segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Notas sobre Meu Pai...

Um diário escrito como um trabalho textual, proposto pela professora, é a tarefa que os alunos precisarão realizar em casa, até o fim do ano:
... Pode? Tá, ela disse que a intenção é a gente poder escrever todos os dias, nem que seja uma linha... Mas por que um diário? ... É uma oportunidade de vocês treinarem caligrafia...
A solução literária encontrada por Caio Riter para compor a forma de Meu Pai não Mora Mais Aqui demonstra a criatividade do autor. Diários não são mais novidades, como leitura para jovens ou adultos. Há muitos, mas concebido como tarefa escolar é novidade sim, e das boas.
O autor criou um espaço tempo de monólogo interior, onde dois protagonistas elaboram suas vivências emocionais, em uma linha de pensamento jovem, reflexiva, própria daqueles que estão descobrindo a vida. O vocabulário é peculiar. Cheio dos jargões da idade, quentes, emocionados.
Caio Riter tem um lindo estilo literário, fluente. Suas frases recheadas do modo de falar dos gaúchos nos trazem o sabor do sul. Aproxima os leitores pelas diferenças lingüísticas e pelos sentimentos iguais.
Os tipos criados ganham forma, ficam em pé, aparecem em carne e osso e nos dão a sensação de poder abraçá-los, tão vivos estão nas páginas, na profunda imersão no universo da adolescência.
O Sentido da ausência do pai de Tadeu - a personagem principal - é tão forte, quando ele sai de casa para viajar. Rodar pelas estradas do mundo para sustentar a família.
As visitas rápidas, nos fins de semana, a casa que se enche e se esvazia da figura masculina que passa e deixa saudades, frustrações, e o desenrolar de uma vida que não é aquela que se quer viver em companhia, pelo escasso tempo juntos, e insuficiente para saciar a fome de ternura.
Há também, a Letícia. Os dois vivem a mesma problemática da ausência paterna. Os motivos são diferentes, o e sofrimento de abandono, o mesmo. Essa dualidade, na trama, tão bem tecida, faz do livro uma leitura primorosa. Prende o leitor pela temática das incertezas, das dores do crescimento que fervem nas entranhas dos jovens, até que eles descobrem o amor.
O ciúme, as disputas iradas. Os hormônios falam, o corpo muda. É difícil aprender a ser homem e mulher. Conviver com as diferenças. As circunstâncias que não são as ideais, mas humanas.
Há o recolhimento. O clima de escrever sozinho e tocar no mais profundo de si mesmo. Um momento único e atemporal. Há perdas, algumas irreparáveis, definitivas. Há recuperação no reencontro com a harmonia de viver, quando os conflitos encontram um ponto de equilíbrio e a vida segue em busca da maturidade emocional.
Caio Riter é um autor que se renova a cada publicação. Premiado várias vezes, tem elaborado muito o seu oficio de escrever, e o faz cada vez melhor. Ele mesmo, assim como as personagens que retrata, em permanente processo de crescimento literário, o que salta aos meus olhos de leitora.
Ísis Valéria, membro da FNLIJ

4 comentários:

Amamos seriados de muito sucesso disse...

Estamos achando o seu livro muito interessante, pois mostra o que realmente acontece na vida de muitos jovens que têm os pais separados.Os sentimentos mostrados no livro nos leva a um mundo semelhante ao do adolescente, com desejos, frustações e dramas ocorridos ao longo da história de cada um.
Denise, Camila,Bruna e Diego. turma:8s1

Marli disse...

Que lindo , Caio, é emocionante ler essas palavras e ter acompanhado o nascer dessa obra que vai trazer muitas alegrias. BJ!

larissa disse...

OI,Nesse exato momento acabei de ler seu livro...ainda um pouco atordoada com o turbilhão de sentimentos que provocou em mim,mas assim,como vc escreveu no livro,nao posso deixar o momento passar.
O livro é incrível,a história é linda e facinante!
Minha única tristeza vai ser ter que devolve-lo para a biblioteca do colégio...rsrs!!!
Parabens!!!!

KELLY disse...

Estamos achando muito interessante o livro que você escreveu,''O Rapaz que não era de Liverpool'',nós estamos esperando você comparecer na nossa escola Maria Gusmão Britto,em São Leopoldo, no diqa 12 desse mês.

Vinícius D. Duarte e Gabriel B. Bueno