domingo, 23 de setembro de 2012

A das Dores

Muito se fala da Igreja, cujas torres foram amaldiçoadas pelo Josino. Linda, no alto de suas escadarias, ela meio que observa a cidade, o rio, as gentes que transitam pra lá e pra cá pela Rua da Praia. Hoje, num encontro inusitado, ela se mostrou a mim por outro ângulo. Vi-a de costas, da Riachuelo, enquanto buscava o sol num fim de domingo. A Igreja das Dores, a mais linda de Porto Alegre.

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Na lista do Jabuti

Para quem escreve (pelo menos comigo é assim), quando o nome de um livro aparece em uma lista de finalistas, a felicidade se instala. Sobretudo quando o prêmio se trata do Jabuti, um dos mais tradicionais do país. Em 2009, também estive por lá, com meu livro Meu pai não mora mais aqui, da Editora Biruta. Agora, é a vez de A filha das sombras (Editora Edelbra), lançado ano passado e que conta a história da Dora. Uma jovem que se vê imersa numa vida trágica, desde o nascimento.


Criar a história da Dora, misturar elementos da literatura fantástica com aspectos de intimismo, foi fascínio. Mergulho num mundo que se me foi revelando, aos poucos: ele e seus personagens de sonho e de real, na busca de construir uma atmosfera nonsense.

Enfim, bom estar entre nomes ilustres da literatura brasileira. Bom ser um dos finalistas. Bom.

sábado, 15 de setembro de 2012

Às vezes, me faço crônica e chovo.


Chuva no dentro
 
 
 

Somos, acho mesmo, seres de saudades. Vamos fazendo-nos gente pelos encontros, pelas presenças, pelos afetos construídos ao longo do caminho, pelas palavras pronunciadas ou pelas silenciadas. Todavia, nos tornamos gente também pelos buracos que a ausência nos provoca. A dor da falta é ferida nunca cicatrizada. Por mais que nos pensemos curados daquela lembrança, por mais que pensemos que a criatura amada que se foi é apenas e mera lembrança, a falta se faz presença com uma dor tão forte, que nada mais nos resta senão ouvir o eco do vazio que nos vai por dentro.
            Aí se chora.
            Como agora. Choro a falta do não dito, choro a ausência do não ocorrido, choro a saudade do que nunca existiu. Mas que eu gostaria que tivesse existido: aquela palavra jamais dita, aquela conselho jamais ouvido, o toque no cabelo que nunca aconteceu, o colo sempre esperado e nunca recebido, o sorriso desejado.
            Aí se chora.
           Chora-se a certeza de que tudo teria sido possibilidade de diferença, caso o sofrimento da despedida tivesse sido acalmado pela presença do que não houve; o mesmo tudo que agora lateja, queima, marca para sempre o existir.
            Aí se chora.
            E o choro é apenas a falta da falta, o desejo do nunca havido.
           Saudade é doença sem cura. Por mais que achemos que o oco da ausência foi coberto pela terra do tempo, um vento forte descobre tudo e traz de volta a falta, que lateja, lateja e chove lágrimas em nós.

sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Matéria na ZH

Hoje, no jornal Zero Hora, matéria de Caue Fonseca, sobre o lançamento de meu livro de contos Vento sobre terra vermelha, editora 8Inverso. Gostei de ver minhas história através do olhar sensível e revelador do Caue. Bacana quando isso acontece: literatura ressignificando-se para o próprio autor através de um viés crítico.
Segue link para a matéria:
http://zerohora.clicrbs.com.br/rs/cultura-e-lazer/segundo-caderno/noticia/2012/08/caio-riter-retorna-a-literatura-adulta-em-vento-sobre-terra-vermelha-3869921.html

sábado, 25 de agosto de 2012

Sopram novos ventos...

       Minha escrita, e gosto disso, ficou bastante focada em dois públicos: crianças e adolescentes. Todavia, embora livros infantis e juvenis tenham preponderância em minha bibliografia, não abandonei os textos adultos. Por vezes, surge um poema, um conto. Ou um projeto de livro de contos, como o que desenvolvi há alguns anos e que recebeu alguns nãos editoriais. Mas agora o vento sopra a favor destas histórias escritas durante um período bem longo, que, aliás, não sei precisar. Todavia, são contos que conversam entre si: dores existenciais, descobertas nem sempre felizes, que vão dando conta do existir de homens e de mulheres, alguns ceifados da vida ainda crianças. São mergulhos na vida, através de meu olhar, que poderia ser outro, sei, porém não foi.
 
 
      Gosto do gosto da dor ficcional. Gosto de ser dedo roçando na ferida viva do ser gente, gosto de coletar retalhos de imaginação que possam obrar o existir, através do fingimento que, por fingir-se, acaba por se tornar possibilidade.
      Assim, abaixo, um trecho de um dos contos de "Vento sobre terra vermelha", que lanço no dia 01 de setembro, a partir das 17h, no espaço cultural 8Inverso, rua Azevedo Sodré, 245, Passo da Areia, Porto Alegre.
 
