
FIM: todo o fim pressupõe um recomeço, um novo desejo de ser, como se, ao nos atirarmos num voo cego em abismo, desconhecêssemos o que lá embaixo nos espera. Engano, tudo é sempre, e apenas, esperança. Ela, sim, se destruída, certeza do fim.
Mais um ano finda, ano bom, cheio de atividades e de bons projetos. 2010 acena com outras tantas possibilidades, e a vida vai se fazendo mesmo de ciclos, a necessidade de cada vez mais lançarmos metas, buscarmos sonhos, arquitetarmos palavras.Os premiados
(Foto: Ricardo Chaves/Zero Hora)
Abaixo link com matéria da Zero Hora sobre a Noite do Livro: http://zerohora.clicrbs.com.br/zerohora/jsp/default2.jsp?uf=1&local=1&source=a2749561.xml&template=3898.dwt&edition=13731§ion=999
Pois é, aconteceu em minha vida de escrita o que vinha, de certa forma sendo soprado em meu ouvido há certo tempo. Mas negado: a escrita de um livro para professores. Na verdade, não é bem livro no sentido didático do termo. Não teço grandes teorias. Não uso linguagem acadêmica, naquela linha de usar palavras inacessíveis ao leitor comum ou termos especializados. Procurei escrever um livro que, como os de literatura, pudesse suscitar desejo de leitura, pudesse ser prazeroso e, ao mesmo tempo, suscitar algumas indagações. Queria escrever um livro que fosse gostoso de ler e que, ao mesmo tempo, pudesse ter uma discussão consistente. Discussão nascida não da teorização acadêmica, mas da experiência, da vida, do contato com livros em casa e na sala de aula. Assim surgiu A formação do leitor literário em casa e na escola. Livro nascido de um convite que a Eny Maia, editora da Biruta, me fez. Mais desafio do que convite. E eu, meio quixotesco, sem saber se teria condições de dar conta do recado, aceitei. Na Biruta, também publiquei o Meu pai não mora mais aqui, livro que me tem trazido alegrias muitas, quer pelo olhar positivo da crítica especializada que o tem feito participar de vários concursos literários, quer pelo retorno de leitores de todo o país, graças à sua indicação ao PNBE (Prova, aliás, de que a gurizada tá fazendo uso dos livros que o Governo Federal tem destinado às bibliotecas escolares).
Eu parto da fagulha inicial e o que acontece é que, quando a coisa pega fogo, começam a chegar ideias novas e fatos por explodir, que vou anotando às carreiras, para não perder a embalada,mas nem sempre volto a essas anotações, mesmo porque elas vão sendo superadas pelo qua vai acontecento... Eu reescrevo sempre, não há linha no mundo que não possa ser melhorada.
Para quem escreve, a homenagem de uma cidade em sua feira de livro é honraria maior. Afinal, ser patrono, escolhido entre tantos autores e autoras que se dedicam com maestria à arte de escrever, acaba sendo marca na história daquele que resolveu criar mundo fictícios, ou poemas, ou ilustrações, ou reflexões... A vida de escrita tem seu tanto de sacrifícios (os inícios sempre são difíceis, e se não são apenas existem para confirmar a regra), mas também tem seu muito de alegrias, de trocas, de fantasias e de sonhos: mundos possíveis que se vão construindo a partir do desejo e da emoção de quem os cria.
Um diário escrito como um trabalho textual, proposto pela professora, é a tarefa que os alunos precisarão realizar em casa, até o fim do ano:
Lidando com descobertas
Meu livro Debaixo de mau tempo (Artes e Ofícios) tem atiçado o coração de jovens leitores da EMEF Salgado Filho, de São Leopoldo. Indicado pelas professoras, ele tem feito com que muitos adolescentes me escrevam mensagens falando sobre o livro e sobre a expectativa de se encontrarem comigo. Gosto destes encontros, afinal, todo o escritor deve ir aonde seu leitor está, ainda mais quando esses leitores são um grupo de pessoas a fim de entender mais um pouco os caminhos da ficção. Abaixo, transcrevo a cartinha que recebi da Dhéssica Stoffel, que mostra a necessidade de que a leitura orientada pela emoção invade as salas de aula.
Nas oficinas literárias que ministro e nos encontros com leitores de que participo, muitos me perguntam sobre como nasce a tal da inspiração. Difícil de responder. Geralmente digo que o desejo de escrever determinada história vem de um chamado da vida. Algo que está fora de mim me atiça o desejo e a história vai se fazendo: primeiro o tema, o conflito central; depois surge o protagonista, aquele que dará voz ao tema, ao conflito, e este vem trazendo atrás de si outros e mais personagens.





