sábado, 28 de junho de 2008

Caio Leitor 8 - Um estrangeiro olhar sobre a vida

Bom, instigante, incomodativo, é o texto O Estrangeiro, de Camus. Nela, a morre daquele que olha o comum sob ângulo diverso. Meursault, o protagonista, é verdadeiro, não sonega o que é, não afiança outras certezas que não as suas. Vê a vida de forma tão simples e, no entanto, ao subverter os ditames, perde literalmente a cabeça. A vida, uma grande mentira com a qual L´étranger não compactua. Sim, só tinha isto. Mas, ao menos, agarrava esta verdade, tanto que esta verdade se agarrava a mim. Tinha tido razão, ainda tinha razão, teria sempre razão. (p.120).
O Estrangeiro vai sendo engolido pela ficção urdida para e pela sociedade. Universo meio matrix. O absurdo do mundo e das relações que vão falseando a verdade. E, por ser fiel a si, Meursault pagará com a vida. No fundo, um desajustado. Mais do que ser punido por um assassinato, o será por não sentir aquilo que foi programado para sentir. Meursault, numa apatia sem par, diante das imposições, nutre a vontade de não perder a essência, busca ser verdadeiro, íntegro. Momentos há, no entanto, em que a aparente apatia cede lugar a uma raiva visceral. Quer quando assassina o árabe, quer quando sacode o padre com suas “verdades perfeitas”, como diria a Adriana Calcanhoto.

Viver, pois, tem um tanto de trágico. Um tanto de surpresa trágica, diria até. E de revelação sobre até onde um homem pode chegar, levado pelas contignências de ser.

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