcado pelo som fechado das madeiras sobre as lajes e paralelepípedos e pelo som metálico dos meus novos pés.

           

sexta-feira, 23 de novembro de 2012

Palavras 34


TEMPO -  Sempre ele, a nos devorar, fera sedenta, sem piedade. Nós, os títeres, na luta, quase insana, de nos fazermos perenes. E, creio, só há possibilidade de eternidade mesmo é no coração de quem nos ama.

sexta-feira, 16 de novembro de 2012

Os túneis da igreja de Viamão

A igreja matriz de Viamão, Nossa Senhora da Conceição, é a primeira (não sei se única) igreja-forte do Brasil. Contam que, em tempos de guerra, quando a cidade era a capital da província, suas pesadas portas eram fechadas e a população ficava protegida (claro que não devia ser toda a população, né? Talvez os mais afortunados, apenas). Pois, quando estive em Viamão, certa vez me contaram a lenda dos túneis que atravessam a cidade. Dizem que eles partem da igreja. Que há uma passagem secreta e por ela os revolucionários saíam escondidos, e mergulhavam nos túneis, que desembocavam nas fontes espalhadas pela cidade. Lenda, apenas lendas. Ou não.


O fato é que visitar Viamão gerou o texto "Cinco enigmas, um tesouro", que participou do Projeto Livros na Mão, coordenado pela escritora (e amiga) Marô Barbieri, e que no momento ainda não está comprometido com nenhuma editora. Vai um trechinho aí pra quem é curioso:


1.    O sonho

Um raio estoura lá para os lados dos charcos de Tarumã. O cavalo empina, talvez pelo ruído do trovão, talvez pela chuva forte, gotas quase lâminas a machucarem seu pelo. Gotas que também ferem o rosto do cavaleiro, que segura as rédeas firmes e toca o animal em direção à igreja. Aquele é seu destino, lá estará seguro para fazer o que deve fazer.

Noite escura, céu todo fechado pelas grossas nuvens que desabam sobre Viamão. O homem açoita o cavalo. Coração disparado, aperta contra o peito um pacote. Nem sombra de gente alguma nas ruas de pedra. Quem afinal seria louco de sair do aconchego dos cobertores numa noite fria como aquela? Quem além dele? Somente aqueles que o perseguem: os homens do Serapião.

Chega à praça, olha para trás, para os lados: ninguém. O padre, àquela hora, deve estar no segundo sono. Melhor assim. Nada de testemunhas. Nada.

Desce do cavalo, bate em seu lombo para que ele se vá, para que suma pelas ruas da cidade. Que seus perseguidores se vão atrás do animal e se esqueçam dele ali na Igreja de N.Srª da Conceição.

Empurra a porta da igreja-fortaleza, entra. Fecha a pesada porta atrás de si e o frio gélido do prédio santo o faz arrepiar-se. Benze-se, caminha até o altar. Um raio explode no céu e ilumina a nave em tons coloridos, filtrados pelos vitrais. A porta da igreja abre-se com um estrondo. O homem volta-se, deixa o pacote que traz cair ao chão. O peso do que ele contém lasca o piso, deixa uma marca funda.

Teme.

Mas é apenas o vento. Apenas ele. Segue em direção ao altar, não sem antes pegar o pacote. Sabe o que tem que fazer.


Multiplicações

Eu, multiplicado na visão de meus leitores. Acabo sendo muitos, e um só. Na verdade, talvez tenhamos lá outros que habitam em nós. Pro bem, pro mal.

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Caio e os escritores: encontro com Mia

Há, creio, uma aura que aproxima leitor e escritor. Pelo menos comigo é assim. Há autores cuja escrita é sempre convite, há autores cujas palavras se tornam necessidade de encontro, há autores que fico desejando conhecer. Porém, em certos momentos, a escrita não condiz com a pessoa e a decepção pode ser motivo de afastamento, dizem alguns. Eu sempre quero acreditar que não. Pelo menos não com os autores de que gosto.
Pois novembro me brindou com um encontro inesperado.


