O Morcego e a Coruja
O Morcego andava descontente. Outrora, ele podia voar pela floresta
tranquilamente, gozando de todas as benesses que aqueles que comungam do poder
possuem. O morcego era amigo do rei. E assim sendo podia sugar o sangue de quem bem lhe apetecesse.

Mas o Morcego, ah, o Morcego, andava descontente. Uniu-se, então, a outros tantos morcegos e a serpentes, a escavarelhos, a escorpiões e aranhas. Não era justo dividir o que
sempre fora deles. E, munidos de gritos de ódio, invadiram os caminhos da
floresta. Urravam, berravam, zombavam da Coruja e de todos os outros que a
apoiavam. Queriam o fim daquela forma de governar. Porém, ardilosamente, diziam
defender a liberdade de todos, mentiam vestir as cores da esperança. Diziam que a Coruja impedia a ordem outrora tão
tranquila, melhor que abandonasse o poder, que o ideal era que o Morcego reinasse.
E
alguns bichos tolos começaram a seguir os manifestantes. Todos esquecidos
daquele tempo em que o Leão governava. Alguns inclusive, em meio à balbúrdia,
nem percebiam que gritavam contra direitos que outrora nunca haviam tido.
E
foi assim que o ardiloso Morcego retomou o poder. Para infelicidade de toda a
floresta.
Moral
da História 1: O passado jamais pode ser esquecido.
Moral
da História 2: Quem segue serpentes corre o risco de morrer envenenado.