domingo, 20 de janeiro de 2013
As dores na noite
Ando pelas ruas de minhas cidade e meu olhar é sempre voo em busca de torres. Há sempre aquela que tanto me encanta por seu universo lendário: a Igreja das Dores. Na primeira semana de janeiro, supreendi-a à noite. E a aura de mistério me pareceu mais forte ainda: aquelas torres, forçando-se contra o céu escuro, para além dos prédios comuns
domingo, 13 de janeiro de 2013
Sobre o escrever 10
Um ponto final em um texto que vinha sendo pensado há mais de dois anos sempre é momento de despedida. Momento em que o autor deixa de conviver com as possibilidades que a história, os personagens oferecem, suscitam, provocam. O escritor, como o articulador de um jogo, vai buscando na razão e na emoção a destreza para dar a forma necessária para que a história narrada seja, de fato, aquela que foi pensada, estruturada, maturada. Pois ando em tempo de afastamento de meus personagens, momento em que eles começam a não serem mais apenas meus. Todavia, creio que não é momento de adeus, mas sim de permanência. Seres que, agora, serão parte de minha história, não mais eu apenas o mentor da deles. Quero ser partilha.
sábado, 5 de janeiro de 2013
Paul Auster e seu oráculo
Iniciei o ano mergulhado em Paul Auster e seu "Noite do Oráculo".
Curto a literatura metaficcional. A trama engendrada por Auster, cria uma série de camadas de leitura e de escrita. Afinal, Sid, o protagnista, é um escritor recém-saído de uma crise que quase o vitimou. Após adquirir um caderno azul, numa pequena e estranha papelaria, ele retoma a vontade de escrever. E se a crise é literária, ela também é emocional. Sidney encontra-se numa encruzilhada em busca da compreensão do mundo que o cerca e, para isso, a ficção acaba, de certa forma, apresentando-se como possibilidade de entendimento. Escrever, nesse sentido, pode ser futurar.
No desvendar da palavra (e da vida), o protagonista problematiza as fronteiras tênues que separam invenção e real, além de reconstruir-se como ser de vontades, como pessoa que quer ser feliz. As respostas desimportam. As palavras, afinal, é que nos constroem, nos fazem.
Neste sentido, aquele que escreve tem o poder de vaticinar, de prospectar o amanhã, não apenas de memorizar o que passou. Escrever é tornar a vida possível. Assim, literatura e vida, palavra e existência se fundem num sentido existencial, essencial, necessário. Aquele que escreve torna-se deus, já que obra o futuro. É, pois, o próprio oráculo.
quinta-feira, 27 de dezembro de 2012
Maria na janela; Patinhos na lagoa
2013, é certo, acrescentará à minha história de escrita mais dois livros infantis. Cada um com sua trajetória, ambos amparados pelo selo da Editora Biruta, da minha querida Eny Maia, parceria que tem conquistado alguns destaques e alguns PNBEs. Isso é bom. Sempre. Quando há sintonia entre o querer do autor e o do editor, o resultado são livros lindos, prontos para serem degustados, saboreados, por leitores de todas as idades. O bom livro infantil, já disse Orígenes Lessa, é aquele que, quando lido por um adulto, provoca-lhes encantamentos. E isso que creio desejar ao lançar novo livro: que seja capaz de trazer um tanto de encanto para aquele que abri-lo. Escrever é possibilidade de encontro, sempre. E vem aí, Sete patinhos na lagoa, com ilustrações de Laurent Cardon, que quer brincar com as palavras, quer provocar alegria, retomando as narrativas-poéticas de acúmulo. Já Maria e seu sorriso na janela, com ilustrações de Rafa Anton, pretende discutir um tema mais pesado, a morte, de forma leve, tênue, poética. Afinal, a vida é, independente de idade, conviver constante com seus paradoxismos. E se é bom escrever, melhor ainda ver que meus textos encontraram guarida num selo editorial e agora são pássaros que traçaram seus voos. Voos que espero certeiros, diretos ao coração de mais e mais leitores.
Ilustração de Rafa Anton, para Maria e seu sorriso na janela
domingo, 23 de dezembro de 2012
Alice mora em mim
Há cem anos antes de eu nascer, Lewis Carrol arquitetou uma trama nonsense que me encanta por demais. O que faz, afinal, com que um determinado livro se tatue em nossa alma leitora para sempre? Diferentes são os caminhos da paixão literária, creio. Assim, não me perco em elocubrações para definir o que imprimiu as tintas de "Alice no país das maravilhas" em mim. Amo, apenas. Assim, sem nada de entendimento, que o amor não carece mesmo de compreensão. E amo tanto que a presença de Alice já virou coleção com 47 diferentes publicações. Muitas delas ganhas de amigos que andam circulando pelo mundo e que me enviam Alices nas mais diferentes línguas.
Pois Alice faz 150 anos. E sua magia, e seu encantamento seguem vivos, seguem desejosos de mais e mais leitores. Obra viva, sempre viva em mim.
Minhas Alices
sexta-feira, 21 de dezembro de 2012
Duas Dores
Nas andanças literárias (e nem sempre literárias), olhos alçando céus, vou me deparando com torres e mais torres. Igrejas me encantam. Encantamento que tem a ver com a infância e também com o que esses espaços propiciam de reflexão, de momento para que se possa se voltar para dentro de mim mesmo. Gosto disso, gosto de enveredar pelos corredores, sobretudo se o templo está vazio. Olhos sempre buscando imagens, por vezes mergulhos em outros tempos. Pois nessas andanças, encontro duas Dores: aquela que tanto amo, em Porto Alegre, e uma outra em Sentinela do Sul. Duas igrejas, uma mesma homenagem.
Igreja das Dores, Sentinela do Sul
Igreja das Dores, em Porto Alegre
Sobre o escrever 8
Não gosto de muito hermetismo na linguagem, quando o autor se propõe narrar. A estética não pode nublar a narração. Algo que muito se vê hoje. A narrativa precisa saber contar uma boa história de forma esteticamente elaborada. Mas, enfim, uma trama. A história tem que estar ali, atuando com seus claros e escuros, mas ali, prenhe de significações para o leitor: a fábula não se esconde, não é assassinada pela linguagem que a devia vivificar. Deixemos as metáforas enigmáticas para a poesia. Esta sim tem liberdade maior para captar estados da alma.
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