Quando soube que o autor moçambicano Mia Couto estaria em Porto Alegre, na Feira do Livro, pensei que, com certeza, iria ouvi-lo falar. Afinal, a estética de sua escrita, os mundo urdidos por ele são de fascínio aprisionante. Uma vez degustado, o desejo de quero mais se faz presente. Assim, é bom. Assim, é que a literatura de alguém se prende em nós, se tatua em nossa alma. Pois a promessa de encontro com Mia foi além de um mero assistir a uma palestra. Abro e-mail e a querida Cleonice Bourcheid, poeta que encanta, me convida para um jantar em que receberia Mia Couto.
Meu aceite, é óbvio, não demorou mais que o tempo para digitar a resposta.
E no dia 10, lá estava eu, de longe, observando o escritor de tantas palavras desacomodadoras. E a aproximação provável se deu; e as palavras foram trocadas; e o mergulho em nossas arquiteturas literárias foram trocadas (eu aproveitando para saber os caminhos de Mia em sua criação); e um livro foi autografado; e o pedido de que eu autografasse um meu para ele também. Tudo momento de entendimento e de confirmação de que, por trás do escritor incensado pela mídia e pela academia, existe um homem. Um homem humano. Nada de vaidade ou de estrelismo. Ele mesmo afirmando que tudo o que tem para dizer está nos seus livros; eles é que valem.
Gostei de ter estado com Mia Couto. Gostei do homem, assim como gosto do escritor. E isso foi bom.

domingo, 14 de outubro de 2012

A catedral de Antônio

             Entre livros, lá em Antônio Prado, me deparei com a catedral da cidade, retrato parado no tempo. No dentro também, caminhar por corredores repletos de imagens sacras foi mergulho no pretérito não vivido. A catedral, majestosa, torre lançadas ao céu de poucas nuvens.


Fragmentos literários 7

                                Os nomes, de Benhur Bortolotto


Porque não se pode almoçar num lugar como este, e olhou para o restaurante mais uma vez, mas lá sim. E não percebeu que estava lamentando a indignidade que a sobrevivência impõe aos seres humanos, e sua própria indignidade, que Lígia não deveria, de forma alguma contemplar. Vestiu-se de carne e pele em fantasia de gestos.

(pag. 43, Editora Proa, 2012)

sábado, 13 de outubro de 2012

Vicente vem vindo.

Há muito escrevi Vicente em Palavras. Não lembro mais em que ano sua história recebeu o ponto final. Depois, o envio a editoras que, em via de regra, diziam ser o tema pesado: a história de vida de um adolescente morto. E sua existência vai sendo apresentada ao leitor através das pessoas que conviveram com ele e que vão nos revelando, afinal, quem era Vicente, alguém que, agora, só pode existir a partir dos discursos, das palavras de quem o conheceu, de quem conviveu com ele. Proposta ousada que encontrou este ano guarida na Editora Lê, de Belo Horizonte-MG. E logo-logo, Vicente em Palavras estará disponível para quem quiser mergulhar na sua dor. Abaixo, um fragmento do início do livro.


Palavras do Henrique, o irmão mais velho — 1
 
 

            Te olho aí deitado, mano. Parece mentira. Todo o mundo chora, nossa mãe tá desesperada e eu quero chorar também, quero, mas fico pensando em ti e já nem sei direito se essa dor que sinto é dor de morte ou é alívio. Tu sempre foi o mais alegre, o mais esperto, o mais bonito, o mais namorador, o mais baladeiro, e eu ficava querendo ser tu. Tudo errado, tudo invertido. O irmão mais moço é que tem que admirar o mais velho. Com a gente, não foi assim. Sempre eu te espiando, eu te imitando no sozinho do quarto, eu tendo que ouvir das minhas colegas de aula o tanto de admiração que elas tinham por ti. Ficavam dizendo: O teu irmão é um gato. Mas, agora, um gato morto. Acidente fatal. Quem mandou ficar querendo se aparecer? Quem mandou ficar fazendo manobras radicais no skate? Quem? Agora tu tá morto, mano, e eu tô vivo. Eu, com meus óculos, com minha magreza, com minha timidez, com meu sorriso sem graça. Eu tô vivo e sou, de novo, filho único.
 
 
 

Fragmento do diário de Natália no dia do evento — 1
 
 
 
 

            É difícil. Bem difícil. O Vico lá e eu sem coragem de dar um beijo nele. Coisa mais maluca. Difícil de acreditar mesmo. O cheiro das flores. Eu até que gosto de flores. O calor insuportável de março. Bom pra ir pra praia. Não pra isso. Pra isso não. Os amigos em volta do caixão. O desespero da Marta. O meu namorado lá deitado. No rosto, a brancura dos mortos. Um beijo. Só um. Não tive coragem

 

sábado, 29 de setembro de 2012

Retratos de Caio 17

Na 12ª Feira de Torres, da qual fui patrono, havia uma galeria de escritores. Todos traçados pelo PH. Mais um olhar sobre mim.

