quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Não sei

Não sei direito o que acontece. O certo é que nada é certo, talvez por isso brinquemos de que um dia o mundo possa acabar, assim como os afetos se esfumaçam, as mãos se afastam, as palavras ditas ecoam no vazio. Mas, quem sabe, algo fique: a memória do que poderia ter sido. Essa a dor maior, afinal o que foi é sabido; já o não acontecido sempre reverberá mistérios.

domingo, 16 de dezembro de 2012

As surpresas do sábado

E o sábado foi fechar de semana, fechar de ciclo. Com ele, seu tanto de ausência, seu outro tanto de surpresas: o abraço de um amigo, o telefonema de um afeto, a palavra repleta de poesia, a promessa bem urgente de algo mais, a filha que bate asas ao encontro do amado. A vida é mesmo (e só) possibilidades.
Pois foi-se o sábado como vão as lágrimas. Outras virão; outros sábados também. Hoje é domingo. E isso parece ser bom

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

A esperança da sexta

A sexta veio! É quatorze, não treze. Sextas 13, dizem, atraem coisas não boas, atraem seres de mundos outros. Já as 14 não sei o que trazem, contra quem conjuram. Apenas sei que agora, bem próximo das 18, esta (que é 14, não 13) traz promessas, esperanças: traz o canto de um pássaro lá fora, traz o sonho de uma adolescente lá na sala, traz o encontro com muitos jovens e crianças leitoras, traz o desejo de me verter em palavras.
E que estas palavras sexta-feirinas, mesmo mergulhadas na dor do viver, possam ser broto verde, daqueles que enchem a gente de sonho e do desejo de mais e mais amor.
A sexta veio. Mas partirá, eu sei. E, mesmo assim, não trago o coração desesperançado.

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

As línguas da quinta

Era uma vez uma quinta-feira: quinta nem tão igual como as tantas outras já sumidas no tempo; quinta que sempre imporá lembranças não queridas; quinta que será para sempre.
Era uma vez uma quinta-feira, e ela veio como todas as outras, em pingos de chuva, arremedo das lágrimas vertidas, sentidas, incontinentis.
Era uma vez uma quinta-feira: quinta de possibilidade de afetos; quinta que, embora tenha trazido adeus, trouxe também encontros.
No tempo do era uma vez, toda a quinta será memória do tempo em que aquele que se foi era herói e seu cavalo falava toda e qualquer língua.

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

O vazio da quarta

A quarta.
A quarta trouxe a perda, foi-se no se fazendo ausência e, por criar vazio, será sempre lembrança e lágrima. A quarta.
Há dias que se perpetuam na memória, quer por serem remédio amargo, dor profunda, alegria desmedida. Mas sempre e, apenas, agora, lembrança.
E lembranças não preenchem faltas.
A quarta morre.

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

A desesperança da terça

E a terça-feira foi devorada também. Um sopro de amanhã jogou-se sobre ela, sopro que arvorou desesperança, que arquitetou amanhãs cuja força esmorece.
A terça foi sugada pelo tempo. E deixou atrás de si um tanto de dor, um tanto de lágrima, outro tanto de adeus.

As águas da segunda

E a segunda também se foi.
Foi-se como as águas de um mesmo rio a enganar com sua inexistente constância. Sempre outras; outras águas sempre. O que fica, afinal, (se é que algo se perpetua) no repetitivo fluir do rio é apenas a memória do surpreendido: um reflexo fugido do sol; um agito de peixe ou de sereia; o leve ondular de uma folha órfã de árvore; uma mão estendida ao náufrago.
Apenas nem sempre é menos.