Hoje, recebi e-mail de uma professora que anda à cata de meu primeiro livro publicado: "O palito diferente". Livro já em extinção, eu mesmo só fiquei com um exemplar. Ele não foi editado novamente e, embora de tempos em tempos o procure na rede, nada encontro. Bacana isso de um livro construir fascínios nos leitores. Para quem o curte, fiz uma nova versão, publicada pela Paulinas com o título de "Um reino todo quadrado". Basicamente a mesma história, apenas o final é díspar e os elementos simbólicos também. Mas, mesmo assim, leitores querem "O Palito". Coisa estranha, e mágica, coisa sem resposta, só mesmo o encanto que alguns textos causam na gente e que a gente não consegue explicar. Ou consegue. Sei lá.
sexta-feira, 9 de agosto de 2013
quinta-feira, 1 de agosto de 2013
A paciência me falta
Confesso.
Confesso que ando sem paciência. Ela se faz de rogada e, por vezes, jura que me abandonará. Eu até que a entendo. Difícil tê-la diante do tanto que se vê, que se ouve, que se lê. Me impressionam pessoas que não têm olhos de ver. Me assustam pessoas que são incapazes de espiar por sobre o muro e perceber que há um outro mundo sendo gestado: ficam imóveis, meros ventríloquos a repetirem o que aqueles que acreditam apenas que o poder deve ser delas, que defendem o próprio umbigo, que propagam seus interesse como se verdade fosse. Mas não é. É apenas a verdade que eles apregoam como verdadeira. Há outra, uma mais consistente, uma que encontra eco nos olhares daqueles que sempre foram violentados pelo poder. Agora, o protagonismo se agiganta. E isso apavora os que sempre mandaram a partir da sua lógica exclusivista, sectária.
Que estes criem inverdades, até entendo. Porém, minha paciência se esgota, quando percebo que os mais explorados, os sempre explorados, aceitem ser marionetes nas mãos de quem sempre os humilhou em seus direitos. E gritem contra si mesmos, e lutem a favor de quem os oprime.
Confesso.
Confesso que fico pasmo, fico enojado. Sofro.
E hoje quero permitir que a paciência se aparte de mim.
Confesso que ando sem paciência. Ela se faz de rogada e, por vezes, jura que me abandonará. Eu até que a entendo. Difícil tê-la diante do tanto que se vê, que se ouve, que se lê. Me impressionam pessoas que não têm olhos de ver. Me assustam pessoas que são incapazes de espiar por sobre o muro e perceber que há um outro mundo sendo gestado: ficam imóveis, meros ventríloquos a repetirem o que aqueles que acreditam apenas que o poder deve ser delas, que defendem o próprio umbigo, que propagam seus interesse como se verdade fosse. Mas não é. É apenas a verdade que eles apregoam como verdadeira. Há outra, uma mais consistente, uma que encontra eco nos olhares daqueles que sempre foram violentados pelo poder. Agora, o protagonismo se agiganta. E isso apavora os que sempre mandaram a partir da sua lógica exclusivista, sectária.
Que estes criem inverdades, até entendo. Porém, minha paciência se esgota, quando percebo que os mais explorados, os sempre explorados, aceitem ser marionetes nas mãos de quem sempre os humilhou em seus direitos. E gritem contra si mesmos, e lutem a favor de quem os oprime.
Confesso.
Confesso que fico pasmo, fico enojado. Sofro.
E hoje quero permitir que a paciência se aparte de mim.
domingo, 16 de junho de 2013
Gente Nova: Rafael Iotti
O Rafael Iotti é amigo do face. O face também nos presenteia com boa gente, com momentos de poesia. De lá, colho o poema abaixo. Do Rafael.
maré sobe sem dar aviso prévio
correr não desafoga
frenesi só encharca mais
– então por que não se deixar molhar
nesse mar de chama viva
onde o bojo dos nossos olhos
abriga estrelas.
Torres em meio à cerração.