 

Retratos de Caio 16

Bah, a gente está ali, mergulhado nos casos proibitivos de crase ou discutindo onde se vai pôr o pronome oblíquo átono e, quando vemos, viramos figura de papel. Olha eu aí no traço do querido Pedro Cardoso.

domingo, 23 de setembro de 2012

A das Dores

Muito se fala da Igreja, cujas torres foram amaldiçoadas pelo Josino. Linda, no alto de suas escadarias, ela meio que observa a cidade, o rio, as gentes que transitam pra lá e pra cá pela Rua da Praia. Hoje, num encontro inusitado, ela se mostrou a mim por outro ângulo. Vi-a de costas, da Riachuelo, enquanto buscava o sol num fim de domingo. A Igreja das Dores, a mais linda de Porto Alegre.

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Na lista do Jabuti

Para quem escreve (pelo menos comigo é assim), quando o nome de um livro aparece em uma lista de finalistas, a felicidade se instala. Sobretudo quando o prêmio se trata do Jabuti, um dos mais tradicionais do país. Em 2009, também estive por lá, com meu livro Meu pai não mora mais aqui, da Editora Biruta. Agora, é a vez de A filha das sombras (Editora Edelbra), lançado ano passado e que conta a história da Dora. Uma jovem que se vê imersa numa vida trágica, desde o nascimento.


Criar a história da Dora, misturar elementos da literatura fantástica com aspectos de intimismo, foi fascínio. Mergulho num mundo que se me foi revelando, aos poucos: ele e seus personagens de sonho e de real, na busca de construir uma atmosfera nonsense.

Enfim, bom estar entre nomes ilustres da literatura brasileira. Bom ser um dos finalistas. Bom.

sábado, 15 de setembro de 2012

Às vezes, me faço crônica e chovo.


Chuva no dentro
 
 
 

Somos, acho mesmo, seres de saudades. Vamos fazendo-nos gente pelos encontros, pelas presenças, pelos afetos construídos ao longo do caminho, pelas palavras pronunciadas ou pelas silenciadas. Todavia, nos tornamos gente também pelos buracos que a ausência nos provoca. A dor da falta é ferida nunca cicatrizada. Por mais que nos pensemos curados daquela lembrança, por mais que pensemos que a criatura amada que se foi é apenas e mera lembrança, a falta se faz presença com uma dor tão forte, que nada mais nos resta senão ouvir o eco do vazio que nos vai por dentro.
            Aí se chora.
            Como agora. Choro a falta do não dito, choro a ausência do não ocorrido, choro a saudade do que nunca existiu. Mas que eu gostaria que tivesse existido: aquela palavra jamais dita, aquela conselho jamais ouvido, o toque no cabelo que nunca aconteceu, o colo sempre esperado e nunca recebido, o sorriso desejado.
            Aí se chora.
           Chora-se a certeza de que tudo teria sido possibilidade de diferença, caso o sofrimento da despedida tivesse sido acalmado pela presença do que não houve; o mesmo tudo que agora lateja, queima, marca para sempre o existir.
            Aí se chora.
            E o choro é apenas a falta da falta, o desejo do nunca havido.
           Saudade é doença sem cura. Por mais que achemos que o oco da ausência foi coberto pela terra do tempo, um vento forte descobre tudo e traz de volta a falta, que lateja, lateja e chove lágrimas em nós.

sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Matéria na ZH

Hoje, no jornal Zero Hora, matéria de Caue Fonseca, sobre o lançamento de meu livro de contos Vento sobre terra vermelha, editora 8Inverso. Gostei de ver minhas história através do olhar sensível e revelador do Caue. Bacana quando isso acontece: literatura ressignificando-se para o próprio autor através de um viés crítico.
Segue link para a matéria:
http://zerohora.clicrbs.com.br/rs/cultura-e-lazer/segundo-caderno/noticia/2012/08/caio-riter-retorna-a-literatura-adulta-em-vento-sobre-terra-vermelha-3869921.html

sábado, 25 de agosto de 2012

Sopram novos ventos...

       Minha escrita, e gosto disso, ficou bastante focada em dois públicos: crianças e adolescentes. Todavia, embora livros infantis e juvenis tenham preponderância em minha bibliografia, não abandonei os textos adultos. Por vezes, surge um poema, um conto. Ou um projeto de livro de contos, como o que desenvolvi há alguns anos e que recebeu alguns nãos editoriais. Mas agora o vento sopra a favor destas histórias escritas durante um período bem longo, que, aliás, não sei precisar. Todavia, são contos que conversam entre si: dores existenciais, descobertas nem sempre felizes, que vão dando conta do existir de homens e de mulheres, alguns ceifados da vida ainda crianças. São mergulhos na vida, através de meu olhar, que poderia ser outro, sei, porém não foi.
 
