sábado, 11 de fevereiro de 2012

Gente Nova 17: Lígia Savio

A Ligia Savio foi minha colega de trabalho. Professora querida e respeitada pelos seus alunos; leitora exigente. E, em andanças pelo Facebook, descubro a Lígia-poeta, palavras que mergulham na nostalgia do ser criança em seu vestido de magia, vestido sempre presente, sempre.

Eu tive um vestido
de Branca de Neve
da cor do arco-íris
de mangas bufantes
e todo em camadas.
Eu tenho uma foto
vestindo o vestido
de olhos fechados.
Por onde eu andava?
Mas sei que voava...
Tinha que ser assim:
usar tal vestido
de olhos fechados,
de alma lavada.
Acima do tempo,
de qualquer tristeza,
estou até hoje
vestindo o vestido
de Branca de Neve.


Escritos

Depois de alguns anos parado, retomo escrita de um juvenil. Parado em virtude de outros textos que acabaram tendo de ser escritos. Agora, sigo firme, sem interrupções, espero. Estou na página 40. Mais umas 30 e fecho a história, já toda arquitetada. Começa assim:

"Sempre há um não. E um tempo certo para dizê-lo. Se Susana soubesse disso, talvez tivesse sido uma filha revoltada; talvez tivesse gritado, brigado, chorado; talvez tivesse batido pé e dito que não sairia de sua cidade, de sua casa, de sua escola. Diria que não conseguiria viver sem suas coisas, sem seus amigos, sem as noites na casa da Clara.
Sem a Clara."

domingo, 5 de fevereiro de 2012

Literatura Juvenil e identidade em O Rapaz que não era de Liverpool

Quando escrevemos, nunca sabemos ao certo que caminhos aquele texto vai percorrer: pode ficar numa gaveta, pode ir ao encontro do plano editorial de alguma editora, pode ser publicado, ser premiado, ser bastante lido ou apenas ser esquecido. Pode também atiçar a curiosidade leitura de um modo especial: olhas acadêmico. Aquele olhar leitor que procura desvendar os caminhos da criação, as intenções (racionais ou não) do escritor ao se debruçar sobre tal tema, ao construir tal arquitetura literárias. Pois vasculhando o google atrás das capas de alguns livros meus para postar o comentário abaixo, encontrei-me com um artigo acadêmico, Narrativa juvenil e identidade, apresentado por Camila de Souza Fernandes, na Universidade Estadual de Maringá - UEM, que analisa meu livro O rapaz que não era de Liverpool.

Caso alguém se interessar em ler o instigante trabalho da Camila, o link é este: http://www.cielli.com.br/downloads/67.pdf

Quatro livros selecionados pela Prefeitura de Fortaleza

Meus livros Meu pai não mora mais aqui e Pedro Noite, da Editora Biruta, O outro passo da dança, da Editora Artes e Ofícios, e O rapaz que não era de Liverpool, da Edições SM, foram selecionados pelo Programa de Modernização de Biblioteca da Prefeitura de Fortaleza.
Boa notícia neste início de 2012. Programas assim, além de fazer com que o mercado livreiro se movimente, faz com que livros possam, cada vez mais, ir ao encontro de leitores. Afinal, como já disse Castro Alves, aquele que semeia livros é bendito! E, para nós que escrevemos, aqueles que promovem a leitura e a aquisição de livros também se tornam benditos, pois propiciam que nos animemos a escrever mais e mais, na certeza de que a literatura tem um forte poder de transformação, visto que atua na criticidade e na emotividade. Mesmo que não percebemos.

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Crônicas cômicas de férias

Uma tal de crase

Cenário: Torres. Caio diante do descalabro linguístico que vai percebendo em certos anúncios, começa a fotografá-los, pensando, quem sabe, em usá-los em alguma prática pedagógica. Afinal, os professores têm em mente (mesmo em férias) apenas seus alunos, seus queridos alunos, seus amados alunos, nada mais além deles.
Pois bem, diante de um restaurante, Caio encontra uma placa em que o adjunto adverbial "à noite" está gravado sem o acento indicativo de crase.
Ele pede para sua caçula fotografar e indica o motivo:
"Falta o acento grave em à noite".
Um garçom, que está na porta do estabelecimento assediando possíveis comensais, ao ouvir o que Caio diz, fala:
"É que não se refere ao futuro. É a continuidade do evento".
Caio, pasmo, perplexo, estupefato, balbucia: "Ah tá".