       Tinha muitos livros. Pouco espaço, aliás, sobrava naquela peça da casa. Uma sala grande, duas janelas estreitas e altas, cortinas claras, uma mesa de madeira escura no centro, uma estatueta de um velho cavaleiro armado, e livros. Muitos. A biblioteca, assim ele a nominava. De onde vieram tantos volumes, ninguém nunca soube ou desejou precisar. Ter assim tantos, aquela quantidade de livros, impossível de ler tudo numa única vida, era coisa de louco ou, no mínimo, de quem muito pouco teria para fazer. Como Arno Kunz, médico aposentado, vindo com os pais da Alemanha ainda bebê, enrolado em cueiros. O Doutor, como era chamado por aquelas bandas. O Doutor, o homem dos livros. Como se foi no chegado, também não interessava. A fama se fazendo, quer pela propriedade da medicina, quer pelo inusitado dos espaços sendo tomados pelos livros. Hoje, não andava mais pelas fazendas e caminhos a tratar bicheiros e vermes em crianças, mas vez que outra ainda era acordado na noite para o ajude de um ou outro vivente querendo vir ao mundo e atravessado na barriga, assim estando, como ocorrido com a Marcela. Mundo tão cheio, e tantos no chegado, resmungava sua mulher, cada vez que o Doutor de posse de uma maleta branca, com cruz vermelha encimada, saía no trote da pequena charrete.
— É a vida no continuado, Clarice, a vida no prolongado.
 
Conto: O colecionador de livros
 
 

Igrejas de Taquara

Todo mundo que me segue, que acompanha esse blog, sabe que eu curto igrejas e suas torres. Sempre que encontro uma aberta, logo entro a fim de fazer três pedidos. Dizem que, caso entremos numa igreja pela primeira vez, basta pedirmos três graças e elas ocorrem. Confesso que sempre faço meus pedidos e que muitos deles, de fato, aconteceram.

Catedral Luterana de Taquara

E essa semana fui a Taquara e me deparei com duas igrejas. As duas lindas: uma Luterana; a outra Católica. Uma bem em frente à outra. Dizem que do altar de uma, caso as portas estejam abertas, pode-se ver a outra.

Catedral Nosso Senhor Bom Jesus

Bueno, não pude comprovar isso. Apenas uma delas estava aberta, a de Nosso Senhor Bom Jesus. A foto é dentro dela e serve como moldura para a catedral luterana as portas da católica. Lindo de ver.

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Sessão de autógrafos marca lançamento de Caio Riter na 8INVERSO


A Editora 8INVERSO marca o lançamento da nova coletânea de contos adultos do escritor gaúcho Caio Riter com sessão de autógrafos e encontro com o autor. "Vento sobre terra vermelha" reúne, em 184 páginas, 15 contos que falam de personagens marcados pela estranheza e pela fatalidade, envolvidos em histórias de buscas por si mesmos e por algo maior em suas vidas. A obra é o primeiro título do autor publicado pela 8INVERSO. O evento de lançamento acontece no dia 1º de setembro, a partir das 17h, na nova sede da editora (Rua Azevedo Sodré, 275, bairro Passo d´Areia, Porto Alegre/RS).

Pela sua popularidade com o público infantojuvenil, Caio Riter esperou o momento certo pata publicar Vento sobre terra vermelha, obra que conta com apresentação da escritora Cintia Moscovich:

— Embora nos últimos anos tenha publicado apenas livros para crianças e adolescentes, segui escrevendo para adultos, sobretudo poesias e narrativas curtas. Porém, a dificuldade de publicar textos fora do nicho infantojuvenil sempre foi grande, em virtude de já ter formado um público jovem e infantil que acompanha minha trajetória — revela Caio, que fala do potencial de sensibilização dos contos de Vento sobre terra vermelha:

— Tento escrever histórias que emocionariam a mim, que me fariam ter desejo de mergulho na fantasia. Se o leitor perceber isso, se minhas palavras forem ao encontro do que deseja seu coração, bem, aí creio que a literatura acontece — diz.

Evento abre nova sede da 8INVERSO ao público

Desde julho de 2012 em novo endereço, a 8INVERSO abre as portas de sua nova sede ao público para a sessão de autógrafos de Caio Riter, primeira atividade de uma programação que promete ser intensa. O crescimento contínuo, os investimentos feitos no último ano e os fortes acréscimos ao catálogo obrigaram a editora a mudar-se de uma sala comercial para uma casa na Zona Norte de Porto Alegre. Agora, com espaços para receber eventos e promover oficinas literárias e palestras, a nova sede da 8INVERSO reflete os novos desafios que a empresa propõe-se a enfrentar. O endereço é: Rua Azevedo Sodré, 275, bairro Passo d´Areia, em Porto Alegre.

Serviço
O QUE: Sessão de autógrafos e lançamento do livro “Vento sobre terra vermelha”, de Caio Riter.
QUANDO: 1º de setembro, a partir das 17h.
ONDE: Editora 8INVERSO – Rua Azevedo Sodré, 275, bairro Passo d´Areia, Porto Alegre/RS.