 
      Gosto do gosto da dor ficcional. Gosto de ser dedo roçando na ferida viva do ser gente, gosto de coletar retalhos de imaginação que possam obrar o existir, através do fingimento que, por fingir-se, acaba por se tornar possibilidade.
      Assim, abaixo, um trecho de um dos contos de "Vento sobre terra vermelha", que lanço no dia 01 de setembro, a partir das 17h, no espaço cultural 8Inverso, rua Azevedo Sodré, 245, Passo da Areia, Porto Alegre.
 
       Tinha muitos livros. Pouco espaço, aliás, sobrava naquela peça da casa. Uma sala grande, duas janelas estreitas e altas, cortinas claras, uma mesa de madeira escura no centro, uma estatueta de um velho cavaleiro armado, e livros. Muitos. A biblioteca, assim ele a nominava. De onde vieram tantos volumes, ninguém nunca soube ou desejou precisar. Ter assim tantos, aquela quantidade de livros, impossível de ler tudo numa única vida, era coisa de louco ou, no mínimo, de quem muito pouco teria para fazer. Como Arno Kunz, médico aposentado, vindo com os pais da Alemanha ainda bebê, enrolado em cueiros. O Doutor, como era chamado por aquelas bandas. O Doutor, o homem dos livros. Como se foi no chegado, também não interessava. A fama se fazendo, quer pela propriedade da medicina, quer pelo inusitado dos espaços sendo tomados pelos livros. Hoje, não andava mais pelas fazendas e caminhos a tratar bicheiros e vermes em crianças, mas vez que outra ainda era acordado na noite para o ajude de um ou outro vivente querendo vir ao mundo e atravessado na barriga, assim estando, como ocorrido com a Marcela. Mundo tão cheio, e tantos no chegado, resmungava sua mulher, cada vez que o Doutor de posse de uma maleta branca, com cruz vermelha encimada, saía no trote da pequena charrete.
— É a vida no continuado, Clarice, a vida no prolongado.
 
Conto: O colecionador de livros
 
 

Igrejas de Taquara

Todo mundo que me segue, que acompanha esse blog, sabe que eu curto igrejas e suas torres. Sempre que encontro uma aberta, logo entro a fim de fazer três pedidos. Dizem que, caso entremos numa igreja pela primeira vez, basta pedirmos três graças e elas ocorrem. Confesso que sempre faço meus pedidos e que muitos deles, de fato, aconteceram.

Catedral Luterana de Taquara

E essa semana fui a Taquara e me deparei com duas igrejas. As duas lindas: uma Luterana; a outra Católica. Uma bem em frente à outra. Dizem que do altar de uma, caso as portas estejam abertas, pode-se ver a outra.

Catedral Nosso Senhor Bom Jesus

Bueno, não pude comprovar isso. Apenas uma delas estava aberta, a de Nosso Senhor Bom Jesus. A foto é dentro dela e serve como moldura para a catedral luterana as portas da católica. Lindo de ver.

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Sessão de autógrafos marca lançamento de Caio Riter na 8INVERSO


A Editora 8INVERSO marca o lançamento da nova coletânea de contos adultos do escritor gaúcho Caio Riter com sessão de autógrafos e encontro com o autor. "Vento sobre terra vermelha" reúne, em 184 páginas, 15 contos que falam de personagens marcados pela estranheza e pela fatalidade, envolvidos em histórias de buscas por si mesmos e por algo maior em suas vidas. A obra é o primeiro título do autor publicado pela 8INVERSO. O evento de lançamento acontece no dia 1º de setembro, a partir das 17h, na nova sede da editora (Rua Azevedo Sodré, 275, bairro Passo d´Areia, Porto Alegre/RS).

Pela sua popularidade com o público infantojuvenil, Caio Riter esperou o momento certo pata publicar Vento sobre terra vermelha, obra que conta com apresentação da escritora Cintia Moscovich:

— Embora nos últimos anos tenha publicado apenas livros para crianças e adolescentes, segui escrevendo para adultos, sobretudo poesias e narrativas curtas. Porém, a dificuldade de publicar textos fora do nicho infantojuvenil sempre foi grande, em virtude de já ter formado um público jovem e infantil que acompanha minha trajetória — revela Caio, que fala do potencial de sensibilização dos contos de Vento sobre terra vermelha:

— Tento escrever histórias que emocionariam a mim, que me fariam ter desejo de mergulho na fantasia. Se o leitor perceber isso, se minhas palavras forem ao encontro do que deseja seu coração, bem, aí creio que a literatura acontece — diz.

