segunda-feira, 14 de abril de 2008

Ventania de palavras

Sempre é bom quando bons ventos sopram, diz a tradição, dizem os mais sábios, aqueles que trazem no peito e na mente um tanto de histórias vividas, testemunhadas ou experienciadas. Pois sexta-feira, dia 11, um bom vento soprou em meus ouvidos e em meu coração: vento de letras, ventania de palavras. Dia agradável, em que tudo girou em torno de meus personagens, de minhas invenções.
Era dia quente, de sol bastante forte, quando cheguei a Aguapés, em Osório-RS, na Escola Municipal Osvaldo Bastos, para dar início às atividades do projeto Vento de Letras, coordenado pela querida Marô Barbieri, que foi companhia extremamente agradável (como sempre, aliás). Ao chegar, fui recebido por olhares de crianças e de adolescentes, curiosos, ansiosos, para conhecer e conversar com aquele que havia inventado os personagens que ilustravam as paredes da Escola: murais, cartazes, desenhos, maquetes, frases em inglês. Além de um programa de rádio que animou a manhã e a tarde no pátio da Osvaldo Bastos. A professora Eliane e seus alunos fizeram o meu "retrato" e também imaginaram meus gostos e meus desgostos. Uma alegria só! E um monte de surpresa para mim e para os tantos professores que se empenharam em despertar naqueles corações a semente da leitura.


Ah, só motivos de alegria. Tomara que esse vento siga sempre soprando em Osório, se entranhando nos corações e levando suas sementes para todos os terrenos. Férteis ou inférteis, como saberemos? Assim, só resta semear e propiciar que uma ventania de palavras invada corações e mentes. E que bom poder fazer parte desse Vento!

Aluna Rosana, vestida de Eduarda, fazendo um reconto de meu livro Eduarda na barriga do Dragão.








domingo, 13 de abril de 2008

Caio Leitor 6: O tênue véu de Seda

Seda, do italiano Alessandro Baricco, é uma história de amor. Mas não daquelas de encontros e desencontros clichês. Amor que é amor no próprio ato da doação, amor mesmo, amor para além do próprio ato de amar.
Dicção ímpar, formada de capítulos e frases curtas que narram a história de Hervé Joncour, comerciante que, ao ir ao Japão em busca de ovos de bicho-da-seda,mergulha num universo exótico, habitado por uma mulher que ele pouco vê, com quem nunca trocou palavras,mas cuja sedução o escraviza. No final, a revelação do amor maior de Heléne, sua esposa. Amor capaz de simular a outra ser, a fim de conceder felicidade ao homem amado. Hervé, na verdade, busca longe aquilo que estava o tempo todo a seu lado. Descoberta tardia. A aldeia destruída, Heléne morta, flores azuis sobre o túmulo: "E, cuidadosamente, parou o tempo por todo o tempo que assim o desejou."(p.41)
Hervé vive a nostalgia do sonho ou do não experienciado: toques, gestos, todos através de intermediários — como a xícara de chá, a japonesa que a outra lhe entrega, o bilhete em ideogramas que não consegue ler sozinho. Hervé, no entanto, deseja o distante. Inventa uma paixão na distância e é incapaz de perceber o grande amor que está próximo, bem ali, nos sentimentos e no corpo de Heléne. O sonho deixa de ser vivido pela incapacidade da percepção de que ele já é real.
No final do livro, Heléne se revela como mulher e como grande personagem. Ela, a seda: leve toque na vida de Hérve. Tão leve que ele é incapaz de percebê-la na superfície da pele.
(Seda, Alessandro Baricco, Cia das Letras, 2007)

quinta-feira, 10 de abril de 2008

2º Fórum de Literatura Infanto-Juvenil

Falar sobre a Literatura feita para crianças e adolescentes sempre é bom, apesar de, vez ou outra, aparecer alguma voz dissonante a dizer que a literatura infanto-juvenil é subliteratura. Tola voz, pouco sabe que escrever é arte, quando há cuidado estético, quando a experiências inventada vai ao encontro da experiência real do outro que lê. E isso independe de idade de leitor. Literatura (Aquela com L maiúsculo) é lida prazerosamente por quem quer que seja. Assim, iniciativas como esta que a Marô Barbieri está coordenando são sempre bem-vindas, são sempre galo a cantar a outro galo que cantará a outro e a mais outro até o despertar da manhã. O 2º Fórum de Literatura Infantil e Juvenil do RS ocorrerá no mês do livro, oferecendo palestras, mesas-redonda e diversas oficinas. Eu estarei por lá, como autor e como oficineiro. Isso é bom, bem bom! Seguem abaixo, alguma informações para quem se interessar:

O 2º Fórum Estadual de Literatura Infantil e Juvenil do RS, a realizar-se no mês de abril de 2008, integrando as festividades da Semana do Livro, numa promoção da Secretaria Municipal da Cultura através da Coordenação do Livro e Literatura, com produção da profª/escritora Mª Eunice (Marô) G. Barbieri.
O evento ocorrerá nos dias 18 e 19 de abril ( sexta-feira e sábado) no auditório do Teatro Túlio Piva (sessões de grande grupo) e nas dependências da EEEF Prof. Olintho de Oliveira (oficinas).