Apenas dois laçarotes vermelhos

Caminhamos pela praia de Torres, olhos atentos ao mar, à paisagem tão bem desenhada, que faz com que as outras praias gaúchas morram de ciúmes. Resolvemos sair da areia e passear no calçadão. Nos dirigimos ao chuveirinho e nos deparamos com o inusitado. Uma veranista praticamente se banha sob o chuveiro, falta apenas cantarolar. De repente, ela vira-se de costas e o que vemos nos deixa, digamos assim, perplexos: a dita cuja traz tatuado em cada uma das nádegas, bem no meio de cada uma das nádegas, não sei se me entendem, no meio da bunda, um laçarote vermelho. Um em cada nádega, somando dois laços em perfeita harmonia. Eles, um de cada lado da buzanfa! Inacreditável!

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

As milícias de plantão

Hoje tudo é visto com olhar enviesado pelas milícias de plantão. Tudo pode ser o que não é. Qualquer palavra, qualquer gesto pode ter por trás de si algo que seu mentor não pensou, não quis fazer ou dizer. Mas as milícias do politicamente correto estão a postos, prontas pra colocar quem quer que for diante do carrasco, e este será implacável. Acusará, torturará se for preciso, a fim de que o outro (aquele que nem tinha - e talvez não queria - que seu gesto causasse a polêmica que causou). Ah, certo, dirão que devemos ser responsáveis por nosso atos, por nossas palavras. Concordo. Todavia, não posso aceitar que intenções sejam colocadas em atos comuns e, creio, inocentes.
Vivemos, dessa forma, amedrontados. Quem escreve sabe disso: nossos vilões hoje têm de ser hieginizados: brancos, ricos, homens. Aì, pode, aí o preconceito não existe, aí o politicamente correto encontra abrigo. Mas será? Acabamos por transformar o que tem menos valia social no mocinho da história.
Meu amigo Rubem Penz, cronista de qualidade, tocou em tal questão em belíssima crônica "Onde estão os japoneses", publicada no CP e em seu blog (http://rufardostambores.blogspot.com/2011/12/onde-estao-os-japoneses.html), quando fomos eleitos os novos diretores da AGES: associação gaúcha de escritores e só havia uma mulher na diretoria. Nós não havíamos chamado o Conselho Fiscal para a foto ( nele, as mulheres são maioria). O fato é que por isso fomos apelidados de Associação da Exclusão Social. Pasmem!
Pois é como digo: a sociedade fiscaliza, está atenta. Portanto, não deslize que a punição vem.

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Repercussão de uma crônica-artigo ou Resposta à Taiane

Legal. Bom mesmo quando postamos um texto e cumpre sua função social: ser lido, ser discutido, ser aprovado ou rejeitado, enfim, várias são as possibilidade de ir ao encontro do leitor. E fico feliz com isso. Bom demais.
Vários foram os compartilhamentos no facebook de meu artigo em que defendo minhas ideias sobre leitura: prazer e liberdade. Uma ex-aluna (amiga agora, e isso também é bom demais), a Taiane Anziliero, criou uma crônica sobre a minha crônica. Meu texto, gerando outros textos, a palavra se estendendo e buscando mais leitores e mais reflexão (
http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=8656264943565733838)
Muitos também foram os comentários à crônica, quer os que estão no post, quer os feitos no face. Todos me agradam, um deles, porém, trouxe experiência e desejo de fazer. A ele, feito pela Taiane deixo aqui uma resposta-provocação:

Querida Taiane, creio que não há receitas. Há postura política diante da vida, diante dos alunos, diante do papel assumido como formador de leitores. Há gente que passa pela vida de alunos, mesmo que indicando livros, e não fica. Há gente-gente. Essas ficam. Essas por vezes erram no desejo maior de acertar. E se fizeram isso, pode ter certeza que, apesar da decepção pelo objetivo não claramente alcançado, serão absolvidas, se algum julgamento ocorrer um dia. E, cá entre nós, creio que ocorrerá.Bem, mas como dizia, receitas não há. E você, ao explicitar um projeto aliando leitura de clássicos e texto dramático, em que fez parceria com a professora de Língua Portuguesa no subsídio aos alunos, já conhece o caminho. Ousadia e sonho, o resto vem por acréscimo. E, pode ter certeza, que críticas virão. Talvez até em maior número do que os elogios. Mas a convicção de que há muito a fazer a favor de nossos jovens em relação à leitura, ah, isso há.Olha, tentando jogar alguma luz sobre tua pergunta em relação à cronologia literária, creio que um enfoque interessante é, a partir dos períodos literários que você "precisa" trabalhar com seus alunos, visto que é currículo, pode definir certos temas comuns, elencando textos das diferentes estéticas literárias, trabalhando-os conjuntamente a partir de suas características peculiares, semelhantes, diferentes entre si. Assim, o leitor-aluno (aluno-leitor) pode ter uma visão mais ampla, mais aberta na criação estética. Mas isso é papo longo. Longuíssimo. Meu abraço e siga sonhando e pondo em prática seus sonhos. Bom mesmo é ser partilha.