Evento abre nova sede da 8INVERSO ao público

Desde julho de 2012 em novo endereço, a 8INVERSO abre as portas de sua nova sede ao público para a sessão de autógrafos de Caio Riter, primeira atividade de uma programação que promete ser intensa. O crescimento contínuo, os investimentos feitos no último ano e os fortes acréscimos ao catálogo obrigaram a editora a mudar-se de uma sala comercial para uma casa na Zona Norte de Porto Alegre. Agora, com espaços para receber eventos e promover oficinas literárias e palestras, a nova sede da 8INVERSO reflete os novos desafios que a empresa propõe-se a enfrentar. O endereço é: Rua Azevedo Sodré, 275, bairro Passo d´Areia, em Porto Alegre.

Serviço
O QUE: Sessão de autógrafos e lançamento do livro “Vento sobre terra vermelha”, de Caio Riter.
QUANDO: 1º de setembro, a partir das 17h.
ONDE: Editora 8INVERSO – Rua Azevedo Sodré, 275, bairro Passo d´Areia, Porto Alegre/RS.

Assombros Juvenis 2: os vencedores

Legal, quando uma iniciativa, como a da REINAÇÕES, dá frutos. E o Concurso Assombros Juvenis, atingiu sua segunda edição. Foram 40 textos inscritos e o júri, composto pelos confrades Christian David, Liza Petiz e Rodrigo Barcellos, escolheram os dez textos que farão parte da antologia 2012. Parabéns aos vencedores. Legal ver escritores que passaram por minhas oficinas dando passos vitoriosos.
 
VENCEDORES DO 2º CONCURSO LITERÁRIOS ASSOMBROS JUVENIS
PARCERIA REINAÇÕES: CONFRARIA DA LEITURA e
CÂMARA RIO-GRANDENSE DO LIVRO-CRL
APOIO: CORAG
1. NOITE NA MATA, de ANDRÉ CARLOS MORAES
2.CHARLIE, de CATHERINE DE LÉON
3.O HOMEM DO SONHO, de CARMEN MACEDO
4.DAQUELES QUE SE FORAM, de CLEO DE OLIVEIRA
5.BLUES, de DIRLENE MARIMON
6.SOMBRA, de FELIPE CARVALHO
7.O BURACO, de GABRIEL ENGELMAN MADEIRA
8.O TORCE-BRAÇO, de PATRÍCIA LANGOIS
9.BULITA, de SANTIAGO CASTRO
10.JOGOS PROIBIDOS, de VERA BERNHARD
Obs. As indicações seguem na ordem alfabética por autor.

domingo, 19 de agosto de 2012

A torre engaiolada

Gosto de igreja. Basta passar na frente de uma para ter vontade de entrar. Quando estive em Torres, no mês passado, passei em frente à histórica Igreja de São Domingos, que está passando por reforma. Não pude deixar de ver sua torre como se fosse um pássaro sem liberdade, toda envolta que estava por grades.

sábado, 11 de agosto de 2012

Teiniaguá na Crescer

Surpresa boa: a Revista Crescer apresenta uma série de livros que bebem na fonte das águas do folclore nacional. Entre eles, cita meu livro Teiniaguá, a princesa encantada. Reconto de uma das lendas mais representativas do imaginário do Rio Grande do Sul e que ficou imortalizada na versão de Simões Lopes Neto, chamada "A salamanca do Jarau". Este meu livro faz parte de uma série, publicada pelo editora Scipione, que busca publicar lendas representativas dos diversos estados da Nação. Minha Teiniaguá representa o Rio Grande. Abaixo, o link da matéria da Crescer.

http://educarparacrescer.abril.com.br/aprendizagem/folclore-literatura-695561.shtml?utm_source=redesabril_educar&utm_medium=twitter&utm_campaign=redesabril_educar&utm_content=aprendizagem

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

A Giovanna Martins Cardoso, minha querida leitora, é aluna da professora Viviane no Liceu Santista em Santos. Abaixo, suas palavras que conversam com as minhas. E é tão bom quando essa sintonia acontece.