DIA 18 de abril - SEXTA

08h30min às 09h30min
Credenciamento e distribuição de material

09h30min às 10h
ABERTURA

10h às 12h
Palestra de abertura:
LEITURA DE LITERATURA: ESCRITA E ESCUTA
Profª Marly Amarilla
Universidade Federal do RN


13h às 18h
Visitação à MOSTRA DE LITERATURA INFANTIL E JUVENIL da
Associação Gaúcha de Escritores(AGES)

Programação interativa especial:
exposição em banners,
consulta a obras
colóquios breves com dez escritores.


18h30min às 20h

PAINEL : QUALIDADE DO TEXTO: AS DIFERENTES LEITURAS
Profª/Doutora Vera T. de Aguiar - PUCRS
Escritora Anna Claudia Ramos - AEI-LIJ
Criança leitora
Jovem leitor(a)

19 de abril - SÁBADO
08h30min às 11h30min
OFICINAS

1. Compromisso com a palavra- estudo crítico da NARRATIVA- Caio Riter - RS
2. Oficina de leituras de POESIA - Elaine Maritza - RS
3. PRÁTICAS para o trabalho com Lit. Inf. e Juvenil – Christina Dias - RS
4. Práticas de LEITURA ORAL – Mirna Spritzer
5. CRIANÇA & POESIA – Telma Scherer - RS
6. Como formar e dinamizar PEQUENAS BIBLIOTECAS- Nóia Kern -RS
7. CRIANÇA & POESIA – Marta Gusmão - MG
8. Técnicas para trabalhar com LITERATURA INFANTIL – Celso Sisto - RS

13h às 16h30min

OFICINAS (as mesmas da manhã)
17h às 18h30

PAINEL – POLÍTICAS DE LEITURA: INVESTIMENTO CULTURAL

Programa “LIVRO LIDO” – Cachoeirinha
Programa “ LIVRO MEU” – Caxias do Sul
Programa “LITERATURA INFANTIL E MEDICINA PEDIÁTRICA” – Porto Alegre
“ JORNADINHA DE LITERATURA” – Passo Fundo

18h30
Encerramento

terça-feira, 8 de abril de 2008

Outras palavras 5: Dalton Trevisan


Nada tenho a dizer fora dos livros. Só a obra interessa, o autor não vale o personagem. O conto é sempre melhor que o contista. Não escrevo para mudar a vida, melhorar o mundo, salvar a minha alma. Rabiscado de letras vale mais o papel branco? Toda a minha desculpa de escrever.

segunda-feira, 7 de abril de 2008

O Rapaz se renova no contato com alunos do Bom Conselho

Esse mundo literário é mesmo repleto de surpresas. Os livros nossos, histórias arquitetadas no dentro de nós a convite de algo que vem de fora, acabam ganhando vida e se renovando com o contato afetivo com os leitores. Hoje estive conversando com os alunos da sétima série do Colégio Bom Conselho, alunos que, sob a orientação da professora Marisa Steffen, uma apaixonada pela Literatura, mergulharam nas páginas de O rapaz que nao era de Liverpool. E o tempo é sempre pouco para o tanto de inquietação que tais encontros promovem não apenas nos que lêem. Falar de um livro já editado é sempre oportunidade de voltar a ele, de repensá-lo.
No final, saí com vários bilhetes, repletos de questões. Entre elas, seguem algumas abaixo:

# Marcelo e DJ são amantes de poesia. Você também gosta?

Ah, e tem amor maior do que pelas palavras? Sobretudo, as poéticas. Talvez as ame, não apenas pelo tanto de desacomodamento que provocam, nem pela musicalidade que contêm, mas por senti-las arquitetura maior.

# Você admira os Beatles. Ouve-os nos momentos difíceis, assim como o Marcelo?

Estranha essa fusão entre ficção e realidade. Seguido me fazem essa pergunta. Não, eu não sou um fã ardoroso dos Rapazes de Liverpool, aprendi a curti-los na própria feitura do livro. Fui ler suas letras, ouvir suas músicas, comprar seus cds.

# Quando você escreveu o livro, fez com que Marcelo se identificasse com você?

Sempre há um tanto do Caio-criança nos livros que escrevo e nos personagens que crio. Ao escrever para adolescentes, sempre há umas tintas de nostalgia, mas acho que o personagem que mais tem de mim é o Renato, do livro Debaixo de mau tempo.

quarta-feira, 2 de abril de 2008

Gente Nova 2 - Maira Knop

A Maira Knop anda envolvida com poesia há muito, acho. Em seu blog , podemos colher suas flores líricas. Segue uma pétala poética:

Não gosto dessas mulheres
que vivem salivando desejos

os desejos
não foram feitos
para serem realizados

fossem,
que gosto teriam
os sonhos congelados?

Palavras 10


SAUDADE - Buraco no dentro da gente que não há terra que possa cobrir. Retrato em preto-e-branco na memória.