Estive em Caçapava no mês passado. Momento bom de passear pelas ruas. Momento mais lindo ainda ao me deparar com a Catedral da cidade toda mergulhada na cerração do início do dia. Pareceu-me mergulho no tempo. As torres, as portas abertas (algo não tão comum hoje em dia), a minifeira de hortifrutigranjeiros bem em frente ao templo. Tudo sagrado: a casa, a natureza, o trabalho dos homens.
sábado, 1 de junho de 2013
Palavras 37
domingo, 12 de maio de 2013
Não sou mãe
Não sou mãe.
Nunca fui mãe. Nunca gestei no meu dentro um outro ser. Nunca de meu seio saiu a seiva que alimentaria uma vida. Não sou mãe.
Sou pai.
E, como pai, o protagonismo nos inícios das vidas de minhas pequenas nunca me coube. Ser pai é dez; ser pai é poder partilhar a vida de um ser que tem um tanto de nós; ser pai é alimentar, junto com a mulher que se escolheu para amamentar a vida e os sonhos de nossos rebentos, possibilidade.
Mas ser pai não é ser mãe.
Há uma simbiose mágica entre aquelas que gestam, que geram, que parem com os filhos gestados, gerados, paridos. Mães e filhos - para o bem e para o mal - mantêm entre si laços que vão além da relação afetiva. Muito antes da luz, muito antes dos olhos se abrirem e da vida fazer-se conhecimento, no que tem de alegria e de dor, as mães já estavam lá. Dentro delas, é que a vida se faz; fora delas é que a vida se configura.
Mães são seres necessários. Não apenas para que vidas novas surjam. Mas também para que pais possam existir.
Sou pai, porque um dia, uma mulher especial resolveu partilhar seu sonho de dar à luz comigo. Sou pai graças à existência de uma mãe.
Nunca fui mãe. Nunca gestei no meu dentro um outro ser. Nunca de meu seio saiu a seiva que alimentaria uma vida. Não sou mãe.
Sou pai.
E, como pai, o protagonismo nos inícios das vidas de minhas pequenas nunca me coube. Ser pai é dez; ser pai é poder partilhar a vida de um ser que tem um tanto de nós; ser pai é alimentar, junto com a mulher que se escolheu para amamentar a vida e os sonhos de nossos rebentos, possibilidade.
Mas ser pai não é ser mãe.
Há uma simbiose mágica entre aquelas que gestam, que geram, que parem com os filhos gestados, gerados, paridos. Mães e filhos - para o bem e para o mal - mantêm entre si laços que vão além da relação afetiva. Muito antes da luz, muito antes dos olhos se abrirem e da vida fazer-se conhecimento, no que tem de alegria e de dor, as mães já estavam lá. Dentro delas, é que a vida se faz; fora delas é que a vida se configura.
Mães são seres necessários. Não apenas para que vidas novas surjam. Mas também para que pais possam existir.
Sou pai, porque um dia, uma mulher especial resolveu partilhar seu sonho de dar à luz comigo. Sou pai graças à existência de uma mãe.
domingo, 5 de maio de 2013
Autógrafos
Por vezes, releio autógrafos recebidos e fico me sentindo íntimo e parte da história daquele que o escreveu. Fico querendo que o escritor saiba de mim, que entenda a sintonia que julgo haver e este sentir. Mas sou, sei, apenas um leitor. Alguém que mergulha em mundos verbais, que julga que as palavras urdidas, não as da trama ou as do poema, mas as do autógrafo foram escritas apenas, singularmente, para mim, o leitor. Leitor que, embora o encontro com o escritor possa ser sempre distância, é muita presença.
Estranha, aliás, essa sensação de proximidade que eu sinto em relação aos autores que amo. E não apenas aqueles dos quais tenho livros com dedicatórias, não. Sempre penso que o autor possa saber de mim, de minha existência, embora saiba que este saber é fantasioso. As palavras têm seu potencial de aproximação. Um autor, quando escreve, talvez desconheça a força que opera no dentro de quem o lê. Esta a magia que faz do outro, alguém distante, ser próximo, pulsante, e o livro ali, o elo, o portal que remete o leitor ao mundo do seu escritor.
O autógrafo? Crença de que foi único. Ele mesmo a ser o mapa ao coração do leitor. Marca para sempre do encontro.
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