Eu e a Coleção Grilos

Giovanna Martins Cardoso – 9.º C

 Debaixo de mau tempo, Artes e Ofícios Editora, conta a história de Renato, um menino tímido, com um amor não correspondido e muitos problemas pessoais, um perfil que já faz com que nos identifiquemos muito com ele. Numa manhã de tempo feio, Renato sai para remar, porém uma tempestade o obriga a buscar refúgio numa ilha onde encontrará uma realidade totalmente diferente daquela em que vive. Por um momento, ele pÿde esquecer sua timidez e experimentar novas vivências que a adolescência lhe propunha, que antes nunca tivera chance de conhecer.
Comecei a imaginar o que aconteceria se por um momento eu me desligasse de tudo, se eu simplesmente fosse para um mundo longe dos problemas que enfrento. E é essa a reflexão que o leitor acaba fazendo sobre a própria vida, que torna o livro tão interessante. Perguntas como, “Será que eu me sentiria mais feliz? Ou apenas deslumbrada? Será que realmente valeria a pena? O que eu diria às pessoas que mais amo em meu regresso? Invadem a cabeça do leitor fazendo-o analisar suas atitudes.
O livro é com certeza uma ótima opção para adolescentes que em sua maioria estão sempre achando que estão debaixo de mau tempo e vivem idealizando um mundo paralelo.

P.S. Fiquei curiosa a respeito do autor, Caio Riter. Já havia lido outra obra dele (Um Na Estrada, editora Melhoramentos) onde o protagonista tinha muita afeição à figura da avó, enquanto seus pais eram um tanto distantes. O mesmo acontece em Debaixo de mau tempo.

segunda-feira, 23 de julho de 2012

Oficina de Literatura Infantil

Estão abertas as inscrições para a segunda turma de oficina de criação literária de textos infantis. Inscrições da Palavraria. Início: 04 de agosto.

Sobre a escrita 6

Escrever tem seu tanto de encontro com as palavras. Tem também seu tanto de domínio delas. Não creio na escrita que se faz a partir do mero sentir. Sabem, aquela história de que o texto me tomou? Pois então. Talvez por ser oriundo de oficina literária, talvez por meu mestre ser do tipo poeta-artesão (como fala Dufrenne), talvez por acreditar que o bom texto nasça da fusão entre razão e aquilo a que chamam de inspiração. Talvez.

sexta-feira, 20 de julho de 2012

Palavras 33



AMIGOAmigo é isso apenas: coração que se escancara
e nada pede em troca a não ser mais e mais escancaramento.

Palavras 32



GUERRA - O tanque avança sobre o sonho. A bomba explode em flor. Semente não outra: só morte.

segunda-feira, 16 de julho de 2012

Meu encontro com Alice

Ah, acho que somos mesmo meio assim: cada um com suas manias, com seus desejos. E, por vezes, a gente nem sabe muito bem explicá-los. Ainda mais quando se referem à nossa história de leitura. Afinal, o que faz com que um ou outro texto nos emocione mais, nos ofereça maior motivo de encantamento, se inscreva em nossa estante como elemento de importância e de retomada sempre? Então, respostas poucas há. E eu, em meu fascínio pelo clássico de Lewis Carrol, vou me tornando colecionador já com mais de 40 versões, edições do texto da menina que mergulhou em que da livre no mundo das Maravilhas.Ah, e qual não foi minha surpresa ao me deparar com a própria, parecendo ser de papel saído das páginas do meu clássico favorito, durante atividades literárias da Escola Primavera, em Nova Hartz. Me encantei e não consegui deixar de registrar o fato.

domingo, 15 de julho de 2012


Na foto o Lipe Silveira, mergulhado em O fusquinha cor-de-rosa, Paulinas.
Bacana ver que histórias inventadas por mim podem ser convite para o encantamento com a fantasia que só os livros promovem.

Sobre a escrita 5

Quando se escreve, se tem a exata dimensão do possível. Tutores, senhores, deuses da vida alheia que se torna nossa no forjar das palavras.

sexta-feira, 22 de junho de 2012

Igrejas e suas torres II


Numa caminhada pela redenção, a torre da Igreja Santa Teresinha se projeta entre árvores e fios de luz; natureza, civilização e religiosidade irmanadas sob o céu cinza.

Retratos de Caio 15

Fazia tempo que eu não era presenteado com um retrato. Gosto desse olhar interpretativo de mim realizado por meus leitores. O desenho abaixo é do Pedro, garoto que conheci em Nova Bassano.

sábado, 2 de junho de 2012


Na noite de 31 de maio, recebi o troféu CRESCER por meu livro Pedro Noite (Editora Biruta). O prêmio é dado pela Revista Crescer (Editora Globo) e homenageia os 30 melhores livros infantis do ano anterior. Entre meus troféus, esse colorido prêmio enfeita a estante, concedendo alegria e infantilidade aos outros tão sisudos.

sexta-feira, 25 de maio de 2012

Igrejas e suas torres


Conheci a cidade de Jaquirana-RS, participando de sua 4ª Feira do Livro. Local extremamente bucólico, com ovelhas pastando e ninhadas de pintos ciscando bem pertinho da gente. Mas o que mais me encantou foi essa igreja (Adoro igrejas) toda em madeira. Algo que pensei que nem existia mais.

CRL e Reinações lançam 2º Concurso Literário Assombros Juvenis


REGULAMENTO
2º CONCURSO LITERÁRIO DE CONTOS
 ASSOMBROS JUVENIS
58ª FEIRA DO LIVRO DE PORTO ALEGRE

1. A Câmara Rio-Grandense do Livro - CRL, a Reinações:Confraria da Leitura de textos de Literatura Infantojuvenil e a Companhia Rio-Riograndense de Artes Gráficas - Corag promovem o 2º Concurso Literário Assombros Juvenis, que visa despertar talentos literários, promover a Literatura Infantojuvenil e homenagear a literatura de terror destinada a adolescentes, que tanto apelo tem no coração dos novos leitores.

2. Estão habilitadas a participar do concurso pessoas residentes no Rio Grande do Sul, com idade acima de 18 anos.
Obs.: É vedada a participação de membros da Comissão que organiza o concurso, assim como de funcionários da CRL, bem como de seus familiares até segundo grau.

3. A participação no concurso, através do envio de textos, implica a concordância com todas as cláusulas deste regulamento.

4. Os textos deverão ser rigorosamente inéditos em veículos impressos.
5. A temática é o sobrenatural, sendo que o conto deve ter como público-alvo os adolescentes. Assim, o protagonista deverá ser um jovem ou uma jovem. Os seres do Além que fizerem parte dos contos podem ser seres do imaginário popular, retomados, ou seres criados pelo autor.

6. Cada participante poderá inscrever-se através da entrega de texto do gênero conto, devendo este ter, no máximo, cinco páginas, digitadas em espaço 1,5, utilizando fonte Arial 12, em folha A4, com margens de 2 cm.
6.1. Textos que não se encaixarem na temática ou no gênero deste concurso serão invalidados.
6.2. Cada autor poderá inscrever quantos contos desejar, desde que obedeçam ao que rege este regulamento.

7. É obrigatório o uso de pseudônimo, que deverá ser composto de no mínimo dois nomes e colocado no alto da primeira página de cada um dos textos inscritos. Caso o autor participe do concurso com mais de um texto, poderá entregá-los no mesmo envelope, desde que obedeça ao que rege o item 8.

8. Acompanhando os textos (a serem entregues impressos em papel A4 ou ofício, em três cópias, e em CD-R, em um envelope devidamente identificado com o pseudônimo) deverá constar, em um envelope menor, lacrado, identificado com o pseudônimo, uma folha com os seguintes dados:
a) Nome do concurso
b) Pseudônimo composto (mais de um nome)
c) Nome completo
d) Endereço completo
e) Telefones
f) E-mail
g) Data de nascimento

10. O prazo para as inscrições termina, impreterivelmente, em 30 de junho de 2012, até às 18h. Os envelopes com os textos concorrentes devem ser entregues na Câmara Rio-Grandense do Livro (Praça Osvaldo Cruz, 15 Conj. 1708 / 1709, CEP 90030-160, em Porto Alegre/RS) ou enviados pelo Correio, aos cuidados de Rafael Cardozo. Neste último caso, a data de inscrição será a da postagem, que, se for posterior a do prazo máximo para a inscrição, não será aceita.

11. O julgamento dos textos será realizado por uma comissão de três profissionais, de diferentes áreas da literatura, indicada pelos organizadores do concurso.
12. Os textos selecionados em número não superior a 10 poderão ser publicados em antologia editada pelos organizadores, sem fins lucrativos, razão pela qual os organizadores exoneram-se do pagamento de direitos autorais ou de qualquer outra forma de remuneração aos autores, além da entrega gratuita de dez exemplares da antologia. A antologia terá lançamento e sessão de autógrafos na 58ª Feira do Livro de Porto Alegre em data a ser marcada.

13. Não poderá figurar no livro mais do que um texto de cada autor.

14. Da premiação:
14.1. Serão outorgados certificados a todos os selecionados, e estes terão seus textos publicados na antologia do 2º Concurso Literário Assombros Juvenis, não havendo qualquer ônus aos escritores selecionados.

15. O resultado do concurso será divulgado no site da CRL (www.camaradolivro.com.br) e no blog da REINAÇÕES (confrariareinacoes.blogspot.com) até o mês de outubro de 2012.



16. Não haverá, em nenhuma hipótese, devolução dos textos concorrentes.



17. As decisões da comissão julgadora são irrecorríveis.



18. Os casos omissos neste regulamento serão resolvidos em conjunto pelo coordenador do concurso, jurados e representantes das entidades organizadoras.



19. Mais informações podem ser obtidas na CRL pelo fone (51) 3286.4517, com Rafael Cardozo, através do blog da REINAÇÕES (confrariareinacoes.blogspot.com) ou, ainda, através do e-mail caioriter@uol.com.br, com Caio Riter, organizador do concurso.

sábado, 12 de maio de 2012

Crônica: Ser pai é bom demais.

 
Ser pai é bom demais.

Caio Riter

            Houve um tempo em que eu acreditava que pais eram mães ou que, pelo menos, podiam ser. No sonho de ser pai, do qual eu me alimentava, sabia que homens e mulheres se tornam iguais no momento da concepção. Diferenças inexistiam, era o que pensava. Afinal, basta transitar pelas ruas de nossa cidade e encontraremos muitos pais em funções outrora essencialmente maternas: bebês no colo, mamadeiras em apronte, carrinhos que vão sendo guiados com delicadeza por másculas mãos, futuros sendo empurrados pelos balanços e carrosséis da vida, mãos seguras a guiar caminhos. Eu tinha essa certeza; a observação e o sentimento é que a gestavam em mim: pais e mães são indistintos na vida de um filho.
            Assim, na minha fantasia, eu ia sonhando e me preparando para ser um pai-mãe. Homem repleto de maternidade.  na minha fantasia, eu ia sonhando, me preparando para ser um pai-mistezas, com suas certezas e hesitaçuista, a cada despertar,E como inexistem forças capazes de impedir que um sonho bem sonhado real se torne, virei pai. Coração explodindo em grávida expectativa.
            Curti desde o primeiro instante aquela semente que crescia no ventre da mulher amada. Experiência repetida. Duas outras mulheres vindo ao mundo, frutos do nosso desejo. E ver aqueles rostinhos desprotegidos, alegres, brilho de afeto resplandecendo a cada carinho, a cada conquista, a cada despertar, sempre foi o presente maior.  Fui, então, sendo — entre erros, acertos e tentativas — o que queria ser: pai.
            Fui homem de acordar na madrugada ao chamado da palavra-mágica; fui homem de me deitar no chão, desprovido de qualquer ameaço de maturidade, para virar barco, cavalo ou outra coisa qualquer, vítima do desejo infantil daquelas que foram sonhadas por mim. Fui homem também de invenção de teatros, de criação de personagens, que iam povoando aqueles pequenos corações e a casa toda; fui homem de canções de ninar, de histórias de boca, inventadas ali mesmo no momento exato da contação; fui herói de afugentar terríveis insetos, monstros horrorosos, que suscitavam gritos e pedidos de proteção. Fui sendo pai do jeito que sabia e que julgava que um pai devia ser.
            Mas jamais fui mãe.
            Um pai, por mais que deseje, nunca será mãe. Só pai, no tudo de bom que um pai possa ser. Porém, apenas pai. Nada mais que pai.
            Um pai, por mais pai que seja, não é mãe. A mulher que gera um outro ser dentro de si estabelece uma relação de cumplicidade que homem nenhum, por mais competente que seja em sua tarefa de amar incondicionalmente seus filhos, atingirá. Nós, os pais, durante a gestação, na verdade, ficamos de fora. Por mais que sejamos chamados a participar, por mais que queiramos gerar junto o bebê que se forma, estamos de fora. Somos parte exterior, um apêndice numa relação visceral. Um coadjuvante que, por mais importante que seja sua participação na trama, é apenas personagem secundário.  Apenas o amigo do mocinho. Amigo que precisa descobrir seus modos de atuação, que precisa fazer-se necessário na urdidura da narrativa familiar, a fim de ser também fundamental parte na história daquele que vai tornando-se gente.
Mas jamais será mãe.
Não nutriu com sua vida a vida do outro, não partilhou com o outro toda a sua carga emotiva, não dormiu o outro no embalo do ritmo do seu coração. Não. E tudo isso antes mesmo do nascer.
As mães, esses seres com os quais estabelecemos uma relação eterna (quer para o bem, quer para o mal), estarão sempre, me parece, na dianteira de qualquer pai que se arvore em mãe. Elas nutrem os filhos não apenas com seu sangue, mas também com suas alegrias, com suas tristezas, com suas certezas e hesitações. Mães alimentam seus rebentos com a própria vida.
            Ser pai, é claro, tem lá sua força no crescer de um filho. É união eterna também. Mas não é sobre isso que falo. Falo de algo que vem de além do nascimento. Relação mágica, dupla, forte.  Não sei se me entendem. Entretanto, é apenas isso: se ser pai é bom demais; ser mãe deve ser melhor ainda.